Um olhar sobre o WWE Hall of Fame 2014: Razor Ramon - Say hello to the bad guy!
Este
ano, os consagrados com a entrada no Hall of Fame serão Ultimate
Warrior, Jake Roberts, Razor Ramon, Paul Bearer, Lita, Carlos Colon e
Mr. T....
No decorrer desta semana, iremos apresentar a história de cada uma das estrelas celebradas neste ano de 2014.
;
15 de Janeiro de 1983 é um dia que Scott Hall nunca esquecerá. Por mais que ele, a memória dessa noite estará viva para sempre. O cheiro, o som, as emoções, tudo.
Na altura, ele tinha 25 anos. Ele trabalhava num clube nocturno quando começou uma briga em relação a uma miúda. O outro homem partiu o pára-brisas do carro de Hall. Hall seguiu-o para fora do local para tirar satisfações e lhe disseram que ele estava na esquina ao falar com o gerente do espaço e que era amigo de Hall.
Hall derrubou o homem para uma poça de água. O homem pega na sua arma mas Hall lutou com ele e na disputa, a arma disparou e o homem acabou morto.
Hall foi acusado de homicídio em segundo grau mas o caso havia de ser arquivado por falta de provas. Hall relembrou uma das lições que o seu pai lhe havia dito na altura: “se vais cair, tenta cair de forma correcta”.
Cair de forma correcta foi o que Hall fez. Um ano depois, ele começa a sua carreira no wrestling profissional na National Wrestling Alliance, mais conhecida como NWA. Na NWA, Hall rivaliza quase que de imediato com Dusty Rhodes, fez equipa com Dan Spivey, impressionou veteranos como Nick Bockwinkel e Larry Zbyszko e ganhou um amigo em Curt Henning.
Em 1985, Hall juntava-se à American Wrestling Association, a AWA. O promotor Verne Gange, queria fazer dele um dos lutadores de topo pois havia perdido Hulk Hogan para Vince McMahon.
No território fez dupla com o supracitado Henning. Juntos foram descritos como a “combinação perfeita” pela Pro Wrestling Illustrated e pouco depois conquistaram os AWA Tag Team Championships a Jimmy Garvin e Steve Regal. Reteram os títulos por 119 até os perderem para Buddy Rose e Doug Somers.
Logo depois, Henning e Hall haveriam de se separar e Hall lutou por duas ocasiões pelo AWA World Heavyweight Championship. Gange disse querer dar-lhe o título mas Hall recusou. Ele acreditava que a companhia era um navio a se afundar e um ano após a sua saída ele provara que tinha razão.
Após duas breves passagens em outras companhias, incluindo a World Wrestling Council onde conquistou o título, Scott Hall haveria de ser contratado pela WWF.
“Eu sabia que me ia encontrar com Vince e assim eu preparei-me. Eu disse ao Vince, se tu queres que eu seja o GI Joe, eu serei o melhor GI Joe que conseguir ser. Alguma vez viste o Scarface? Ele disse, “oh não!” e eu disse “say hello to the bad guy!’ Tu precisas de alguém como eu, que possam apontar o dedo e dizer “ olha, ali vai o Razor, ele é o bad guy!’” -Scott Hall
Scott Hall, agora conhecido como Razor Ramon, depressa conquistou a WWE. Ele provou que tinha todas as ferramentas necessárias para ser uma grande estrela. Ele tinha um visual único, o tamanho, a habilidade no wrestling, boas capacidades de microfone, carisma e uma gimmick onde conseguia pôr o dedo na ferida.
Nessa era, isso era tudo para ser o lançamento de um grupo de lutadores ambiciosos para revolucionar a indústria e assim estava à vista de todos que Scott Hall estava destinado a ser uma estrela.
A sua primeira rivalidade foi com Randy Savage: após interferir num combate pelo titulo da WWF entre Savage e Ric Flair. O único combate que tiveram foi no house-show no Madison Square Garden que Ramon ganhou. No Survivor Series, Savage faria equipa com Mr. Perfect (Curt Hennig) para derrotar Flair e Ramon. Estar ligado a três estrelas desse calibre, estabeleceu de imediato Ramon como uma estrela.
A rivalidade que se seguiu foi com o WWE Champion, Bret Hart. O “The Bad Guy” haveria de receber um enorme heat junto dos fãs ao desrespeitar a família Hart. O combate que terminou a disputa foi no Royal Rumble de 1993, com Hart a derrotar Hall. Contudo, estar a lutar pelo título da WWF com menos de um ano de WWF era um feito de que poucos poderiam se orgulhar.
Para capitalizar isto, no seu combate de estreia em WrestleMania, ele venceu o antigo WWE Champion Bob Backlund.
Com um ano na companhia, Razor Ramon era uma das maiores estrelas. Assim decidiram que alguém que derrotasse Hall teria de ter um momento de carreira e isso aconteceu com o estreante 1-2-3 Kid. A surpresa foi tanta que ainda se fala desse momento chocante, 1-2-3 Kid mais conhecido como X-Pac e Sean Waltman, haveria de se tornar uma das principais estrelas nos anos seguintes do Monday Night RAW.
Após esta vitória da humildade, Razor Ramon haveria de fazer um babyface turn após ter sido gozado pelo Million Dollar Man, Ted DiBiase. Ramon venceu DiBiase no Survivor Series, que deixou de imediato a WWF em direcção à WCW. Apesar da sua gimmick se adequar mais para heel do que babyface, o carisma de Roman era algo que cativava os fãs. Assim o babyface turn só aumentou a sua popularidade e aumentou a aura da sua carreira.
Após Shawn Michaels ter deixado a companhia devido a lesão e ter vagado título Intercontinental, Ramon haveria de conquistar o título. Quando Michaels regressou, ele afirmava que nunca o tinha perdido e ele era o verdadeiro campeão. Isto levou a que Ramon enfrentasse Michaels num ladder match pelo título na WrestleMania XX. Este combate revolucionou a carreira de ambos e o conceito de combate de escada e no processo elevou o título Intercontinental a segundo titulo com mais prestígio no wrestling. Foi um combate de cinco estrelas da Wrestling Observer e combate do ano da Pro Wrestling Illustrated.
Foi um combate em que Razor Ramon saiu vencedor.
Ele haveria de vencer o titulo por mais três ocasiões na sua carreira ao derrotar Diesel, Jeff Jarrett e Dean Douglas respectivamente e tornou-se o primeiro lutador a deter o titulo por três vezes e o único com quatro.
Nesta altura, Ramon ficou ligado a uma facção que dominava o backstage da WWF, o The Kliq. The Kliq, era constituído por Shawn Michaels, Diesel, Hunter Hearst Helmsley e 1-2-3 Kid e onde se destacavam os poderes e politicas no backstage e as suas festas. Eles cuidavam de si e para si.
Os contraltos de Razor e Diesel iam terminar na mesma altura e por esses dias, a WWF perdia dinheiro e não poderia renovar os contratos, daí que os dois decidiram aceitar o dinheiro vindo da rival World Championship Wrestling. O último show foi no incidente no Madison Square Garden que viu Diesel, Michaels, Hall e Helmsley a se abraçarem no ringue e a quebrarem o kayfabe, citado há algumas semanas atrás aqui no blog.
Se esta saída da WWE foi polémica, o que se seguiu na estreia na WCW nem se compara, mas isso será tema numa indução da nWo no Hall of Fame.
2002 foi o ano em que Hall teve o seu último grande momento na sua carreira. Na WrestleMania X-8 ele enfrentou Stone Cold Steve Austin. A partir desse momento foi uma espiral de problemas para Hall que viu a sua habilidade de ringue cair e os seus demónios de adição a drogas e álcool aumentarem.
“Eu não quero morrer, mas eu não tenho medo disso. Pois, o que há mais? O que fazes quando eles deixam de cantar o teu nome?”
Em 2011, esta era a questão lançada por Scott Hall. E na verdade era a questão que muitas pessoas do meio perguntavam e nunca tiveram uma resposta, pois na verdade ninguém sabia a resposta.
“Quando Scott estava no ringue e estava sóbrio, o Scott era o melhor. A única vez que ele perdeu o controlo na sua vida foi quando estava fora do ringue” - Kevin Nash
Para piorar a causa de Hall, o alcoolismo era algo muito comum na sua família. Era quase uma causa perdida e isso foi acreditado por muitos quando ele apareceu num evento independente para lutar numa cadeira de rodas e completamente intoxicado. Estávamos em 6 de Abril de 2011.
Estes factos da tragédia que estava a acontecer com Hall foram tema de uma reportagem na ESPN. Hall dizia: “Tudo que eu sempre quis ser foi um wrestler profissional. Eu nunca deixei de lutar. Posso não vencer, mas nunca irei parar de lutar”.
Hall precisava desesperadamente de ajuda, mas esta não podia ser uma ajuda qualquer. No final de contas, ele já tinha estado em reabilitação da WWE por dez ocasiões. A ajuda veio com Diamond Dallas Page.
Após ter reabilitado Jake Roberts e o retirado dos seus demónios, Page haveria de entrar em contacto com Hall. Ele queria ajuda-lo. Ele queria “reconstruir a sua vida desde o inicio, fisicamente, mentalmente, profissionalmente e espiritualmente”. Ele voltou a falar com o seu filho Cody – um jovem aspirante a lutador – e a guia-lo na sua carreira. Scott conseguiu limpar a sua vida. Ele deixou de andar de cadeira de rodas e passou a ir ao ginásio com o seu filho para ajudar e a guiar.
A vida de Hall mudou completamente e em pouco mais de um ano depois de ter recebido a chamada de DDP, ele recebeu outra chamada. Desta vez foi da WWE para lhe oferecer um lugar no Hall of Fame, distinção essa que Hall aceitou e assim no próximo Sábado quando receber o anel de Hall of Famer, a sua estreada de redenção estará completa.