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Serei um Smart! - "The Wrestler" - Que consequências?

Estava a tentar aguentar a estreia do "The Wrestler" no grande ecrã. No entanto, a mesma só ocorrerá no próximo dia 26 de Fevereiro. Juntando a data à incerteza de saber se terei o filme num cinema perto de mim ou não (não me desloco a Lisboa para ver um filme. Um concerto, sim, um jogo de futebol, sim, mas um filme não), levou-me a que fizesse o download (chiuuu, que alguém pode ouvir) do mesmo. A imagem parece-me muito boa, dado ser não ser DVDRip, e estou agora numa irritante tentativa de o converter para DVD a fim de o ver na TV lá de casa. No entanto, após duas tentativas falhadas de gravação, estou mesmo decidido a ver o mesmo através do pc.

Até ao momento, apenas vi alguns segmentos, a fim de verificar a qualidade de imagem, a sincronização das legendas, entre outros pormenores sobre a versão que baixei para o PC. No entanto, dado o impacto que o filme está a alcançar, em especial a nível de prémios, e a consequente chegado do mesmo ao grande público, e não somente aos aguerridos fãs de wrestling, é tempo de ser colocada uma pergunta, Que consequências junto do grande público terá esta obra?

Tive a oportunidade de passar a vista (literalmente) sobre um texto do Kamisas no Galáxia, onde este aborda a relação dos fãs com a modalidade e com o restante público. Como escreveu o Kamisas, são poucos aqueles que seguem esta modalidade, pelo menos, observando o fenómeno na sociedade como um todo. Ele diz que apenas conhece cinco a seis pessoas que acompanham a modalidade, com as quais pode debater pessoalmente sobre a mesma. Eu vou mais longe, e indico que fora um primo meu com uma dúzia de anos de idade, não tenho ninguém no meu círculo mais fechado que siga a modalidade do mesmo modo que eu.

Fazendo aqui algumas confidências, penso que o meu perfil está completamente longe de um fã de wrestling, pelo menos, da forma como são retratados por aqueles que estão de fora. Ainda à pouco tempo nos USA, foi escrito por um qualquer iluminado, que o fã de wrestling, era um indivíduo obeso, que morava numa rolote ou passava a maioria do tempo fechado na cave ou na garagem de volta da Internet, não socializando com os demais. Penso que este quadro, pintado por alguém sem o mínimo de massa cinzenta exigível a um ser humano normal, não é de todo em todo correcta. No entanto, descrevendo em poucas palavras o que sou, e daquilo que gosto e acompanho, penso que estaria longe do estereotipo de fã, traçado, como já o afirmei, pela restante sociedade.

Tenho 26 anos, uma idade que para muito já não era para acompanhar wrestling, trabalho (felizmente, e espero que se mantenha) efectivo num escritório de contabilidade, preparo-me para formar família, gosto de cinema europeu, não troco um bom livro por uma série de TV, sou católico praticante, ou seja, quem me conhece (mal), pode pensar, "Mas porque raio é que aquele tipo gosta daquilo?"

Com a chegada de "The Wrestler", alguns daqueles que constituem o meu círculo, irão ver o fenómeno, directamente de dentro para fora, ou seja, não irão ver um RAW, um PPV, mas sim, algumas das mais bizarras histórias de bastidores, com os esteróides a serem o principal foco de polémica. Sei que existe uma sentido generalizado que os wrestlers, ou a maioria deles, toma substâncias de crescimento. Mesmo quem não segue a modalidade, e não conhecendo quem é, olha por exemplo para Batista, assume à partida que todo aquele físico não é obra de treino intenso no ginásio e feijoada, além de uns bons e apetitosos rojões! Por detrás daquele físico impressionante está um conjunto de outros factores, com os "químicos" à cabeça. De um modo resumido, isto é como a casa do vizinho. Pode-se desconfiar que o mesmo seja homossexual, ou masoquista, ou swing, o outra coisa qualquer, mas sem nunca ter a certeza. No entanto, no dia em que houver a mesma, apesar de à muito existir desconfiança, não deixa de ser um choque!

O mesmo ocorre aqui neste caso, todos sabem que muitos dos wrestlers tomam "estímulos" para ou crescerem fisicamente, atenuar a dor física, entre tantos outros factores. Contudo, é diferente saber que isto ocorre e ver, até mesmo na ficção. Este é só na minha opinião, o principal ponto de choque na obra de Darren Aronofsky. As suas consequências começam a ser visíveis, pelo menos a nível Norte Americano, com o apertar do cerco por parte das entidades oficiais, quem abriram e aprofundaram inquéritos a uma série de pessoas ligadas à industria, entre as quais, ou melhor, à cabeça, a família McMahon. Sobre isto, tenho uma opinião muito própria, que darei mais tarde, senão, não sairia daqui hoje.

Nós, fãs de wrestling, temos de ser realista, e saber que esta modalidade não é muito bem vista junto de uma grande parte da sociedade de um modo geral. Não sei bem porquê, ou melhor, por vários factores, ente os que a acham uma tolice, já que são lutas encenadas, outros, porque o acham violento. Como já afirmei, o filme The Wrestler, traz à modalidade uma grande posição de destaque. A consequente conquista de prémios, aliado a uma exposição mediática a nível de oscares (espera-se), irá levar o wrestling para as primeiras capas dos jornais, em todo o mundo, inclusive, Portugal. A questão fica no ar, "Que consequências terá esta exposição?", sabendo de antemão, que chegam igualmente ao grande público as notícias das tragédias, com as ocorridas recentemente com Eddie Guerrero e Benoit!

Para já, antes de ver o filme por completo não consigo responder, mas mais tarde, tentarei-o fazer.
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