Ultimas

Chronicles of a Hitman #5 - Evolution


É um acto recorrente haver comparações entre passado e presente, em praticamente todos os aspectos da vida. Tudo muda (para o bem ou para o mal) e as alterações raramente passam despercebidas; no entanto, nem sempre nos apercebemos delas no imediato, demorando (por vezes) anos até verdadeiramente sentirmos a mudança. No Pro Wrestling, em geral (WWE, em particular), este "fenómeno" também se verificou. Vivem-se tempos de mudança e parece que não restará muitas opções, aos fãs, além de aceitar a "evolução natural" do wrestling e adaptar-se à nova realidade.

Olhamos para Randy Orton e vemos uma nova versão de Triple H, nos tempos dos Evolution. olhamos para John Cena e vemos um "modern day" Hulk Hogan. Olhamos para os Legacy e vemos uma (tentativa de) versão "actualizada" dos Evolution. Olhamos para Shawn Michaels e sentimos-lhe uma "aura" de Bret Hart, por aquilo que ele representa hoje em dia. Olhamos para Batista e vemos uma versão "remastered" de Goldberg. Tudo semelhanças que poderiam despertar o interesse dos fãs (principalmente, os mais novos), mas que tem tido o efeito contrário. O legado que a WWE deixou a esta nova geração é muito "pesado", sem qualquer dúvida - mas será correcta a forma como a empresa tem tentado "romper" com este passado e estabelecer uma nova era? A comercialização do wrestling obriga a certas mudanças, mas não é com DVD's a contar as histórias que marcaram a companhia que a WWE consegue manter a "chama" dos seus adeptos mais "antigos" viva. A constante comparação com a WWE de há 10, 15 anos atrás unida à faceta mais virada para o marketing falha por uma simples razão: a contextualização das "caras" da companhia.

Triple H e os Evolution, quando surgiram, eram realmente necessários para o "quotidiano" da WWE seguir em frente; foram, durante bastante tempo, a stable dominante da companhia, quase sempre nas suas "main storylines", a maioria das vezes com "alvos" diferentes, pelos mais diversos motivos. Exigia o comportamento que a stable apresentava, exigia a irreverência das suas acções e a brutalidade que os seus combates (frequentemente) apresentavam. Randy Orton e os Legacy são-nos apresentados como podendo seguir as pisadas dos Evolution, apenas com um ou dois "pontos contra": a "concorrência" de Orton é sempre a mesma (John Cena, Triple H e pouco mais) e os seus métodos não têm nem metade do impacto dos dos Evolution. Uma storyline envolvendo aquela afronta à família McMahon (com os Evolution "metidos ao barulho") terminaria no equivalente a um "ECW Rules/Hell in a Cell Match" - armas, violência, sangue e sem limites. A visão actual de Vince McMahon não me parece compatível (pelo menos, não na totalidade) com a sustentação desta stable, nos moldes em que ela nos tem sido apresentada.

Pegando no caso de John Cena, é verdade que teríamos de ter uma figura "de proa", alguém capaz de "levar a WWE às costas" - John Cena parecia ser a pessoa indicada, e tem desempenhado bem o seu papel. No entanto, deparamo-nos, de há uns anos a esta parte, com a WWE a ter de apostar/"refinar" o aspecto mais técnico de Cena, devido à inesperada (ou não) perda de "fulgor" que a sua personagem foi tendo aos olhos dos fãs. Algo que Hulk Hogan nunca teve de fazer. Sim, parece ridículo comparar o "fenómeno Cena" com a "Hulkamania", mas são conceitos muito semelhantes, em termos de impatco. O problema foi John Cena aparecer numa altura em que a "Hulkmania" ainda estava "viva" e "atirado" a uma audiência cada vez mais consciente de como funcionam os bastidores do wrestling; a ideia de que os wrestlers realmente resolviam os seus problemas dentro "ring" e que conseguiam derrotar todos os seus adversários baseando-se na nobreza das suas intenções é, cada vez mais, inexistente, estando apenas presente nas mentes dos fãs das faixas etárias mais baixas.

Também Batista entra nesta minha "lista" por comparação com um nome do passado - Goldberg. A força invencível da WCW tornou-se um quase-banal "powerhouse", ao chegar à WWE; claro que teve o seu período de domínio na companhia, cruzando o caminho dos Evolution, mas o rumo que foi dado ao "mito" de Goldberg, aliado aos seus "tiques de estrela", aceleraram a sua queda. Batista parecia, a certo ponto, seguir o mesmo caminho; "enforcer" dos Evolution, arrasando (praticamente) tudo que surgia no caminho de Triple H, parte para a carreira "a solo" como uma verdadeira força da natureza. Algumas derrotas frente ao seu mentor não aliviaram o ímpeto que a personagem levava e ele foi capaz de o manter durante bastante tempo. Mas, recentemente, temos visto o "Animal" a contas com várias lesões e (por vezes) com atitudes que lembram as de Goldberg, no "backstage". Suspensões, lesões encenadas, ausências inexplicadas... Todos os wrestlers têm "esqueletos no armário", mas as comparações entre estes dois continuam a ser feitas pelos seus percursos "off-ring" semelhantes.

Não é uma estratégia errada tentar "esquecer" o passado da companhia, até por uma questão de renovar a própria identidade; no entanto, ainda são notórias as semelhanças com algumas ideias/conceitos anteriormente utilizados e para os quais a WWE não tem tido "capacidade de resposta", fruto das suas novas políticas e abordagem de mercado.

- Vash


Enter Sandman - Metallica
Com tecnologia do Blogger.