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Chronicles of a Hitman #9 - The Show Goes On



Chegou ao fim um ciclo, na WWE. Foram 8 anos, no total, passados ao serviço de Vince McMahon, com um interregno de 3 anos entre a primeira e a segunda passagem pela companhia. Agora, tudo parece mais do que definitivo - após tantos avanços e recuos, Jeff Hardy abandona a WWE. Como tantos outros, teve o seu início na divisão de tag team (com um sucesso considerável, diga-se) e a passagem à carreira "a solo" não correu como o esperado, apesar de um considerável número de títulos (ainda que secundários), para a época. A juntar a isto, os seus problemas extra-wrestling levaram-no à sua saída, em 2003, a partir do qual começaria o seu período de "recuperação", atingido na TNA. Chegava o ano de 2006 e Vince McMahon parecia disposto a dar mais uma oportunidade ao mais jovem dos irmãos Hardy. O que seria de esperar deste regresso, sabendo o delicado período que a WWE atravessava, no que ao uso de estupefacientes dizia respeito, e do passado de Jeff, neste aspecto? O risco era elevado, muito por "culpa" do próprio estilo de vida do "Charismatic Enigma", que se deixava guiar por impulsos próprios da vida artística e seguia os seus próprios padrões e rotinas, alheios aos "usados" pela sociedade. No entanto, o resultado dessa aposta não poderia ter sido melhor.

Talvez a WWE se tenha esquecido que não "vivia" mais há 15 anos atrás, que as "caras" da companhia tinham mudado e que os enredos/estereótipos do passado já não atraiam tanto as multidões (na maior parte dos casos). Conscientemente ou não, a WWE ignorou a "evolução" das suas audiências. Os seus fãs já não "procuravam" os guerreiros virtualmente invencíveis, com físicos saídos directamente das histórias fantásticas da Antiguidade ou com aquele sempre enigmático "dom" de sair da situação mais desvantajosa possível, sem qualquer explicação óbvia, e tornar-se vencedor. Ícones como Hulk Hogan ou Ultimate Warrior, ainda que não esquecidos, já não faziam parte do "pão nosso de cada dia" da WWE e, muito menos, das preferências dos fãs. Nem tão pouco Goldberg ou Brock Lesnar, os últimos exemplos de "produtos das massas". Os grandes "mastodontes" da indústria começam a perder o seu "charme", junto das multidões - e é aqui que entra Jeff Hardy. Com o seu estilo irreverente e "death-defying" (e, mais importante que tudo, aparentemente livre dos seus "demónios") representa a oportunidade perfeita de dar um novo impulso ao negócio; tem carisma (quem não o conhecesse facilmente passaria a conhecê-lo), tinha um passado na companhia, tinha um estilo que não se enquadrava em nada que tivesse sido visto por aquela geração e, finalmente, tinha o seu irmão lá (o "bode expiatório" perfeito para qualquer eventualidade de um "storyline" mal sucedida, tais são as possibilidades de "uso" de dois membros da mesma família, nesta indústria). A sua (até então) discreta carreira estava a ponto de sofrer uma viragem de quase 180 graus.

O Intercontinental Championship passou a fazer parte da sua "imagem" e foi só uma questão de tempo até se tornar World Heavyweight Champion e WWE Champion. A imagem de Jeff começa a render lucros, a nível de merchandising, e a WWE parece ter reconquistado os seus fãs, agora na "pessoa" de uma geração muito mais jovem que o habitual, facilmente influenciável e que "come" tudo o que lhe é "dado". No entanto, a WWE esquece-se, mais uma vez, de acompanhar a evolução dos tempos e, novamente, ignora a sua audiência - apesar de a maioria ser muitíssimo jovem, não se lembraram dos fãs que já existiam e que não a "abandonaram", provavelmente os mesmos que tinham (na sua maioria) "apresentado" os mais jovens ao mundo do wrestling.

Não que esses fossem fãs incondicionais dos "montes de músculos ambulantes" e não gostassem de Jeff pela sua pouca estampa física; o seu estilo compensava perfeitamente isso e trazia, sem dúvida, uma "lufada de ar fresco" ao que estavam habituados a ver. No entanto, esses adeptos da modalidade não se limitavam a ligar a televisão ou irem à arena e vibrarem com os golpes quase titânicos que eram "vendidos". Eles sabiam como funcionavam os bastidores, tinham feito o "trabalho de casa" nesse sentido, e o estilo de Jeff Hardy começa, para eles, a revelar sérias lacunas. Dos mais jovens ou dos mais "incultos" (no que a wrestling diz respeito), apenas os "marks" escapam à nova opinião geral sobre o wrestler, difundida (também) devido à imensa facilidade em influenciar as "novas caras" das plateias - já viram algum miúdo a ouvir a opinião um fã mais experiente, que acompanha a modalidade à mais tempo (ou seja, um "expert" na matéria, aos seus olhos), quase defendida como um dogma, e a "correr o risco" de se fazer passar por "burro" diante dos amigos, por ainda defender o seu "herói" acerrimamente? A sede por afirmação, normal nesta faixa etária, começa a vir ao de cima e a "chama" de Jeff Hardy começa a apagar-se, perante as críticas da multidão, sejam elas fundamentadas ou não. Para piorar as coisas, os seus "demónios", entretanto, parecem ter voltado, e a WWE começa a preparar a solução mais esperada - a saída de Jeff Hardy.

Como tantos outros, Jeff Hardy teve o seu período de glória às custas da rentabilidade da sua imagem, em deterimento das suas qualidades técnicas. Isto levou-o, até, a ter atingido o sucesso que o seu irmão nunca alcançou, apesar de ter sido um profissional claramente mais exemplar. Jeff conseguiu escapar à Wellness Policy por diversas vezes exactamente devido ao seu estatuto de ídolo, junto dos fãs; já toda a gente tinha percebido que os despedimentos de Umaga e Mr. Kennedy não iriam abrir nenhum precedente neste campo. Agora que parte para a sua segunda "folga" do wrestling (e da WWE), muitos se perguntam se Hardy regressará aos rings e, se o fizer, se será debaixo da "bandeira" da WWE. Uma coisa é certa: com esta saída da companhia e com os seus reinados de campeão mundial a terem-se desenvolvido da maneira que o fizeram, Jeff Hardy deixa a imagem de não ter passado de um "15-minute idol", de alguém que será lembrado no futuro mas de uma forma bastante vaga e pouco significativa.

Vash



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