BOXE - Pacquiao vs. Marquez IV - A história da rivalidade + Antevisão + Pesagens
Esta semana já seria sensacional para os fãs de luta apenas pelo excelente card montado para o UFC On FOX 5, que terá diversas lutas explosivas e a disputa do cinturão da categoria mais equilibrada da maior organização do MMA mundial. A noite de Sábado ficará ainda melhor com o quarto capítulo da intensa rivalidade entre o filipino Manny Pacquiao e o mexicano Juan Manuel Márquez....
O evento terá aqui transmissão ao vivo a partir das 01:00 horas do Brasil e 03:00 horas de Portugal
Eis a história detalhada da rivalidade:
Manny Pacquiao e Juan Manuel Márquez enfrentaram-se pela primeira vez no dia 8 de Maio de 2004, com arbitragem do lendário Joe Cortez. Na ocasião, Márquez era o dono dos cinturões dos penas nas versões Federação Internacional e Associação Mundial de Boxe. Já Pacquiao havia acabado de conquistar sua maior vitória até então, o nocaute técnico sobre Marco Antonio Barrera que lhe valeu o título dos penas versão The Ring.
O primeiro confronto entre ambos mostra que polémica é algo comum nesta rivalidade desde o princípio. E mostra também que a desculpa que juízes de MMA avacalham lutas porque só entendem de boxe é esfarrapada – alguns juízes tão pouco entendem de boxe.
Apesar dos pesares, a luta foi sensacional. Márquez aproveitou-se do fim da regra que dizia que três knockdowns terminam uma luta para sobreviver a uma incrível sova de Pac-Man. Recuperado do massacre inicial, o mexicano passou a pegar o tempo de ataque de Pacquiao e mostrar porque do filipino se atrapalha tanto com contragolpeadores de elite.
Eis o vídeo da primeira luta:
Após a primeira luta, cujo resultado desagradou a ambos os lutadores e equipas, um rematch teria que acontecer. Ela demorou quase quatro anos, mas finalmente foi confirmada para o dia 15 de Março de 2008, no Mandalay Bay Events Center de Las Vegas. A luta foi promovida com o sugestivo nome de “Unfinished Business” já que ambos os lutadores acharam que mereceram vencer o primeiro duelo, que acabou empatado.
Como havia se passado quase quatro anos, o segundo combate foi disputado em categoria de peso superior. O mexicano fazia sua segunda defesa do cinturão dos superpenas, versão Conselho Mundial de Boxe, título que ele havia conquistado contra seu compatriota Marco Antonio Barrera. Na ocasião, foi a quarta categoria de peso que Pacquiao disputou um título – o filipino é o grande recordista neste ponto, com cinturões mundiais conquistados em oito categorias distintas.
Assim como acontecera na primeira luta, o rematch foi um combate sensacional. E, igualmente como na luta anterior, o resultado foi polémico. Novamente Pacquiao foi agressivo, conseguiu mandar Márquez à lona, mas voltou a encontrar problemas com os contra-ataques do mexicano.
O rematch foi tão equilibrado que, num universo de 80 analistas de boxe, 33 deles deram a vitória para Márquez, 38 para Pacquiao e nove cravaram empate. Ou seja, não tem como dizer que ninguém foi roubado perante tamanho equilíbrio. Pacquiao e Márquez haviam acabado de disputar 24 rounds. O mexicano ganhou mais assaltos, mas os knockdowns aplicados pelo filipino (três na primeira luta, um na segunda) tornaram a contagem muito equilibrada.
Eis o vídeo a segunda luta:
Depois de lutarem vinte e quatro rounds sem que fosse possível chegar a um consenso sobre o vencedor, Pacquiao e Márquez tomaram caminhos distintos depois do combate de Março de 2008.
O mexicano nocauteou o cubano Joel Casamayor, que havia sido derrotado por Acelino Popó em 2002, conquistando o cinturão dos leves pela The Ring ainda em 2008. No ano seguinte, acumulou os títulos da Associação Mundial de Boxe e Organização Mundial de Boxe ao nocautear Juan Díaz, na melhor luta de 2009, e recebeu Floyd Mayweather Jr., que voltava da aposentadoria. Márquez não foi um grande desafio para o Pretty Boy, que dominou inteiramente o combate e venceu por decisão unânime.
Na sequência, Márquez voltou a bater Díaz, colocou o australiano Michael Katsidis na má fase que perdura até hoje e nocauteou em pouco mais de um minuto o colombiano ex-campeão interino Likar Ramos Concha, chegando enfim ao terceiro combate contra Pacquiao.
O filipino entrou numa das mais espectaculares sequências da história moderna do boxe. O óptimo lutador tomou aura de invencível ao espancar categoricamente nomes como Oscar De La Hoya, Ricky Hatton (que foi um nocaute assustador), Miguel Cotto e Antonio Margarito. E o mais impressionante: nesta escalada, Pacquiao subiu de superpena a médio-ligeiro, quatro categorias acima.
Sem mostrar o mesmo ímpeto assassino, Pacquiao bateu o lendário, mas veterano, Shane Mosley. As críticas aumentaram pois o filipino já havia sido burocrático contra Joshua Clottey. Sem conseguir agendar a luta contra Mayweather, lá foi Pac-Man encarar a trilogia contra Márquez.
Pela terceira vez em três confrontos, Pacquiao se atrapalhou com o estilo de Márquez. Pela terceira vez em três lutas, eles deixaram a decisão nas mãos dos juízes. Novamente houve polémica no resultado, mas esta foi ainda pior.
Eis o vídeo da terceira luta:
Diferentemente da segunda luta, não houve praticamente nenhum analista que tenha visto vitória de Pacquiao no terceiro combate. As imagens da esposa do filipino com fisionomia de desespero enquanto aguardava o anúncio do resultado oficial denunciava que nem a própria família de Pacquiao acreditava na vitória. Michael Buffer anunciou que o juiz Robert Hoyle marcara novo empate, desta vez em 114-114, a torcida pressentiu o pior. Foi só Buffer informar que Dave Moretti marcou 115-113 e Glenn Trowbridge viu 116-112, ambos a favor de Pacquiao, que a MGM Grand Garden Arena foi coberta por vaias.
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Após sair com mais uma vitória controversa contra Márquez, Pacquiao viu o feitiço virar contra si no combate seguinte. Ele encarou o americano Timothy Bradley em junho. Com uma actuação que ainda não lembrava o dínamo de 2008-2010, mas muito melhor que os últimos combates, Pac-Man aproveitou a superioridade física e fez o suficiente para vencer por pontos. Porém, na visão dos juízes, dois deram 115-113 a favor do americano, enquanto outro marcou o mesmo para Pacquiao. Sete anos de invencibilidade deitados ao lixo.
Muita gente acusou o promotor Bob Arum de ter inventado a derrota de Pacquiao para justificar uma revanche milionária, já que o combate contra Mayweather não sai. As dúvidas aumentaram quando Bradley chegou para a conferência de imprensa com um cartaz ironizando a possível data do rematch. Como marcaram o quarto confronto com Márquez, as suspeitas caíram por terra.
O cenário de 2011 e 2012 serviram para esfriar os ânimos de quem achava Pacquiao o melhor lutador do mundo peso por peso (pior ainda, havia quem achasse Pacquiao o melhor da história). O posto de número um cada vez mais repousa ao lado de Mayweather. Mas Pac-Man não pode ser menosprezado jamais. Afinal ele é o único homem que conquistou cinturões mundiais em oito categorias de peso diferentes, além de ter sido o primeiro a ser campeão linear em quatro divisões distintas.
Rápido e agressivo, Pacquiao é capaz de lançar combinações de golpes em volume elevadíssimo, socando das posições mais diferentes, o que faz a tarefa de penetrar em seu raio de acção requerer uma dose extra de coragem, algo que faltou em Mosley, Margarito e Clottey, por exemplo. Por outro lado, este instinto ofensivo acaba gerando brechas que foram muito bem exploradas por Márquez nos três combates anteriores, e que certamente voltarão a ser usados.
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Após ter a vitória sobre Pacquiao tirada pelos juízes laterais, Márquez enfrentou o ucraniano Serhiy Fedchenko. O mexicano não teve dificuldade para dominar praticamente toda a luta (os marcadores foram 119-109, 118-110 e 118-110, todos a favor de Juan Manuel) e levar para casa o cinturão interino dos superleves, versão Organização Mundial de Boxe.
Considerado um dos melhores pugilistas da história da principal nação do boxe mundial, campeão mundial sete vezes em quatro categorias diferentes, Márquez segue firme entre os cinco melhores lutadores do mundo da actualidade independentemente de divisão. Muito inteligente, técnico, paciente, dono de óptimo sistema defensivo e contra-ataques velozes, ele ainda cresceu fisicamente, mesmo aos 39 anos, levantando suspeitas de uso de esteróides anabolizantes. Márquez é profissional desde 1993 e ostenta retrospecto de 54 vitórias (39 por nocaute e 15 por decisão), 6 derrotas (5 por decisão, uma por desclassificação) e um empate.
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Não há mais muito o que se falar do confronto de estilos. O jogo ofensivo em alto volume de Pacquiao encontra uma sólida barreira na defesa e habilidade de contragolpear de Márquez. Parece que um lutador foi feito para o outro.
Apesar do calor que sempre dá em Pacquiao, Márquez é novamente o azarão nas casas de apostas. Isto, somado aos problemas de julgamento anteriores, pode nos dar a ideia que, desta vez, os dois buscarão o nocaute desde o começo. Seria como se o vencedor deste quarto confronto pudesse ser declarado o “vencedor moral” desta rivalidade.
Pacquiao ainda tem mais um motivo extra-oficial para vencer categoricamente. Se ele quiser um dia enfrentar Floyd Mayweather, precisa suplantar Márquez de modo que não sobre dúvidas a respeito de sua superioridade. Isto porque o americano tem estilo semelhante, porém mais eficiente, que o mexicano. Se Pacquiao tiver dificuldade de lidar com Márquez, ficará quase provável que é incapaz de suplantar o bloqueio de Mayweather, o maior sistema defensivo da história recente do boxe.
No fim das contas, provavelmente veremos mais doze rounds de acção, o que seria fantástico dentro do confronto de estilos. As chances de Márquez nocautear Pacquiao são remotas – o filipino passou por pegadores muito mais cruéis do que o mexicano. As de Pacquiao fazê-lo são maiores, mas nada que possa empolgar o torcedor que só gosta de nocaute, visto que Márquez jamais foi nocauteado. A previsão é que Pac-Man vença por decisão e que vá encarar Brandon Rios, e não Floyd Mayweather, na próxima apresentação.
Antevisão original de MMA-Brasil
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