Historically Speaking - A elite da Rumble
“ Sem paixão podem não se cometer erros, mas sem paixão de certeza que não se faz história.” – C.V.Wedgewood

O capítulo de abertura
Na histórica carreira da Royal Rumble houveram certamente homens que se tornaram sinónimos desta. Alguns desses homens brilham sempre em determinado evento. Undertaker é, claro, o melhor na Wrestlemania. Big Show normalmente tem bons desempenhos no Survivor Series. Triple H excede-se sempre num Hell in a Cell. Shawn Michaels ficou eternamente ligado ao ladder match.
E, da mesma maneira, olhando para a Royal Rumble há um grupo de lutadores que deram sempre o melhor de si, oferecerendo momentos memoráveis aos fãs. Assim sendo, como um prelúdio do 21º aniversário da Royal Rumble eu vou recordar os homens que tiveram um impacto destacável no evento de referência de Janeiro.
Menção Honrosa
Viscera
Na longa e documentada história das battle royals, um dos componentes atractivos foi sempre ver os super heavyweights da companhia a interagir com o resto do roster. Andre the Giant fez carreira a dominar battle royals e fazendo-as parecer relevantes. Na era moderna um homem como Mabel/Viscera/Big Daddy V tem sido usado para desempenhar sempre o mesmo papel. Big Daddy V, um homem de dois metros e com aproximadamente 225 quilos tem sempre um bom impacto visual numa conjuntura como a da Royal Rumble. Embora nunca tenha sido considerado favorito para a ganhar ele foi já usado em oito diferentes combates da Rumble divididos entre os três períodos em que esteve na WWE. Este ano parece que vai ser a sua nona aparição, interpretando a sua terceira ou quarta personagem diferente. O seu papel foi sempre o de proporcionar uma “eliminação em gang” (sempre com o seu impacto em termos visuais) em que os seus oponentes trabalham todos em conjunto para o eliminar, ou então o de oferecer ao favorito do combate uma “eliminação sobre-humana” que tem sempre a sua espetacularidade, quando este elimimina o “grandalhão” sozinho. Esperem que ele desempenhe uma função semelhante na edição deste ano.
Rikishi
Semelhantemente a Viscera, Rikishi tem sido um participante constante no combate Royal Rumble. Desde os seus primeiros dias como “Headshrinker Fatu”, para “Makin` a difference”Fatu, para The Sultan e finalmente Rikishi, ao todo o homem nascido Solofa Fatu competiu em nove combates Royal Rumble. Foi considerado um dos favoritos à vitória em 2000, quando eliminou sete adversários, e em 2001, quando teve o lugar de entrada #30. Só pela sua presença constante e regularidade no evento, este homem merece ter o seu reconhecimento.
10. Kurt Angle
Kurt Angle, embora nunca tenha saído vencedor do combate em si, foi instrumental ao participar em outros combates da Royal Rumble, compondo o card de edições memoráveis do pay-per-view. Em 2000, apadrinhou a estreia de Tazz, antigo campeão da ECW, elevando-o no combate que protagonizaram. Em 2001, defendeu o título da WWF contra Triple H na continuação do seu ângulo que os envolvia num triângulo amoroso ,conjuntamente com Stephanie McMahon, que se havia iniciado no ano anterior. Foi ainda o finalista vencido do evento em 2002, e foi um dos últimos quatro em 2004. Para além disso participou nos combates pelo título World Heavyweight em 2005 e em 2006. Mas o seu maior feito neste evento foi mesmo em 2003, quando defendeu o título World Heavyweight contra Chris Benoit. Os dois, protagonizaram um combate candidato a melhor do ano, e salvaram o undercard de 2003 de um desastre.
9. Triple H
Triple H tem estado activo na Royal Rumble já há mais de uma década, tendo mesmo sido o estimulador do combate Royal Rumble em 1996. Ele saíu vencedor em 2002, quando tinha acabado de regressar na da sua primeira lesão nos gémeos. A sua vitória foi quase uma conclusão inevitável daquele ano. Em 2006, ele e Rey Mysterio foram de costa-a-costa, tendo obtido os dois primeiros lugares de entrada e sobrevivendo à inteira duração do combate. Escusado será dizer portanto que ele foi bem sucedido em combates Royal Rumble, mas o seu trabalho nos undercards do pay-per-view é o que realmente cimenta a sua posição. Em 2000, ele e Mick Foley tiveram um combate fantástico pelo título da WWF, que ajudaram a estabelecer o legado de Triple H como um lutador de main event. Em 2003 simplesmente levou Scott Steiner às costas, protagonizando um combate épico com o seu rival de longa data Shawn Michaels em 2004, defendendo depois em 2005 o título da WWE novamente, desta vez contra Randy Orton.
8. Bret Hart
“The Hit Man” foi um dos dois primeiros homens a entrar num combate Royal Rumble. E, tal como a sua importância na companhia cresceu, também foi aumentando a magnitude dos seus desempenhos na Rumble. Combateu durante 25 minutos em 1991, quando era ainda um lutador de tag. Em 1993 foi o primeiro campeão da WWF a defender o título na Royal Rumble, derrotando Razor Ramon no undercard. 1994, foi o ano que se tornou o ano de destaque para Bret na Rumble, enquanto ele e o seu irmão Owen desafiaram The Quebecers pelos títulos de Tag Team no undercard, depois ele e Lex Luger tornaram-se os únicos co-vencedores na história da Royal Rumble. Após isso passou os dois anos seguintes em combates pelo título da WWF. A sua última aparição em 1997 foi outra participação memorável em que, embora tecnicamente tenha sido ele o vencedor da Royal Rumble, a trapaça de Stone Cold nas costas dos árbitros levou a que este fosse declarado o vencedor desse ano.
7. Ric Flair
Ele foi simplesmente o primeiro homem a ir de costa-a-costa na Royal Rumble. Flair obteve o #3 em 1992 e sobreviveu mais de uma hora para ganhar o título da WWF. Foi um desempenho que já foi duplicado muitas vezes após esse momento, mas o “The Man” foi o original. Desde o seu regresso no início do novo milénio, Flair tem sido fundamental em diversas Rumbles, incluindo uma sessão de pancadaria com Vince McMahon com bastante interesse em 2002, e a participação nos eventos de 2005, 2006 e 2007. Este ano parece ser o ano da última aparição de Flair na Royal Rumble, mas eu espero que ele saia em estilo como ele sempre faz.
6. Mick Foley
Ele apareceu em inúmeros cards da Rumble, mas as suas aparições mais memoráveis foram em 1998, 1999, e em 2000. Em `98, Foley apareceu como participante em três ocasiões diferentes, uma para cada alter ego – Cactus Jack, Mankind e Dude Love. Tendo contornado a lógica ao aparecer três vezes, conseguiu proporcionar um interessante e memorável espetáculo. Depois em 1999, o objectivo de Foley era elevar The Rock, e assim o fez de uma maneira abismal, devendo-se ao agora famoso “I Quit match”, Foley apanhou com 10 cadeiradas sem protecção alguma, levando-o à sua derrota. No ano seguinte a sua missão era elevar Triple H, e mais uma vez o seu desempenho na derrota foi brilhante, graças a pionéses, a um taco de baseball envolvidos em arame farpado e a uma disputa bastante intensa e cativante.
5. Kane
Nove aparições como Kane, uma aparição como “Diesel” e uma outra como Isaac Yankem DDS, colocam Glen Jacobs como um lendário líder em desempenhos na Royal Rumble. Na última década, Kane tornou-se quase um sinónimo da Royal Rumble. Ele foi um dos quatro finalistas como “Diesel” em 1997 mas teve o seu real sucesso como Kane. O seu feito brilhante aconteceu em 2001, quando eliminou 11 homens, durando mais de quarenta minutos, foi o finalista vencido frente a Steve Austin. Desde esse desempenho, Kane tem sido sempre apresentado como uma legítima ameaça na Royal Rumble, aparecendo nos últimos quatro resistentes em 2000 e 2003, e eliminando sozinho e de uma forma impressionante Big Show em 2002.
4. Hulk Hogan
Qualquer um de vocês a ler isto sabe que Hogan foi “aquele” nos anos 80 e no início dos anos 90. Posto isto, não foi surpresa nenhuma quando Hogan venceu as edições da Royal Rumble tanto em 1990 como em 1991. No caminho da sua vitória em 1990, teve um confronto grandioso com Ultimate Warrior durante o combate, e em 1991 a sua vitória foi precedida pela eliminação de sete homens. As suas outras duas participações na Royal Rumble foram igualmente impressionantes sendo que ele estabeleceu um record na altura, ao eliminar 9 oponentes em 1989, e foi um dos três finalistas em 1992.
3. Undertaker
Desde 1990, Undertaker tem sido a cara da WWE. Desde o início, Undertaker tem-se revelado sempre como uma séria e legítima ameaça. Ele pareceu indestrutível em 1991, 1992 e em 1993. A sua credibilidade sobreviveu ao fiasco que foi o seu combate de caixão com Yokozuna em 1994, tendo depois desempenhos sólidos e de qualidade com Bret Hart e Vader em 1996 e 1997, respectivamente. O seu combate de caixão com Shawn Michaels em 1998 colocou a sua storyline com Kane em alta rotação e foi responsável pela lesão nas costas que ameaçou a carreira de Shawn Michaels. Ele possui o recorde de ter obtido o lugar de entrada #30 por três vezes, utilizando finalmente essa posição na sua vitória no ano passado.
2. Shawn Michaels
Nos finais dos anos 80, não era esperado que um um jovem rapaz loiro e magricelas do Texas fosse dominar o mundo do wrestling profissional. Mas Shawn Michaels pôs o mundo do wrestling na palma da sua mão. Após uma participação de 30 segundos em 1989 e de um combate realmente bom com Marty Jannetty contra os seus velhos rivais The Orient Express em 1991, Shawn passou a actuar sozinho. Ele lutou contra o seu antigo companheiro Jannetty em 93, aparecendo ainda nas Royal Rumbles de 1992 e 1994. Ele foi de costa-a-costa, saíndo vencedor no pior combate Royal Rumble de sempre(1995) que incluía sete tag teams, um legend (Dick Murdoch), três novos membros do roster (Mantaur, Aldo Montoya, Henry Godwinn) e o resto do mid-card da WWF, mas que tornou a relevante a regra de ambos os pés terem de tocar no chão. Em 1996 ganhou novamente e de uma forma brilhante, tornando a pequena estrela de 100 kilogramas num vencedor de duas edições da Rumble. No ano seguinte, em 1997, ele fez delirar o público da sua cidade-natal de San Antonio, Texas, ao vencer o título WWF. Após o seu retiro de quatro anos devido à sua lesão, Shawn teve excelentes desempenhos neste novo milénio, com o seu “Last Man Standing Match” contra Triple H em 2004 e com a sua fantástica exibição ao perder com Undertaker na final da Rumble em 2007.
1. Steve Austin
Uma disputada vitória em 1997, as vitórias alcançadas em 1998 e em 2001 e uma vitória por declarar em 1999, fazem de Steve Austin uma escolha fácil como MVP da Royal Rumble. Exceptuando a sua participação como “Ring Master” Steve Austin em 1996, Austin prosperou em todas as Rumbles em que competiu. Ele é o único vencedor de três edições da Royal Rumble, tendo estado presente nos quatro finalistas em 2002. A sua atitude e personalidade foram feitas à medida para um evento como a Rumble. Ele era sempre bem sucedido nas eliminações e foi o “homem-de-ferro” em 1997 e em 1999. Pura e simplesmente, ele dominou.
A perspectiva
A Royal Rumble tem sido sempre conhecida pelos seus momentos memoráveis. A Rumble prepara o palco para a Wrestlemania, destacando os elementos que terão maior destaque nos meses seguintes. O combate Royal Rumble tem a capacidade de ajudar a criar novas estrelas e de solidificar a posição de alguns lutadores na companhia. Para mim é, à partida, sempre um dos 5 melhores combates do ano, e é uma importante parte do legado dos homens destacados na crónica.
Por esta semana o cofre está fechado...
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Até para a semana ;)