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Chronicles of a Hitman #8 - State of affairs



"Quem é que evoluiu mais, desde que eu saí?". Nas palavras de Chris Jericho, foi esta pergunta que Shawn Michaels deixou no ar, aquando do seu regresso - e, na minha opinião, a resposta obtida reflecte o estado não só da RAW, mas da WWE em geral. Se é verdade que a SmackDown não se encontra mal servida de novos talentos (Dolph Ziggler, John Morrison...), capazes de assegurar o futuro da companhia quase "de olhos vendados", a verdade é que já não são assim tantos os wrestlers que se enquadram neste grupo; num momento de maior aperto, Vince McMahon manda deslocar para a sua "brand" favorita (RAW) os talentos das restantes e o desiquilíbrio qualitativo continuará, só que noutro lado. Os tempos mudam, a realidade social evolui e tem ficado um pouco a sensação de a WWE não acompanhar essa evolução. A época em que se pegava num "thug" qualquer e se conseguia fazer dele uma super-estrela do wrestling já passou, há muito.

À semelhança dos clubes de futebol, a WWE sempre teve tradição na formação de talentos - primeiro, com os territórios independentes de formação (OVW, a antiga FCW ou a UPW), companhis regionais que apenas mantinham um protocolo com a WWE (um bocado na linha dos clubes-satélite, que existiram há uns anos), e, posteriormente, com a gestão do seu próprio território de desenvolvimento de novos talentos (a actual FCW). Quem vê isto, obviamente, dirá que a renovação do "roster" deve começar, precisamente, neste ponto - curiosamente, parece ser exactamente aqui que começa o problema existente, actualmente. Transmissão televisiva, promoção do roster existente, apoio por parte dos "trainers" da companhia-mãe... Características essenciais para fazerem este projecto resultar em pleno, sem dúvida; no entanto, as constantes transições de wrestlers entre a FCW e a WWE (ECW, em particular) têm trazido uma série de efeitos negativos, para ambas as partes. Os wrestlers são chamados com a expectativa de serem aproveitados, mesmo que com menor "expressão", na ECW, e acabam "recambiados" para o local de onde vieram, por quem os "promover" achar que não são suficientemente bons (acaba por ser curioso esta mudança de ideias ocorrer no espaço de poucas semanas...) ou por tentarem arranjar uma gimmick que não se adapta a si (aproveitar a que tinham na FCW, mesmo que não entre nos seus padrões de "comercialização", seria a forma mais segura de "estrear" um wrestler - mas é só a minha opinião). Como se isto não bastasse por si só, estas mudanças causam mudanças drásticas no planeamento da FCW, obrigando a promoção de wrestlers que não estavam apontados para o serem (provavelmente, por também não estarem preparados para tal), apenas para preencher a vaga deixada pelos que partem - e quando esses regressam? Bem, dá-se nova reestruturação, com uma elevadíssima probabilidade de "cortarem as pernas" a quem acaba de receber um "push", por força das circunstâncias; ninguém quer ver os campeões/"upper carders" que acabam de regressar a ter de fazer todo o seu percurso, no território de desenvolvimento, a partir do zero novamente, certo?

Outra observação de Chris Jericho que é, de certa forma, explícito para o estado da situação da WWE é quando ele se refere a The Miz e Dolph Ziggler, dizendo "Sim, iria sem dúvida ajudá-los, mas a mim não. Estamos a tentar dar vida aos títulos de tag team, assim como ao Big Show". Ou seja, daqui se concluiu que a prioridade da WWE, à semelhança da TNA, ainda é apostar (talvez excessivamente) na "velha guarda", para credibilizar a companhia. Antigamente, um wrestler ganhava o seu "espaço" derrotando alguém com mais "peso", com uma carreira respeitável e com estatuto, em combates por títulos - recebendo, assim, o "push" para estabilizar a sua carreira e continuar a dar alguma credibilidade ao título, na sequência dessa mesma estabilização. Esta aposta, a exemplo de tantas outras, revela apenas uma coisa: a WWE não está disposta a apostar em novos talentos - pelo menos, não para já. A "fórmula mágica" dos "rookies" com físicos invejavéis, capazes de interpretar o papel de "força imparável da Natureza", já deixou de funcionar há anos; o último caso de sucesso brutal foi, provavelmente, Batista (Bobby Lashley acabou por chegar apenas ao "sucesso relativo"). O público evoluiu e os jovens que mais encantam as multidões são os que causam impacto pela espetacularidade dos seus movimentos. Coincidência ou não, é precisamente esse estereótipo que não atrai a WWE, recentemente. CM Punk e Jeff Hardy (que, aparentemente, está de saída...) surgem um bocado contra essa "corrente", mas poucos exemplos se lhes seguem; Morrison tarda em afirmar-se como um valor seguro no "main eventing", Kofi Kingston acabou por se ficar pelo Intercontinental/United States Championship só para não parecer mal nunca ser campeão, Mr. Kennedy acabou despedido, com o United States Championship como "cartão de visita" na WWE, e MVP continua perdido no "limbo". Campeões mais frequentes? Batista (uma autêntica besta, fisicamente), Randy Orton (provavelmente, o mais credível que de todos - mas também não é propriamente uma "presença" que passe despercebida, junto do "cidadão comum"), Triple H (talvez o expoente máximo da "velha guarda" da WWE, a seguir a Undertaker), John Cena (o último exemplo de "thug"-promovido-a-"superstar"-mundial da companhia) e Edge (o outro "salvador da honra" da empresa de McMahon, mas que não veremos até ao próximo ano, em princípio).

Tudo isto só poderia culminar no descontentamento de Vince McMahon - e, para variar, ele tem alguma razão em estar preocupado. A nova vaga de novos talentos tarde em surgir ou surge de forma "deficiente", muito por culpa do seu departamento criativo. Daí a "apenas" alguma razão que atribuo a Vince; é que, como se diz na gíria, ele tem "a faca e o queijo na mão". Em última análise, os "criativos" da WWE só têm um desempenho miserável se Vince permitir que o tenham. Não assistimos a nenhum esboço de uma reacção, seuqer, por parte do "chairman", que prefere descarregar as suas frustrações em tudo e todos, ao invés de procurar solução para o problema que tem em mãos. A renovação na companhia talvez se deva operar a nível do pessoal responsável pela programação/estruturação do "produto", e não a nível dos seus intervenientes directos.

- Vash


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