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Serei um Smart! - Mudar para sobreviver

A WWE realizou no passado Domingo em Boston, um dos seus mais importantes PPVs do ano, o Survivor Series.

Realizado deste o ano de 1987, ou seja, à mais de 20 anos, o Survivor Series integra o chamado "Big Four" de shows da WWE, em conjunto com o Royal Rumble, SummerSlam e a grande Wrestlemania. O conceito do SS, passa pela sobrevivência em ringue, o resistir, sobreviver até ao final para garantir a vitória para os seus, algo que ao longo dos anos, tem vindo a perder influência para os Main Events "tradicionais" com o título em jogo.

Este ano, o conceito geral, mais uma vez manteve-se, com vários tipos de combate "tradicionais", excepção feita aos naturais combates pelos títulos principais da empresa, o WHC e o WWE.

Admito que as minhas expectativas para este PPV eram nulas. Andava (e ainda estou em parte) algo desanimado com o rumo dos shows regulares da empresa, aliados à cada vez maior dificuldade temporal para seguir os mesmos, parti para o Survivor Series sem entusiasmo. Sabia que este SS tinha o regresso de Cena, apenas o maior nome dos últimos anos na WWE, mas mesmo isso não me criava qualquer onda de entusiasmo. Mais uma vez, feuds em cima do joelho, em especial na construção dos combates tradicionais, e à partida ver Triple H a enterrar novamente os queixos dos seus adversários no meio do ringue, não ajudavam em nada à festa. Admito que caso fosse um Norte Americano, nunca gastaria os preciosos dólares na compra deste PPV. Mais facilmente, o faria na compra do PPV da UFC onde Brock Lesnar alcançou a glória.

Dada a característica deste PPV, pensei que a WWE podia ter aproveitado o mesmo para fazer "descansar" os títulos. Ou seja, como tenho defendido, a WWE tem neste momento demasiados PPVs na sua grelha. Além do exagero de PPVs, o facto de todos serem multi-brand, além de retirar protagonista a muitos mid/up card do roster, traz ainda um grande desgaste aos combates pelos títulos, e as suas devidas feud e storylines. Com um PPV mensal, por vezes dois, os títulos são na minha opinião, demasiados defendidos. Isto leva sobretudo a um mau preparar das disputas pelo mesmo. O que anteriormente seria feito em cerca de mês e meio, dois meses, em no mínimo seis shows, é feito agora por vezes em dois, três shows semanais. Como referi, além da menor preparação, o desgaste do Main Event é constante. Por mais que um prato seja apetecível, a repetição sucessiva do mesmo leva ao enjoo. Ver constantemente, como ocorreu nos últimos tempos, um repetir de Batista, assim como outros, a discutir cintos, trouxe uma certa monotonia à WWE. Sem contar com as lesões de vários desses Main Event, obrigados a um desgaste maior. Mais tempo em ringue, mais desgaste, mais lesões, menos opções para desenvolver feud. Como está agora organizada a WWE, não é a melhor solução. Mas já estou a divagar.

Por estas razões, pensei que a WWE poderia ter criado com base nas características deste PPV, uma ou outra feud, envolvendo os Campeões (anteriores ao PPV) onde este lideravam uma equipa. Do outro lado, estariam os pretendentes aos títulos, a liderarem as suas equipas, permitindo que se desenvolvessem ainda mais as feuds, com algumas trocas de golpes, e com alguém a sair por cima, e não propriamente sobre o seu rival directo, mas sim, a sua equipa. Dado o regresso, automático de Cena, ao Main Event, e à luta pelo título, o que era algo natural, não fosse Massachusetts o seu estado natal, este cenário podia ter sido desenvolvido na Smackdown, com Triple H a liderar uma equipa, e do outro Jeff Hardy a liderar outra armada, ou mesmo Vladimir Kozlov, o que era mais improvável, dada a personagem estar mais afastada dos restantes membros do roster, em especial a partir da língua. Mas essa não foi a opção da WWE. Optou por juntar algumas equipas, pegando em algumas feud soltas, apesar dos lideres, em especial no JBL vs HBK, ter pouco sentido terem rivalizado para este PPV.

Por estas e por outras, como já referi, levou-me a que encara-se o SS sem qualquer ponta de entusiasmo. Pensei que seriamos servidos com mais do mesmo: Uma vitórias "faces" nos combates tradicionais, para gáudio do publico, Undertaker a bater Big Show, Triple H a sair por cima, e Cena a perder, com Jericho a roubar de alguma forma a vitória, e a iniciar uma caçada pelo cinto.

Mas como escrevi no título da crónica, estava em jogo a sobrevivência, e de uma forma muito exagerada, a sobrevivência da própria empresa. A algumas semanas, escrevi que a WWE necessitava de um golpe de génio, ou melhor, um golpe de Vince McMahon para ver se animava. E este PPV trouxe isso, um renovar total do panorama WWE, com a conquista dos dois melhores Campeões do século XXI dos respectivos cintos de cada brand.

Em qualidade, o PPV pode não ter sido, e não foi dos melhores, em especial o combate pelo título da WWE, que nem começou mal, teve alguns momentos algo interessantes, mas no geral ficou algo a desejar (se bem que penso ter servido para desenvolver mais este duelo de pesos pesados). Mas os momentos finais salvaram e muito este combate, assim como reanimou completamente a Smackdown. Estava ansioso em saber que regresso faria Edge, e este foi muito bom. Nunca pensei que o nariz, como carinhosamente o Manjiimortal chama ao Hunter, larga-se o cinto. (Apesar do cheiro a esturro em relação à contrapartida por isto). Edge, visivelmente mais lunático que nunca, é de novo Campeão da WWE, e por aqui, penso que a Smackdown vai subir e muito.

Quanto à RAW, o título regressou ao seu dono natural. Desculpem-me os anti-Cena, mas não vejo outro wrestler capaz de trazer a RAW do fundo que não o Doctor of Thuganomics. Não afirmo que Jericho seja um mau wrestler, ou um mau Campeão, mas John Cena é sinónimo de audiências, algo que Jericho nem tanto, como se verificou nos últimos tempos. Claro que a qualidade geral do programa em nada ajudou o Campeão, em especial o antigo GM, mas as coisas agora com os filhos McMahon estão a melhorar no geral, e ainda bem.

De destacar deste PPV, é o total ponto de viragem que a WWE pretende passar aos fãs. Nas opiniões gerais, tenho lido bastante críticas ao show, mas o que queriam afinal? O melhor, sem dúvida seria um show com qualidade no ringue, o que em momentos até foi agradável, e as surpresas que ocorreram. Outras seria, aquilo que andamos a comer à meses. Se dizem mal porque o show foi para marks, caso fosse mais do mesmo, diriam que já enjoa, etc., por isso, a insatisfação é constante.

De realçar nesta fase do Campeonato, o facto de até à Wrestlemania, existiram apenas mais três PPVs, Armageddon, Royal Rumble, e No Way Out. Logo, o caminho começa a ser desbravado, como se pode ver no caso Shane, Stephanie. Estou com expectativas altas para o que ai pode vir, se bem que esse pode ser o erro. No SS as expectativas eram tão baixas, que gostei muito do desfecho do show.


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