Chronicles of a Hitman #11 - And there goes the magic...


Desde há uns anos para cá que temos tido um decréscimo na qualidade dos Hell In A Cell - e já antes da chamada "Kids Era" ter surgido. Cenas como Mankind a ser arremessado do topo da Cell (pelas mãos do Undertaker) ou a sofrer um Pedigree em cima de um monte de pioneses (pelo "The Game", Triple H) jamais serão repetidas; foram, de facto, imagens violentas, que ficaram (e ficarão) na memória de quem a elas assistiu - mas, ao mesmo tempo, eram essas mesmas imagens que representavam a "magia" e o ambiente em torno destes combates. No último a que assisti, Edge contra Undertaker, a multidão vibrou quando viu a Cell a ter uma das suas paredes arrombadas por um Spear de Edge, algo que ia contra o que já tinham visto até então; chegou-se a pensar que a "magia" estaria de volta, mas, como a "storyline" assim o exigia, Edge foi tirar umas férias aos confins "do inferno" e Undertaker voltou ao seu característico "repouso", que costuma fazer durante a maior parte do ano. No entanto, o combate permaneceu na memória, apesar de não ter sido nada de espectacular, quando comparado a outros do mesmo tipo. O que se espera destes combates, então? Apesar de tudo, não se pode dizer que haja um "especialista" em Hell In A Cell; há, sim, um tipo de personagem que se "enquadra" melhor neste tipo de combate - o que levanta um novo problema.
Undertaker é o nome que surge no topo desta lista, sem qualquer dúvida. O "Deadman", com a sua "gimmick" impiedosa e sem remorsos, assenta que nem uma luva num combate dentro daquela estrutura e já tem um enorme passado neste tipo de confrontos - então, quem poderia a WWE arranjar para o derrotar? Nomes para proporcionarem um excelente espectáculo não faltam, mas para criarem alguma indefinição quanto ao desfecho final... Isso já é outra história. Portanto, um combate com Undertaker numa Cell tem, logo à partida, um vencedor anunciado. Outro nome que surge no topo da lista é Triple H. O "Cerebral Assassin" (acompanhado do mítico "sledgehammer") proporcionou autênticas reproduções de violência e brutalidade e seria uma boa aposta para este pay-per-view, sem a mínima dúvida. No entanto, no decorrer deste ano, ele tem estado na senda do WWE Championship, contra os mesmos adversários (John Cena e Randy Orton), em geral. Um novo confronto com eles acabaria por se tornar "mais do mesmo", além da faceta mais "pacífica" que o "The Game" tem apresentado e da política "anti-violência" da companhia. Outros nomes a apontar seriam Edge ou Shawn Michaels, mas o primeiro encontra-se "encostado" até perto do "Royal Rumble" e o segundo (mesmo que criem a "mística" de ter sido o vencedor do primeiro Hell In A Cell de sempre - ainda que às custas da estreia de Kane - e que é talhado para os grandes combates) já não tem a capacidade física que tinha há uns anos, muito menos para um combate onde "brutalidade" e "violência extrema" são as "palavras de ordem".
Mas porque falo eu no "Hell In A Cell" em vez de o fazer em relação ao "TLC", o pay-per-view que mencionei logo no príncipio? Simples: ambos constituem o mesmo problema para a WWE. Banalização de um conceito de combate que se quer único (ou, pelo menos, mais específico ao desenrolar de uma "storyline" - anunciar um pay-per-view destes pressupõe que já se sabe como será o desfecho das "feuds" nele envolvidas), incompatibilidade com a actual política de conteúdos da WWE e falta de recursos humanos "credíveis" para nele participarem. Mas a verdade também é que a WWE nos tem surpreendido com o que menos esperamos e, apesar de todas as previsões apontarem para um falhanço (quase) total destes conceitos de pay-per-view, a verdade é que continua a haver sempre aquela "ponta" de dúvida acerca do que nos será apresentado. Esperemos que, mais uma vez, haja esse "factor surpresa" que a WWE (por "milagre" ou não) consiga superar esta barreira do "preconceito" que temos levantado, em relação a esta temática.
Vash
Prepare For War - DragonForce