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MMA: UFC 152: Jones vs. Belfort - Antevisão + Pesagens


Após um grande período sem MMA que coincidiu com o cancelamento do UFC 151, o UFC volta hoje aos shows com o UFC 152 que acontece em Toronto no Air Canada Centre e cuja luta principal tem um dos lutadores que gerou o tumulto do UFC 151. O campeão dos meio-pesados Jon Jones fará a sua quarta defesa de cinturão contra mais um antigo dono do título, Vitor Belfort, que recebeu de presente a oportunidade depois de anos lutando como peso médio....

Se uma disputa de cinturão sempre é bom, duas é óptimo. Principalmente se for o caso de revelar o primeiro campeão peso mosca da história do UFC. Joseph Benavidez e Demetrious Johnson se enfrentarão para decidir o mini-GP que começou em Fevereiro.

Outra disputa interessante ficará por conta dos pesos médios Michael Bisping e Brian Stann, que nutrem esperanças de se aproximar do título de Anderson Silva. O UFC 152 ainda reserva o retorno de Matt Hamill, que desistiu da aposentação e enfrentará o estreante canadiano Roger Hollett. Abrindo a porção principal do evento, Charles do Bronx’s tentará subir mais um degrau na divisão dos penas, desta vez contra o americano Cub Swanson.

No que toca ao card preliminar, este é diverso e com atletas de vários países. O card apresenta atletas norte-americanos, canadianos, europeus, um brasileiro e um australiano, espalhados em sete combates de cinco divisões de peso diferentes.

Em ordem decrescente de peso, a divisão meio-pesado tem o regresso do brasileiro vice-campeão do The Ultimate Fighter 8, Vinny Magalhães, que enfrenta o difícil croata Igor Pokrajac. Entre os meio-médios, três duelos: o canadiano Sean Pierson e o americano Lance Benoist lutam em busca de reconhecimento na divisão; o australiano Kyle Noke desce dos médios para buscar a recuperação contra Charlie Brenneman, também vindo de derrota, em luta que abre a noite; e com três vitórias seguidas após voltar ao evento, Seth Baczynski enfrenta o norueguês Simon Thoresen.

Em luta que promete movimentação intensa, o canadiano TJ Grant precisará muito do apoio do seu público contra o óptimo Evan Dunham pela divisão dos leves. O talentoso prospecto do peso-pena Jimy Hettes terá mais um teste contra o ex-integrante do TUF 14 Marcus Brimage, enquanto os galos Mitch Gagnon e Walel Watson vão travar um duelo entre bons grapplers que chegam a este evento após derrotas em suas respectivas últimas lutas.

O card completo do UFC 152 é o seguinte:

CARD PRINCIPAL

Peso-meio-pesado (até 93kg): Jon Jones x Vitor Belfort
Peso-mosca (até 56,7kg): Joseph Benavidez x Demetrious Johnson
Peso-médio (até 84,4kg*): Michael Bisping x Brian Stann
Peso-meio-pesado (até 93,4kg*): Matt Hamill x Roger Hollett
Peso-pena (até 66,2kg*): Cub Swanson x Charles do Bronx

CARD PRELIMINAR

Peso-meio-pesado (até 93.4kg*): Igor Pokrajac x Vinny Magalhães
Peso-leve (até 70,8kg*): T.J. Grant x Evan Dunham
Peso-meio-médio (até 77,6kg*): Sean Pierson x Lance Benoist
Peso-pena (até 66,2kg*): Jimy Hettes x Marcus Brimage
Peso-meio-médio (até 77,6kg*): Seth Baczynski x Simeon Thoresen
Peso-galo (até 61,7kg*): Mitch Gagnon x Walel Watson
Peso-meio-médio (até 77,6kg*): Kyle Noke x Charlie Brenneman

------------------------------------------- Countdown -------------------------------------------





-------------------------------------------Antevisão -------------------------------------------

Card Preliminar

Igor Pokrajac (CRO) vs Vinícius Magalhães (BRA)

Wrestler de origem e com certo conhecimento de jiu-jítsu, o croata Igor Pokrajac apaga tudo isso da sua memória ao pisar no octógono. O atleta eslavo curte mesmo é sair para a boa e velha pancadaria desenfreada. Após um início claudicante pelo UFC, quando acumulou três derrotas e uma única vitória sobre o decadente James Irvin, Igor já emenda três triunfos consecutivos, todos eles banhados em sangue, toque especial do tempero de suas lutas.

Após fazer com que Todd Brown desistisse de voltar para o segundo round e preferisse o conforto do banquinho, o croata demoliu o polonês Krzysztof Soszynski em 35 segundos e fez uma luta espectacular, com o pau comendo doído por três rounds alucinantes, contra o brasileiro Fabio Maldonado, deixando Dana White extasiado e levando a luta em decisão muito difícil. O experiente pupilo de Mirko Cro Cop, dono de cartel de 25-8, com seu boxe afiado, combinando com duras joelhadas e chutes, quer manter a boa fase e emendar a quarta vitória seguida.

Vinny “Pezão” Magalhães é mais um brasileiro no caminho de Pokrajac no UFC, porém de estilo absolutamente oposto de seus últimos adversários. Faixa preta segundo dan de jiu-jitsu de Royler Gracie, campeão mundial de jiu-jitsu sem quimono e de submission, Vinny é um grappler de elite, com sete de suas nove vitórias vindas através de submissões. Chegou ao UFC através do TUF 8, quando venceu três adversários, incluindo Soszynski, até perder a final, quando foi nocauteado por Ryan Bader ainda no round inicial.

Após mais uma derrota para Eliot Marshall, foi dispensado pela Zuffa e reconstruiu a carreira, rumando para a equipe Xtreme Couture, conquistando sete vitórias em oito lutas e o cinturão meio-pesado do M-1 Global. O desempenho valeu uma nova chance no evento americano, onde Vinny poderá comprovar se realmente evoluiu na trocação – sua última vitória foi um nocaute com um lindo chute na cabeça sobre Mikhail Zayats – ou se isso foi apenas resultado de confrontos contra adversários mais frágeis.

Neste combate repete-se o velho duelo de estilos, com Pokrajac buscando o combate em pé e na distância e Pezão tentando encurtar e levar a luta para o solo. Sem descartar as chances do brasileiro, o mais provável é que Igor consiga um nocaute ou, pelo menos, conquiste a vitória por decisão.

TJ Grant (CAN) vs Evan Dunham (EUA)

TJ Grant iniciou a carreira em eventos canadianos de MMA até ser chamado para a edição 97 do UFC, realizado também no Canadá. Venceu o famoso mas decadente Ryo Chonnan na estreia e foi derrotado em seguida por outro asiático, Dong Hyun Kim, no UFC 100. Continuou alternando vitórias sobre adversários fracos com derrotas para os mais duros, como Johny Hendricks e Ricardo Cachorrão, até decidir que poderia aproveitar melhor sua altura (1,80m) lutando como peso leve. Na nova divisão, Grant já acumula duas vitórias sobre Shane Roller (em polémica interrupção de Fernando Yamazaki, irmão menos famoso de Mario) e Carlo Prater.

Seu estilo se baseia na luta agarrada, sendo um especialista em clinch, quedas e submissões. Na luta em pé, sua maior qualidade é a resistência, tanto cardiorrespiratória quanto às pancadas – jamais foi nocauteado em 23 lutas profissionais.

Evan Dunham esteve muito próximo da elite da divisão dos leves e era apontado por muita gente como um provável desafiante ao cinturão em um médio prazo. Após quatro vitórias consecutivas no UFC, incluindo nomes como Tyson Griffin, Effrain Escudero e Marcus Aurélio, Dunham teve uma vitória roubada na mão grande derrota muito contestada para o ex-campeão Sean Sherk no UFC 119. A organização meio que ignorou este resultado, escalando Dunham contra o também ascendente (na época) Melvin Guillard na luta principal do UFC Fight Night 23. Uma derrota dolorosa, relâmpago e até certo ponto constrangedora mandou Dunham para o fim da fila da categoria mais equilibrada do UFC.

Algumas contusões fizeram com que Evan lutasse apenas duas vezes nos últimos vinte meses, com vitórias tranquilas sobre Shamar Bailey e Nik Lentz. Com boa técnica de trocação e luta olímpica, o lutador tem sua maior força em um jiu-jítsu eficiente, ofensivo e ainda muito empolgante, com tentativas intensas de submissões, que lhe renderam seis vitórias. Ele ainda acumula três nocautes e quatro vitórias por decisão, em seu cartel de 13-2.

Dunham é muito mais técnico que Grant em todos os aspectos do jogo. A saída para o canadiano, além de um petardo quase que aleatório na luta em pé, seria amarrar a luta, caindo por cima e controlando o adversário, mas ainda assim corre o risco de ser submetido pelo americano, que deve levar a vitória com certa tranquilidade na leitura das papeletas dos juízes.

Sean Pierson (CAN) vs Lance Benoist (EUA)

Sean Pierson é mais um atleta da casa que terá uma missão espinhosa pela frente. Veterano de eventos canadianos, “The Punisher” enfrentou em sua terra natal Steve Vigneault, John Alessio e Jesse Bongfeldt, todos com passagens futuras no UFC. Pierson foi um atleta universitário de luta olímpica e, apesar de levar esta experiência para o MMA, acostumou-se a lutar em pé, com estilo mais baseado no boxe. Sempre enfrentou adversários duros no UFC e possui cartel decente de 2-2, tendo vencido Matt Riddle e Jake Hecht e perdido para Dong Hyun Kim e Jake Ellenberger.

Abusando do clichezão, teremos um “choque de gerações” neste combate, pois o escalado para enfrentar Pierson (36 anos) é o jovem Lance Benoist, de 24 anos, talentoso grappler, arisco e persistente na luta de solo, que também tem a experiência de conquistar um título do prestigiado torneio de boxe Golden Gloves, em 2009, na divisão para iniciantes. Adora um triângulo e fez sucesso no MMA amador com este tipo de finalização. Segundo o próprio Benoist, em 17 vitórias amadoras, apenas uma luta passou do primeiro round. No MMA profissional, ele acumula seis vitórias (apenas Matt Riddle passou do round inicial, na “luta da noite” do UFN 25, sua estreia no UFC) e uma derrota em sua última luta para Seth Baczynski, em decisão difícil para os juízes.

A torcida vai apoiar Pierson, que ele está em boa fase de sua carreira irregular. Porém, o lutador da casa precisará se superar para vencer Benoist, que possui mais talento e mais ferramentas para decidir a luta. A aposta é em uma finalização do americano ainda no round inicial.

Jim Hettes (EUA) vs Marcus Brimage (EUA)

Jimy “The Kid” Hettes é uma das apostas para o futuro na divisão dos penas. Técnico, inteligente e versátil, baseia seu jogo mesclando judo com jiu-jítsu, com vasto repertório de quedas e submissões que já vitimaram nove de seus dez adversários até hoje. Sua única vitória na decisão em seu cartel invicto aconteceu na última luta, quando derrotou o experiente Nam Phan. Após sofrer uma contusão que o tirou da luta contra Steven Siler, Hettes volta ao octógono contra um ex-companheiro de Siler no reality show do UFC. Aliás, é curioso que será o terceiro adversário de Hettes no UFC e o terceiro que participou do TUF, assim como Alex Caceres (finalizado na estreia de Jimy no octógono) e Nam Phan.

Marcus Brimage passou pela casa do TUF 14 prometendo pancadaria desenfreada. Entretanto, após vencer a selectiva, foi dominado por dois rounds por Bryan Caraway e deixou o programa. No dia da final da atracção, Brimage se recuperou e derrotou Stephen Bass. Para o próximo passo, foi escalado para enfrentar o venezuelano Maximo Blanco e os dois atletas fizeram a pior luta do evento. Para piorar, ainda tentaram enganar a torcida dando saltos mortais ao fim do combate (que Marcus venceu mais uma vez na decisão dos juízes). Com duas vitórias seguidas, mas nenhuma delas convincente, este striker forte (e muito baixo) mais uma vez afirma que vai sair na mão e se redimir das apresentações anteriores.

Jimy Hettes é o favorito para este combate e, se pretende mesmo alcançar a elite da divisão, é sua obrigação derrotar o limitado adversário.

Seth Baczynski (EUA) vs Simeon Thoresen (NOR)

Seth Bacsynski é um atleta que participou do TUF 11, quando perdeu na primeira eliminatória, voltou substituindo um companheiro contundido e foi desqualificado ao acertar um tiro de meta (!?) em duelo contra o seu (muy) amigo Brad Tavares. No dia da final, perdeu novamente para Tavares, dessa vez na decisão dividida dos juízes, e foi “convidado a se retirar” do UFC. Após duas lutas em eventos menores, foi chamado para substituir DaMarques Johnson no UFC Fight Night 25 e aproveitou a chance, submetendo Clay Harvison e emendando duas óptimas vitórias contra Matt Brown e Lance Benoist. Com três vitórias consecutivas no UFC e cinco no MMA é até de se estranhar a posição baixa de sua luta no card. Seu cartel como profissional é de 16-6, com dez submissões e cinco nocautes. Tem a base no jiu-jitsu e boxe e treina luta olímpica com as feras Ryan Bader e Aaron Simpson.

O adversário do “Polish Pistola” será o norueguês Simeon Thoresen, atleta experiente, com passagem pelo japonês DEEP e pelos ingleses BAMMA e UWC (do qual saiu como campeão). Thoresen iniciou no MMA após praticar jiu-jítsu desde a infância e faz da arte suave a sua arma mais perigosa. Acrescentou uma base de muay thai, que utiliza mais para se defender e não passar muitos apuros, mas busca sempre que pode a luta agarrada e o trabalho de solo. Não por acaso seu cartel de 17-2-1 inclui quinze vitórias por submissão, inclusive a última, quando estreou no UFC contra Besam Yousef, pegando o sueco em um justo mata-leão no segundo round.

Baczynski é mais experiente e está em óptima forma, com vitórias em lutas que era considerado azarão. Mas ainda não é um atleta que inspire confiança e Thoresen é um adversário traiçoeiro. Duelo equilibrado e um palpite de risco é que o americano leve por nocaute.

Mitch Gagnon (CAN) vs Walel Watson (EUA)

Mitch Gagnon estreou no UFC 149 cercado de expectativas, como uma esperança canadiano na divisão dos galos devido ao óptimo retrospecto em eventos locais, onde construiu cartel de 8-1, com todas as vitórias por finalização, sete delas no round inicial. Porém, levou uma ducha de água fria na estreia contra Bryan Caraway, que o pegou em um mata-leão no terceiro round. Como consolo, os dois atletas dividiram o bónus de luta da noite.

Walel Watson justifica o seu estranho apelido de “Gazela” pela magreza (bate 61kg mesmo medindo 1,80m) e também é um atleta que se sai melhor na luta agarrada que na trocação, apesar de não ser fraco na luta em pé. Após nocautear rapidamente Joseph Sandoval na estreia no UFC, sofreu duas derrotas seguidas por decisão: contra o “Negueba” Yves Jabouin e contra o vice-campeão do TUF 14 TJ Dillashaw.

Para Watson, o melhor deve ser tentar a trocação, ponto onde tem mais experiência que o canadiano. Já este último terá vantagem caso leve o duelo para o solo. Nesta luta, que deve ser muito equilibrada, o palpite é que Gagnon submeterá Watson, o que pode levar o americano a perder seu lugar no plantel da organização.

Kyle Noke (AUS) vs Charlie Brenneman (EUA)

Kyle Noke fez parte do elenco de pesos médios do TUF 11, quando venceu duas lutas mas sucumbiu na fase de quartas-de-final em uma derrota por decisão para Kris McCray, que acabou vice-campeão. No evento final da temporada, conquistou um lugar no UFC ao nocautear Josh Bryant. Emendou duas vitórias por mata-leão contra Rob Kimmons e Chris Camozzi, esta última em sua Austrália natal, num momento mágico na carreira, quando levou o bónus de submissão da noite. Em seguida, sofreu com uma chave de calcanhar imposta por Ed Herman e, voltando ao seu país, perdeu na decisão para Andrew Craig, o que acarretou em sua decisão de descer para meio-médio.

Noke é versado em todas as áreas do jogo, não tendo nenhum ponto fraco gritante, mas se sai melhor na luta agarrada. Actualmente treina com Greg Jackson em Albuquerque, com parceiros importantes como Jon Jones, Carlos Condit e Andrei Arlovski. Seu cartel actual é de 19-6-1, com oito vitórias por submissão e seis por nocaute.

Charlie “The Spaniard” Brenneman é oriundo da luta olímpica estilo livre e possui suas maiores qualidades justamente no ataque às pernas alheias, que efectua com muita velocidade e um tempo de queda muito bem sincronizado. Estreou no UFC sem chamar atenção após conquistar o título do Ring of Combat (e perdê-lo para John Howard). Ele tinha duas vitórias e uma derrota pela maior organização do MMA actual até ver sua luta contra TJ Grant ser cancelada a três dias do UFC on Versus 4 e receber a notícia que ficaria sem lutar. Mas, todos os problemas que terminaram com a demissão de Nate Marquadt o fizeram aceitar um confronto contra Rick Story, um dos mais ascendentes meio-médios na época, na véspera da luta. Com uma actuação excelente, Charlie dominou Story no momento mais importante de sua carreira.

O choque de realidade veio de maneira violenta na luta seguinte, com uma canelada monstruosa de Anthony Johnson que mandou Brenneman para dimensões desconhecidas. Em Janeiro deste ano, voltou a vencer, contra Daniel Roberts, mas Erick Silva relembrou (com uma pequena surra, seguida de mata-leão) que Charlie é pequeno demais para a divisão e que não deverá sair do pelotão secundário dos meio-médios.

Os dois lutadores têm qualidades e problemas. Apesar da desvantagem no tamanho e provavelmente no peso, Charlie é um lutador mais regular, mais confiável e deve levar o duelo na decisão.

 Card Principal

Jon Jones (EUA) vs Vitor Belfort (BRA)

Começando na luta em que tomou o cinturão de Maurício Shogun, em Março de 2011, Jones foi submetido talvez à mais impiedosa sequência de adversários que o UFC tem notícia. Foram quatro ex-campeões, nomes frequentes nos rankings top 10 peso por peso. Depois de Shogun (UFC 128) foi a vez de Quinton Jackson (UFC 135). Em seguida, Lyoto Machida (UFC 140). Por último, Rashad Evans (UFC 145). Todos guardam uma semelhança, além de terem conquistado o título do UFC: foram batidos pelo jovem fenómeno com impensada facilidade.

Aos 25 anos, dono de cinturão mais jovem da história do UFC, Jonny Bones é o líder da nova geração de lutadores completos e talentosos que serão responsáveis por levar o MMA ao próximo nível no processo evolutivo. Com origem na luta olímpica greco-romana, modalidade que conquistou o título nacional universitário na NJCAA em 2006 e de onde tira suas quase indefensáveis quedas cinturadas e suplex, Jones tornou-se um virtuoso da luta. Aproveitou a maior envergadura da história do UFC (2,15m para 1,94m de altura) e desenvolveu um muay thai eficientíssimo, cheio de socos rodados e joelhadas, que lhe possibilita tanto controlar a distância quanto punir seus adversários. Na luta agarrada, é capaz de finalizar um adversário com poucos recursos no jiu-jitsu como Rampage e Ryan Bader ou um faixa preta talentoso como Machida.

E as cotoveladas? Ah, as cotoveladas… Bones levou esta ferramenta a um novo nível. Seus braços gigantes tornam o raio de curvatura das cotoveladas quase da mesma extensão de um soco. Vários oponentes foram simplesmente dizimados com cotoveladas no ground and pound – ele só precisou de uma para abrir um rombo na testa de Lyoto, tirá-lo de órbita e finalizá-lo; Brandon Vera saiu com diversas fracturas no rosto. Para completar, o campeão inventou que pode trocar em pé com cotoveladas em linha, criando assim a combinação “jab-direto de cotovelos”, ataque que amassou a testa de Rashad em maio.

Tamanha eficiência e talento reunidos ficam expostos em seu histórico. Jonny tem cartel de 16-1 e chegou ao UFC com meses de carreira. Sua única derrota veio por desclassificação (cotoveladas ilegais, de cima para baixo) contra Matt Hamill, que precisou sair carregado do octógono. Das vitórias, apenas três foram por decisão – todas unânimes. Outros três foram finalizados e o resto acabou nocauteado, normalmente antes do terceiro round. Ele faz parte da equipe de Greg Jackson.

A espinhosa missão de enfrentar o novo fenómeno do MMA está nas mãos do primeiro dono do apelido. Com apenas 19 anos, Belfort venceu o torneio do UFC 12 e chamou atenção do mundo. Viveu uma carreira de altos e baixos, com dramas pessoais (teve a irmã sequestrada em 2004 num caso até hoje nunca esclarecido pela polícia). Há quatro anos decidiu baixar para peso médio, onde permanece (ou permanecia) até hoje. Em cinco lutas na categoria, perdeu apenas para Anderson Silva, no histórico nocaute do chute frontal no queixo no UFC 126. Finalizou Anthony Johnson em sua segunda participação em um UFC no Brasil (antes ele nocauteara Wanderlei Silva em 1998). Nocauteou Rich Franklin, Yoshihiro Akiyama, Matt Lindland e Terry Martin, sempre mostrando sua marca registrada: os punhos velozes.

Apesar de ser faixa preta do lendário mestre Carlson Gracie, foi com o boxe que Vitor ficou famoso no MMA. Relativizando os portes físicos das diversas categorias de peso, talvez não seja exagero dizer que Belfort tenha os socos em linha mais rápidos do esporte. Por influência de Lyoto, passou a treinar karatê e incorporou a base da arte oriental para confundir os oponentes.

Depois de sair da Carlson Gracie Team, Belfort nunca se firmou numa equipe. Passou pela Brazilian Top Team, Xtreme Couture e hoje é mais um dos Blackzilians em Miami. Dez anos mais velho que o adversário de sábado, Belfort deve encarar a luta com prejuízo de dez quilos, além dos dez centímetros na altura e mais de vinte na envergadura. Porém, é possível afirmar que o desafiante encontra-se na melhor fase de sua carreira, muito bem fisicamente, maduro e experiente. O Fenómeno ostenta cartel de 21-9 com 13 triunfos obtidos por nocaute, quatro por submissão, 15 no primeiro round.

* * *

Esta luta terá um aspecto táctico interessante. A principal arma de Belfort, os socos em linha executados em alta velocidade, andando para frente, podem representar o maior buraco no jogo de Jones. Por outro lado, a maior deficiência do brasileiro, o jogo de clinch, é a maior ferramenta de Jones.

O maior problema para Vitor será o mesmo dos demais adversários do campeão, a grande diferença no porte físico. Para aplicar uma combinação de socos, o desafiante terá que entrar no enorme raio de ação de Jones e encarar o olho do furacão. Ao fazer isto, dará a brecha que o americano precisa para grudar e derrubar. E quando isto acontece, não tem para onde correr (literalmente). É fim de linha. Por ser muito explosivo, o brasileiro terá basicamente um round para capitalizar. Caso o tempo passe, a vantagem de Jones ficará ainda maior.

Pode-se dizer que Jones terá condição de escolher como acabar a luta. Ou ele opta por dar emoção ao combate, levando as acções na trocação e lançando seu vasto repertório de socos, cotoveladas, chutes e joelhadas que saem de onde menos se espera, ou resolve facilitar as coisas para si, encurtando a distância, quedando e maltratando no ground and pound. Meu palpite é que acontecerá um misto das duas hipóteses e a luta terminará em nocaute técnico por interrupção por conta das cotoveladas no solo, no máximo no terceiro round.

Joseph Benavidez (EUA) vs Demetrious Johnson (EUA)

Derrotado duas vezes por Dominick Cruz no WEC, uma delas valendo o cinturão dos galos da extinta organização, Benavidez migrou para o UFC e tornou-se um “problema” para a organização. As vitórias dominantes sobre Eddie Wineland e Ian Loveland, que se seguiram à guilhotina aplicada em Wagnney Fabiano, ainda no antigo evento, deixaram-no como uma potência na divisão, porém sem mais clima para uma terceira disputa com Cruz.

A solução foi a criação da categoria dos moscas. Pequeno até para os galos, Joe-B finalmente encontrou sua casa na nova divisão. Quando o UFC divulgou os quatro participantes do torneio que definiria o primeiro campeão até 57 quilos da história da organização, todos os holofotes foram apontados para Benavidez, principal favorito. O nocaute avassalador sobre Yasuhiro Urushitani, no UFC on FX 2, apenas reforçou o pensamento.

Parceiro de treino e principal amigo de Urijah Faber, Benavidez é um produto típico da Team Alpha Male. Tem um estilo baseado no wrestling e completado com boxe e muita explosão e movimentação frenética. No solo, desenvolveu nos treinos com Fabio Pateta uma guilhotina mortal, que já serviu para finalizar até Miguel Torres, ex-campeão do WEC e faixa preta de Carlson Gracie – além de ter rendido o engraçado apelido de Joe-Jitsu. Atarracado, Joe ficou muito forte para a categoria, o que ficou comprovado com a bomba largada em Urushitani.

Oficialmente com 1,63m (na prática deve ser uns três centímetros a menos), Benavidez tem cartel de 16-2, com 3-0 no UFC. Ele conquistou metade das vitórias por submissão (quatro com guilhotina) e um quarto por nocaute.

Nos tempos de WEC, Johnson não chamou atenção de ninguém depois de perder para Brad Pickett e vencer Nick Pace e Damacio Page. Porém, tudo mudou com a incorporação ao UFC. Estreou dominando o perigoso e experiente “Kid” Yamamoto, controlou Miguel Torres e deu um tremendo calor em Dominick Cruz nos dois primeiros rounds da disputa do cinturão dos galos. Saiu do octógono derrotado, mas entrou no torneio dos moscas cheio de moral. Precisou de duas lutas para superar Ian McCall, então número um do mundo na divisão. A primeira terminou em um empate sensacional e a segunda foi dominada por Demetrious com grande actuação.

Também wrestler de origem, Johnson é ainda mais rápido e frenético no octógono do que Benavidez, dono de um jogo de pernas maiúsculo. Bom de quedas e de controlar os adversários por cima, o Super Mouse evoluiu muito na trocação, tornando-se capaz de socar em linha, movimentando-se para frente, imprimindo pressão no oponente. Foi assim que Cruz sofreu e McCall perdeu.

Pupilo de Matt “The Wizard” Hume na AMC Martial Arts, Demetrious tem 26 anos e retrospecto profissional de 15-2-1, com seis vitórias por submissão e outras seis por decisão. Ele mede 1,60m – oficialmente o lutador mais baixo do plantel do UFC – e tem dez centímetros a mais de envergadura.

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Se Benavidez e Johnson lutassem com bermudas fosforescentes, teríamos um belo efeito visual no octógono, com raios coloridos passando de lado a lado. Isto porque provavelmente veremos a luta disputada na mais alta velocidade dos últimos tempos.

Neste confronto, um buraco defensivo de Johnson pode ser explorado com autoridade por Benavidez. A taxa de defesa de quedas do Super Mouse é baixa, enquanto o oponente completa a maioria das tentativas de derrubar seus concorrentes. Principalmente nas lutas contra Cruz e McCall, Demetrious deixou exposta sua dificuldade de se defender de suplex – não foram poucas as vezes que ele voou pelo octógono.

Especialmente na última luta, Johnson mostrou que corrigiu o defeito de deixar cair muito o ritmo no final das lutas. Numa disputa de cinco rounds, contra um oponente incansável como Benavidez, isso seria suicídio. O melhor caminho para Johnson é usar bastante os chutes baixos para minar a movimentação e a forte base de Joe. Porém, o mais provável é que Benavidez controle o combate com golpes mais potentes, tornando-se campeão depois de cinco rounds extasiantes.

Michael Bisping (ING) vs Brian Stann (EUA)

Poucos notam, mas Bisping tenta percorrer um trajeto parecido com Chael Sonnen, conquistando atenção mais pela língua afiada (e chata) do que pelos resultados no octógono. Veterano de 16 lutas no UFC, o inglês jamais venceu um top 10, seja quando lutava como meio-pesado ou agora como médio. Quando encarou Rashad, Wand, Dan Henderson e o próprio Sonnen, saiu derrotado. As vitórias principais vieram contra Matt Hamill (num dos maiores assaltos dos últimos anos), Chris Leben, Jorge Rivera e Dan Miller. Quer dizer…

Apesar do retrospecto nada animador (ok, Bisping foi campeão do TUF 3. Ok, vários lutadores limitados também ganharam o reality), o britânico não é um mau lutador. Pelo contrário. Bisping é talentoso, sabe se virar em qualquer ramo, tem um kickboxing eficiente, boa defesa de quedas e muita resistência contra submissões, além de ter capacidade de resistir a pancadas, desde que não seja uma Bomba H de Hendo. O grande problema são as mãos de algodão – os útimos três nocauteados por ele o foram por estarem com meio metro de língua de fora.

O “Conde” tem 33 anos, 1,87m de altura e 1,92m de envergadura. Saiu brigado da Wolfslair Academy e mudou-se para a América, onde treina na Reign Training Center com Mark Muñoz. Ele tem cartel de 22-4, sendo 12-4 no UFC. Venceu 14 por nocaute, a maioria na primeira metade da carreira, e finalizou quatro oponentes.

Assim como Bisping, Stann também não tem nenhuma vitória sobre oponente de grande relevância. Porém, diferente do mala britânico, o “All-American” não acha que vai disputar um title eliminator. Campeão dos meio-pesados no WEC, migrou para o UFC e vem de uma sequência de 4-1, quando espancou Mike Massenzio, Jorge Santiago, Chris Leben e Alessio Sakara, mas foi feito de gato e sapato por Chael Sonnen.
Stann é a antítese perfeita de Bisping. Enquanto o europeu é um mala, o americano é um dos lutadores mais educados e boa praça do circuito. Não tem o talento técnico do inglês, nem a versatilidade. Porém, onde ele bate não nasce pelo. Faixa preta no sistema de artes marciais dos Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, o herói da guerra do Iraque tem granito nos punhos. Por outro lado, é limitadíssimo no jogo de chão, tendo conseguido a proeza de ser finalizado por Krzysztof Soszynski e ter levado um vareio constrangedor no jiu-jítsu de Sonnen.

Dois anos mais jovem que o oponente, Stann tem 1,85m de altura e uma massa muscular avantajada. Treina na Jackson’s MMA, onde evoluiu um tanto, mas não ao ponto de fechar seus buracos mais visíveis. Ele tem cartel de 12-4 e nove vitórias por nocaute.

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O UFC está com o firme propósito de testar o queixo de Bisping mais uma vez. Primeiro o escalou para enfrentar Tim Boetsch e agora o substituiu por Stann, ambos com enorme capacidade de nocautear a concorrência.

Como trocar socos e chutes com Stann pode ser um convite para a vala, a melhor saída para Bisping será apostar no jogo de quedas. Ele, que nunca foi um wrestler de primeira, sempre soube encaixar quedas oportunas. Agora, treinando com Muñoz, deve ter aprimorado este aspecto. Com muito cuidado na aproximação, entrando e saindo com frequência, Mike deve encontrar o tempo certo para deixar Stann de costas para o chão. Porém, se as defesas de quedas de Brian estiverem em dia, podemos esperar uma noite dura para Bisping, que deve conhecer sua segunda derrota por nocaute, desta vez no terceiro round.

Charles Oliveira (BRA) vs Kevin Luke Swanson (EUA)

Charles apareceu no Brasil como meio-médio. Apesar de ter vencido um GP no Predador FC (quando pesou de calça jeans e ainda assim não alcançou 77 quilos), viu que era magro demais e baixou para leve. Chegou ao UFC, venceu lutas com seu estilo empolgante, mas novamente viu-se em desvantagem física. O duro nocaute sofrido contra Donald Cerrone o fez baixar para pena. Na nova categoria, duas vitórias espectaculares (com direito a chave de panturrilha) e a impressão de, finalmente, estar no caminho certo para uma futura disputa de cinturão.

O paulista tem o típico estilo do MMA brasileiro. Faixa preta de jiu-jitsu recém graduado por Jorge Patino “Macaco”, Do Bronx’s tem ainda um vistoso, corajoso e versátil jogo de trocação baseado no muay thai. Esta combinação deixa os oponentes sempre ressabiados, já que nunca saberão quando uma joelhada voadora ou um bate-volta na grade vai surgir. Para tornar-se um lutador de elite, ele precisa apenas largar o péssimo pensamento que o jiu-jitsu permite que ele ignore o wrestling.

Ainda com 22 anos, Charles hoje é um dos pesos penas mais altos (1,78m) e com maior envergadura (1,83m) no UFC. Seu cartel de 16-2 e uma luta sem resultado (4-2 e um no contest no UFC) é recheado com nove vitórias por submissão e seis nocautes – apenas Eduardo Pachu chegou ao final. O no contest aconteceu contra Nik Lentz, que levou um passeio mas foi beneficiado por uma joelhada ilegal do brasileiro. No principal evento do mundo, Charles foi bonificado três vezes com a melhor submissão da noite e uma com a melhor luta.

Swanson ficou conhecido pelo público brasileiro de um modo triste (para ele). Ainda no WEC, ele enfrentou José Aldo, que era um prospecto em ascensão. Desavisado, o americano entrou com um double-leg assim que a luta começou. Resultado: levou uma joelhada voadora dupla no queixo, foi nocauteado em oito segundos e passou a integrar a abertura dos vídeos do MMA Brasil TV.

Como o ditado diz que a primeira impressão é a que fica, muita gente achou que Cub era um lutador ruim. Ledo engano. Depois de Aldo, Swanson sofreu com contusões mas só foi derrotado por Chad Mendes e Ricardo Lamas, dois dos principais talentos da divisão. Com um boxe de óptimo nível, ele nocauteou George Roop e Ross Pearson, mostrando os resultados dos treinos com Timothy Bradley, que venceu Manny Pacquiao há poucos meses. A bomba de direita em Roop e a movimentação que culminou no ganchinho de esquerda (e no bónus de nocaute da noite) em Pearson deixaram Cub em outro patamar.

Aos 28 anos, o americano tem cartel de 17-5, com 2-1 no UFC. Foram seis triunfos por nocaute e sete por submissão. Ele é oito centímetros mais baixo que o brasileiro e tem envergadura cinco centímetros menor. Swanson faz parte do prestigiado time de Greg Jackson.

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O Charles do começo da trajetória no UFC seria um adversário bom para Swanson. Lutando “sem medo de ser feliz”, o brasileiro acabava se expondo muito e fatalmente seria capturado por alguma armadilha do cerebral americano. Porém, a vitória de Oliveira sobre Johnathan Brookins mostrou um lutador mais calmo na trocação, sem se afobar, esperando pelo momento certo de atacar.

Mais do que nunca Charles precisará ser paciente para aproveitar sua longa envergadura para manter a luta onde lhe for mais conveniente e, assim que possível, levar o adversário para o solo a fim de finalizá-lo. Swanson deve querer trocar, usando seu jogo de pernas para atingir o oponente sem ser contragolpeado, visando uma vitória por decisão.

No que toca ao card preliminar, este é diverso e com atletas de vários países. O card apresenta atletas norte-americanos, canadianos, europeus, um brasileiro e um australiano, espalhados em sete combates de cinco divisões de peso diferentes.

Em ordem decrescente de peso, a divisão meio-pesado tem o regresso do brasileiro vice-campeão do The Ultimate Fighter 8, Vinny Magalhães, que enfrenta o difícil croata Igor Pokrajac. Entre os meio-médios, três duelos: o canadiano Sean Pierson e o americano Lance Benoist lutam em busca de reconhecimento na divisão; o australiano Kyle Noke desce dos médios para buscar a recuperação contra Charlie Brenneman, também vindo de derrota, em luta que abre a noite; e com três vitórias seguidas após voltar ao evento, Seth Baczynski enfrenta o norueguês Simon Thoresen.

Em luta que promete movimentação intensa, o canadiano TJ Grant precisará muito do apoio do seu público contra o óptimo Evan Dunham pela divisão dos leves. O talentoso prospecto do peso-pena Jimy Hettes terá mais um teste contra o ex-integrante do TUF 14 Marcus Brimage, enquanto os galos Mitch Gagnon e Walel Watson vão travar um duelo entre bons grapplers que chegam a este evento após derrotas em suas respectivas últimas lutas.

Antevisão original de MMA-Brasil e Globo.com

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 Belfort, vencedor do torneio dos pesos-pesados do UFC 12, em 1997, aos 19 anos, foi o primeiro a subir ao palco. Com uma bandeira do Brasil, o lutador carioca marcou 92,6kg. Logo depois, surgiu Jones, campeão dos meio-pesados desde março de 2011, aos 23 anos de idade. O americano foi vaiado, mas marcou 92,8kg. Os dois lutadores se cumprimentaram e mantiveram distância na encarada. Como de costume, Jones olhou para o chão, enquanto o brasileiro armou os punhos e sorriu.
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- Quero agradecer a Deus pela oportunidade. Venho lutando há muito tempo. Batalhamos demais por essa plataforma que temos. Poder lutar contra Jon Jones, que é a nova geração, é uma honra. Eu sou o velho leão, ele é o novo - disse Belfort no microfone aberto do UFC.

Jones manteve o clima de cordialidade em seu depoimento, sob vaias do público.

- Honestamente, acredito que Vitor é um dos melhores do mundo. Estou animado para vir lutar amanhã e fazer o que sempre faço - afirmou Jones.

Seth Baczynski foi o primeiro a ter dificuldades para bater o peso, entre os meio-médios. O havaiano entrou no palco com uma roupa de plástico, usada pelos lutadores para suar e perder líquido, e precisou da ajuda dos organizadores para montar uma "cabaninha" de toalhas e subir à balança pelado. Ele bateu o limite de tolerância da categoria, com 77,6kg. Em seguida, entrou o peso-pena Marcus Brimage, com um fone de ouvido acoplado a uma lente vermelha, num visual futurista. Ele não teve problemas para marcar 65,9kg, dentro do limite de sua divisão, e, na encarada, usou seu óculos para "escanear" o adversário, Jimy Hettes.

Em seu retorno ao Ultimate, o brasileiro Vinny Magalhães ficou 0,1kg abaixo do valor da categoria meio-pesado. Ao encarar o rival Igor Pokrajac, Vinny encostou a testa no rosto do adversário, que não gostou e falou alguma coisa para ele. Já o paulista Charles "Do Bronx" Oliveira falhou em duas tentativas de bater o peso da categoria pena. Do Bronx marcou 66,6kg na primeira vez que subiu a balança e, mesmo sem cueca escondido pelas toalhas, ficou com 66,4kg, 200g acima do limite de tolerância. Ele recebeu duas horas para perder o peso extra. Uma hora depois do fim da pesagem oficial, diminuiu para 66,3kg, ainda cerca de 100g acima do limite. De acordo com o Twitter do site "MMA Junkie", Do Bronx parou na terceira tentativa, mas não foi multado pelo Ultimate. Cub Swanson concordou em lutar com ele em peso combinado de 66,3kg.

A encarada entre os pesos-médios Brian Stann e Michael Bisping foi uma das melhores. O britânico Bisping chegou cheio de vontade, e o presidente do Ultimate, Dana White, colocou os braços entre os dois para impedir que uma briga começasse logo ali. Os dois encostaram testas e, empolgados, se cumprimentaram depois e trocaram provocações. Os lutadores do co-evento principal, Joseph Benavidez e Demetrious Johnson, também tiveram um momento intenso. Johnson estendeu a mão para cumprimentar o adversário antes da encarada, mas Benavidez não quis saber, chegou com punho em riste, e só o cumprimentou depois.

Eis os resultados completos da pesagem do UFC 152:

CARD PRINCIPAL

Peso-meio-pesado (até 93kg): Jon Jones (92,8kg) x Vitor Belfort (92,6kg)
Peso-mosca (até 56,7kg): Joseph Benavidez (56,4kg) x Demetrious Johnson (56,7kg)
Peso-médio (até 84,4kg*): Michael Bisping (84,2kg) x Brian Stann (84,1kg)
Peso-meio-pesado (até 93,4kg*): Matt Hamill (93,2kg) x Roger Hollett (92,3kg)
Peso-pena (até 66,2kg*): Cub Swanson (66,1kg) x Charles do Bronx (66,3kg**)

CARD PRELIMINAR

Peso-meio-pesado (até 93.4kg*): Igor Pokrajac (93kg) x Vinny Magalhães (92,9kg)
Peso-leve (até 70,8kg*): T.J. Grant (70,1kg) x Evan Dunham (70,3kg)
Peso-meio-médio (até 77,6kg*): Sean Pierson (76,8kg) x Lance Benoist (77,3kg)
Peso-pena (até 66,2kg*): Jimy Hettes (66,1kg) x Marcus Brimage (65,9kg)
Peso-meio-médio (até 77,6kg*): Seth Baczynski (77,6kg) x Simeon Thoresen (77,3kg)
Peso-galo (até 61,7kg*): Mitch Gagnon (61,2kg) x Walel Watson (61,3kg)
Peso-meio-médio (até 77,6kg*): Kyle Noke (77,3kg) x Charlie Brenneman (77,5kg)
* Em lutas sem disputa de cinturão há tolerância de 1 libra (cerca de 455g).

** Do Bronx teve três tentativas para bater o peso - em sua primeira tentativa, marcou 66,6kg, e, na segunda, 66,4kg. Ele não será multado pelo UFC e Cub Swanson concordou em lutar em peso combinado de 66,3kg.

 

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