MMA: UFC Fight Night: Gustafsson vs Manuwa - Antevisão + Pesagens
Para não atravessar o mundo de uma vez, o octógono do UFC sai da China e faz uma escala em Londres, capital da Inglaterra. A O2 Arena receberá o UFC Fight Night 38, evento com um card principal intrigante, mesclando lutadores estabelecidos, promessas querendo virar estrelas e até uma eliminatória por título.
No duelo principal, o sueco Alexander Gustafsson precisa de uma vitória para acertar de vez suas contas com Jon Jones. Porém, a tarefa não será fácil, já que ele enfrentará o invicto e violento pegador Jimi Manuwa na casa do adversário.....
Buscando sua terceira vitória seguida, o peso leve Michael Johnson vai encarar o instável, porém perigoso, Melvin Guillard. Antes, Brad Pickett estreia como peso mosca contra o campeão do Cage Warriors Neil Seery, que faz sua primeira luta no UFC. Abrindo a porção principal do evento, o talentoso prospecto Gunnar Nelson terá pela frente o russo Omari Akhmedov, que baixa para meio-médio após a estreia na organização.
O card completo do UFC Fight Night Gustafsson vs Manuwa é o seguinte:
O card completo do UFC Fight Night Gustafsson vs Manuwa é o seguinte:
CARD PRINCIPAL
Peso-meio-pesado: Alexander Gustafsson x Jimi Manuwa
Peso-leve: Michael Johnson x Melvin Guillard
Peso-mosca: Brad Pickett x Neil Seery
Peso-meio-médio: Gunnar Nelson x Omari Akhmedov
CARD PRELIMINAR
Peso-meio-pesado: Cyrille Diabate x Ilir Latifi
Peso-médio: Luke Barnatt x Mats Nilsson
Peso-médio: Brad Scott x Cláudio Mineiro
Peso-meio-médio: Igor Araújo x Danny Mitchell
Peso-mosca: Phil Harris x Louis Gaudinot
Peso-meio-pesado: Alexander Gustafsson x Jimi Manuwa
Peso-leve: Michael Johnson x Melvin Guillard
Peso-mosca: Brad Pickett x Neil Seery
Peso-meio-médio: Gunnar Nelson x Omari Akhmedov
CARD PRELIMINAR
Peso-meio-pesado: Cyrille Diabate x Ilir Latifi
Peso-médio: Luke Barnatt x Mats Nilsson
Peso-médio: Brad Scott x Cláudio Mineiro
Peso-meio-médio: Igor Araújo x Danny Mitchell
Peso-mosca: Phil Harris x Louis Gaudinot
O evento terá aqui transmissão ao vivo a partir das 14:30 horas do Brasil e 15:30 horas de Portugal
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Peso Meio-pesado: Alexander Gustafsson (SUE) vs N’Jimi M’Bouba Manuwa (ING)
Poucos davam o devido valor a Gustafsson. A situação melhorou quando ele dominou Maurício Shogun, em dezembro de 2012, mas ainda sobravam questionamentos ao sueco. Até que veio a luta pelo cinturão, no UFC 165, quando Jon Jones levou o maior calor de sua carreira e, pela primeira vez, parecia humano no octógono. A atuação, repleta de vibração, coração e técnica finalmente alçou Alexander Gustafsson à lista dos lutadores amados pelos fãs de MMA mundo afora. O duelo foi premiado como o melhor do ano (e apontado como um dos melhores de todos os tempos) por diversos veículos internacionais.
Além da raça sobre-humana que pressionou Jones em quatro dos cinco rounds, Gustafsson não só reforçou que seu boxe está acima da média do MMA (a derrota no UFC 165 rendeu comparações ao lendário ex-campeão mundial de boxe Ingemar Johansson) como ainda mostrou que seu jogo evolui a passos largos: ele se tornou o primeiro lutador a derrubar Jones e o que mais lhe deu trabalho no campo do wrestling defensivo, fazendo o campeão cortar um dobrado para colocá-lo no chão. Os treinos de jiu-jítsu também estavam se aprimorando com Neil Melanson, na Alliance MMA, mas Gustafsson resolveu voltar com seus camps na Suécia com seu técnico Andreas Michael.
O nigeriano naturalizado inglês que o enfrentará jamais pegou concorrência tão elevada quanto a de Gustafsson. Porém, Manuwa (foto ao lado) chamou atenção do MMA americano ao mostrar força descomunal no kickboxing. Como se diz popularmente, onde o Posterboy bate não nasce mais pelos. Dos três oponentes vencidos por ele no UFC, dois (Kyle Kingsbury e Cyrille Diabaté) não voltaram em um intervalo entre rounds e Ryan Jimmo se machucou quando começava a apanhar mais seriamente, depois de um round e meio de luta sofrível. Na carreira invicta, tem incrível taxa de 13 nocautes em 14 vitórias (a outra foi por guilhotina).
É possível dizer que ambos serão testados, mas não há dúvida que Manuwa terá uma missão mais espinhosa. Gustafsson terá que mostrar capacidade de absorção de pancadas pesadas, principalmente nos dois rounds iniciais, mas seu jogo de pernas fluido deve manter Manuwa ocupado enquanto o reservatório de gás do inglês estiver cheio. E Alex tem ferramentas de sobra para fazer Jimi reduzir o ritmo e perder confiança.
Além da movimentação e longo alcance, Gustafsson hoje tem mais confiança para explorar variações como tentativas de quedas longe da grade. Manuwa pode explorar seus bons chutes, principalmente os altos, que incomodaram Gustafsson contra Jones. Além disso, o clinch tende a ser mais favorável ao inglês. Mas, no frigir dos ovos, Gustafsson vai saber lidar com a distância para cansar o oponente e chegar a uma interrupção, que pode ser um nocaute ou submissão, no quarto assalto.
Peso Leve: Michael Johnson (EUA) vs Melvin Guillard (EUA)
Principal valor do fraco TUF 12, ainda que tenha perdido a final, Johnson (foto ao lado) caminhou trôpego no UFC. O vareio sofrido diante do talentoso Myles Jury e a finalização contra o hoje presidiário Reza Madadi o deixaram em maus lençóis na organização. Mas tudo mudou quando finalmente ele conseguiu mostrar sua capacidade. Primeiro, deu uma aula de boxe e variação para o wrestling contra Joe Lauzon. Em dezembro, aplicou um violento nocaute sobre Gleison Tibau.
Guillard não chegou a mostrar evolução técnica tão grande como Johnson. Na verdade, seu estilo pouco variou desde o começo da carreira. Mas, como raros pesos leves na história possuíram poder de nocaute tão devastador quanto o do “Jovem Assassino”, ele parece achar por bem que resolverá seus compromissos somente na base do kickboxing. Porém, as nove derrotas por finalização – oito delas no pescoço – mostram que o pensamento está errado.
Para sorte de Guillard (foto ao lado), o jiu-jítsu não é exatamente a especialidade do oponente, que foi finalizado em seis de suas oito derrotas profissionais. Como os dois atualmente se equivalem na parte da luta olímpica, é provável que o combate seja disputado na troca de golpes durante a maior parte do tempo. E aí o combate pode ter contornos interessantes.
Na teoria, basta um golpe bem encaixado de Guillard para Johnson visitar as profundezas da vala. Porém, o jogo de pernas de Johnson e sua base de canhoto deverão dar algum trabalho para Melvin acertá-lo, além de permitir que Michael explore as brechas que o oponente costuma deixar na parte defensiva. Tanto Lauzon quanto Donald Cerrone mostraram o caminho recentemente. Some isto à instabilidade mental de Guillard, que costuma sucumbir quando não tem o andamento da luta em suas mãos. Deste modo, a evolução técnica do boxe de Johnson deve conduzi-lo a uma vitória por decisão.
Peso Mosca: Brad Pickett (ING) vs Neil Seery (IRL)
Com três derrotas em seis lutas como peso galo no UFC, Pickett (foto ao lado) resolveu tentar a sorte na divisão de baixo, já que os reveses aconteceram perante Renan Barão, Eddie Wineland e Michael McDonald, todos integrantes do top 5 da categoria até 61 quilos. As vitórias aconteceram contra os menos cotados Damacio Page e Yves Jabouin, além do talentoso Mike Easton.
Mesmo com este retrospecto irregular, não deve passar pela cabeça de Sean Shelby dispensar Pickett. Isto porque o inglês é um dos mais empolgantes lutadores em qualquer categoria de peso – e isso desde os tempos do extinto Cage Rage. Com base principal no boxe, o “One Punch” pode confiar no queixo de granito para atrair os oponentes para a pancadaria aberta na curta distância e dar trabalho mesmo aos integrantes da elite. Pickett ainda mostra talento na transição para a luta agarrada e para as quedas, característica que deve ser útil no sábado.
Neil-SeeryO oponente original do inglês era Ian McCall, mas uma contusão tirou o americano da jogada e abriu caminho para a estreia de Seery (foto ao lado), que chega ostentando o cinturão do Cage Warriors, um dos mais importantes eventos europeus atualmente. Oriundo de uma das mais tradicionais escolas do boxe mundial, o irlandês tem na nobre arte sua principal ferramenta, assim como Pickett. Porém, Seery costuma deixar as mesmas brechas defensivas na luta agarrada que seu oponente e não é tão bom quanto na parte ofensiva do grappling.
Este duelo é forte candidato a melhor da noite, bônus que Pickett abocanhou em cinco de seis lutas no UFC. Dois boxeadores destemidos devem trocar socos a valer. Neste ponto, uma diferença técnica dará o tom da troca de pedradas: enquanto Seery tem melhor jogo de pernas, Pickett sabe atrair os adversários para o pocket. Uma vez aproximado, o inglês poderá explorar a afobação do rival para aplicar quedas e chegar à finalização.
Peso Meio-médio: Gunnar Nelson (ISL) vs Omari Akhmedov (RUS)
Há cerca de dois anos, o MMA Brasil apontou Gunnar Nelson (foto ao lado) como um possível reforço para o UFC. A organização o contratou e ele não decepcionou: em duas lutas, venceu com autoridade DaMarques Johnson e Jorge Santiago, ainda que se trate de dois atletas que não fazem mais parte do plantel do UFC. Após as vitórias iniciais, um problema no joelho manteve Gunni afastado do octógono por um ano.
O motivo pelo qual Nelson é um prospecto tão importante é simples de perceber quando ele está em ação. Mesmo vindo de um dos locais mais improváveis da Terra (a gelada e pequena Islândia, com população de pouco mais de 320 mil e nenhuma representatividade em esportes de combate de alto nível), o meio-médio tem um dos repertórios ofensivos mais versáteis e pouco ortodoxos na categoria atualmente. A base no caratê faz com que seus golpes sejam difíceis de serem mapeados e, logo, defendidos. Mas é na luta agarrada que este faixa preta de Renzo Gracie chama atenção, com um jogo dinâmico que já lhe rendeu uma semifinal no ADCC na categoria absoluto, enfrentando oponentes muito maiores e mais pesados.
Mais um representante do exército de lutadores do Daguestão, Akhmedov (foto ao lado) mostrou em sua estreia o que se espera de atletas de sua origem. Duro como pedra, ele suportou uma pressão inicial de Thiago Bodão, lutando como peso médio, antes de dar cabo do brasileiro com curtas e violentas combinações de jab-direto, no melhor combate do UFC em Goiânia. Porém, o aspecto defensivo deixou a desejar, muito confiado no poder de absorção de pancadas.
O russo tem grau de mestre internacional de sambô em seu país, o que lhe dá traquejo na luta de solo e boa capacidade de encaixar finalizações. Ele também praticou luta no estilo livre, modalidade em que a Rússia é a principal potência mundial. Ofensivamente, Akhmedov é perigoso quando tem o controle posicional no chão, mas mostra deficiência na defesa de quedas e se complica quando alguém o domina e o pressiona na luta agarrada.
Nelson é fisicamente menor e não tão forte quanto Akhmedov, mas possui muito mais precisão nos golpes na luta em pé e provavelmente conseguirá encurtar a distância para derrubar o oponente sem muito trabalho, graças à sua abordagem nada convencional. Quando estiver por cima do russo, o islandês deverá aplicar seu jiu-jítsu de elite até finalizar Akhmedov ou vencer por decisão.
-------------------------------------------Pesagens -----------------------------------------
Em uma pesagem bastante tranquila e sem nenhum momento mais tenso após a passagem pela balança, todos os lutadores escalados para o "UFC: Gustafsson x Manuwa", em Londres, bateram o peso e estão confirmados no evento, que acontece neste sábado. Protagonistas do evento principal da noite, o sueco Alxander Gustafsson e o inglês Jimi Manuwa fizeram uma encarada respeitosa, com Manuwa estendendo um pouco mais o braço e quase tocando com a mão o rosto de Gustafsson, que não recuou ao ver a mão do rival aproximando-se muito da sua face.
- Sempre estou confiante. Minha confiança vem do meu time e minha família. Espero uma grande vitória amanhã - disse Manuwa, muito aplaudido pelos ingleses presentes à pesagem oficial.
Com poucas palavras, Gustafsson tentou levantar o público sueco que o aplaudia.
- Estão prontos? Vamos logo para a luta! Estou super empolgado.
Entre os momentos curiosos da pesagem, podem ser destacados o gorro do Super-Homem usado por Phil Harris na encarada com Louis Gaudinot; a camisa amarela da seleção brasileira de futebol usada por Igor Araújo antes de subir à balança; o sueco Mats Nilsson e a luva espetada em um cabo de vassoura que ele levou para a encarada com Luke Barnatt e a sunga do Tottenham Hotspurs, um dos mais tradicionais times de futebol da capital inglesa, usada pelo peso-galo inglês Brad Pickett. Antes e depois de se pesar ele mandou mensagens através de seu celular e fotografou a plateia, que o aplaudia, postando a foto momentos depois em suas redes sociais (veja a foto ao lado).
No co-evento principal da noite, Melvin Guillard e Michael Johnson fizeram a encarada mais tensa da pesagem, chegando perto de encostar os rostos um no outro. Dana White não precisou separá-los, mas encerrou a encarada quando percebeu que haveria o toque.
Confira os pesos dos atletas:
CARD PRINCIPAL
Peso-meio-pesado (até 93,4kg): Alexander Gustafsson (92,5kg) x Jimi Manuwa (93kg)
Peso-leve (até 70,8kg): Michael Johnson (70,3kg) x Melvin Guillard (70,8kg)
Peso-mosca (até 57,2kg): Brad Pickett (56,7kg) x Neil Seery (56,7kg)
Peso-meio-médio (até 77,6kg): Gunnar Nelson (77,1kg) x Omari Akhmedov (77,1kg)
CARD PRELIMINAR
Peso-meio-pesado (até 93,4kg): Cyrille Diabate (93kg) x Ilir Latifi (93kg)
Peso-médio (até 84,4kg): Luke Barnatt (84,4kg) x Mats Nilsson (83,5kg)
Peso-médio (até 84,4kg): Brad Scott (84,4kg) x Cláudio Mineiro (83,9kg)
Peso-galo (até 61,7kg): Davey Grant (61,7kg) x Roland Delorme (60,8kg)
Peso-meio-médio (até 77,6kg): Igor Araújo (77,6kg) x Danny Mitchell (77,1kg)