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Lucas Headquarters #142 – MARIGOLD: (Re)começar quase do zero


Ora então boas tardes, comadres e compadres!! Como estão? Bem-vindos sejam a mais uma edição de “Lucas Headquarters” aqui no WrestlingNotícias!!


Estamos a chegar àquela altura do mês que nos interessa mais, que é a altura em que começam a chover eventos de wrestling: Nesta altura, já deve ter terminado o Flashing Champions, da STARDOM, mas calma que ainda há mais: Temos a estreia da MARIGOLD no dia 20, segunda-feira, com o seu evento “Marigold Fields Forever”;, temos o tradicional evento anual Hana Kimura Memorial Show dia 23, quinta-feira; e temos também o Double or Nothing da AEW no domingo, 26 – evento que marca também cinco anos de All Elite. Mas sobre isso falaremos noutra altura.


Para já, e porque precisamente na quinta-feira vão passar quatro anos sobre a partida da Hana Kimura e porque eu fiz a promessa de todos os anos por esta altura me lembrar um bocadinho dela, deixar apenas a palavra com que fechei o artigo do ano passado, dedicado à sua vida e carreira: Respeitem os wrestlers. Permitam-lhes que falhem, mas sobretudo que sejam humanos, porque antes dos wrestlers existem pessoas como nós. E nós não sabemos o quão alto é o preço que eles pagam para que nós tenhamos algo para nos fazer esquecer o quão difícil é o dia-a-dia.




Antes de voltarmos à MARIGOLD – e para dar um pouco de contexto à coisa – vale a pena falar também um bocadinho, de forma muito geral, sobre o Flashing Champions que a STARDOM acabou de apresentar. Pareceu-me que o evento teve um card estranho, e, ao mesmo tempo, francamente pobre. 



O principal título da empresa (World of STARDOM Championship) não foi defendido, assim como os Goddess of STARDOM Tag Team Championships. A World of STARDOM Champion, Maika, foi colocada numa espécie de exhibition match contra uma rookie (com todo o respeito pela HANAKO) e o card era de tal maneira fraco que o único ponto de interesse parecia ser o combate entre Willow Nightingale e Tam Nakano pelo TBS Championship – e quando assim é…




Eu sei que agora muitos de vocês vão provavelmente acusar-me de ser uma espécie de saudosista do estilo de booking de Rossy Ogawa – e com alguma legitimidade – mas não é bem por aí que me faço entender. Há, obviamente, muita esperança depositada em Taro Okada, sobretudo no plano da diplomacia, algo em que Rossy Ogawa era completamente intransigente (tanto que até Tony Khan festejou o seu despedimento) – e a prova disso é o facto da parceria com a AEW está a dar cada vez mais frutos ao ponto de Nightingale ter ido defender o seu TBS Championship contra alguém com o calibre de Tam Nakano.


Mas isto não acaba por ser outra coisa senão “dores de crescimento” – Taro Okada estará, ainda, a dar os primeiros passos na consolidação da sua visão para a STARDOM. E quando assim é, é normal que por cada duas decisões acertadas – Hanan a vencer o Cinderella Tournament, e um All Star Grand Queendom que foi tão bom como surpreendente – surjam algumas menos eficazes (PPV’s com cards mais confusos, por exemplo). 




Parece que pode haver a tendência para exigir de Taro Okada aquilo que se exigia de Rossy Ogawa, que parece ter a sua reputação manchada após os acontecimentos de Fevereiro passado. E é com esses acontecimentos que nasce a MARIGOLD.


MARIGOLD: (Re)começar quase do zero



Para falar do surgimento da MARIGOLD, permitam-me usar a frase que dá título à entrada desta semana: “(Re)começar quase do zero”.


Obviamente que Rossy Ogawa não é nenhum novato quando o assunto é começar ou gerir empresas de wrestling – ele próprio fundou a STARDOM em 2011 e já tinha estado por detrás da ARSION, uma empresa que fundou em 1997 ao lado de Aja Kong e que durou tão somente seis anos, até meados de 2003 – quando, no meio de disputas internas, a ARSION desapareceu e dela surgiu a AtoZ, que também não durou muito mais do que outros três amos (se a oportunidade surgir, eu logo vos conto essa história). 



homem forte do joshi tenha ficado manchada depois de, em Fevereiro, ter sido acusado de andar a caçar talento à STARDOM para fundar esta nova MARIGOLD, e consequentemente, ter sido despedido. Estas são acusações que, de resto, o próprio Rossy negou, mas, pondo em termos simples, isto acaba por ser semelhante a uma situação em que, por exemplo, dois indivíduos fundam uma empresa – em qualquer área, isso agora não interessa – e passados anos um dos fundadores cria um negócio dentro da mesma área e começa a tirar público-alvo ao seu projeto original.


Eu não vou cair no erro de apoiar ninguém, até porque Ogawa-san também não é propriamente um santo sem altar. Mas importa aqui analisar os factos e aplicar o princípio de presunção de inocência que muita gente aplica a Triple H cada vez que vêm a público novos detalhes sobre o imbróglio em que se meteu Vince McMahon: Será que Rossy Ogawa realmente o fez?


Primeiramente, não houve mais nenhuma informação para além daquela que saiu nas notícias. E depois, se fosse esse o caso… porque é que wrestlers como Giulia, Utami Hayashishita, MIRAI ou Mai Sakurai quereriam tomar parte nesta nova aventura? É que ter dívidas de gratidão para com alguém nem sempre implica querer tomar parte no que quer que seja que alguém faça. E, no entanto, elas escolheram fazê-lo de sua livre e espontânea vontade. 




Se Ogawa realmente o tivesse feito, a última coisa que elas queriam era ter algo que ver com ele, sobretudo nos casos de Giulia e Utami, duas ex-World of STARDOM Champions que são, por sinal, duas das melhores wrestlers da sua geração e que, pelo currículo e por aquilo que representam, têm, obviamente, uma reputação a defender.


Portanto, para Rossy Ogawa, a MARIGOLD apresenta-se como um recomeço quase total no sentido em que todo o processo se reinicia. Se, com a STARDOM, o começo foi mais difícil – porque embora Fuka e Nanae Takahashi lá estivessem, o seu nome estava associado ao falhanço da ARSION – no caso da MARIGOLD, a coisa muda de figura, porque a reputação de Rossy na afirmação da STARDOM enquanto empresa que cria e potencia estrelas precede-o, e por isso toda a gente quer trabalhar com ele porque toda a gente quer ser potenciada.


O curioso é que a MARIGOLD se apresenta, em certa medida, como um último desafio para Rossy, se assim quisermos: Com 67 anos feitos há três semanas, muito provavelmente esta é a última oportunidade que tem para deixar uma última marca no joshi wrestling e um legado que possa ser seguido por quem lhe vier a suceder.


MARIGOLD e WWE: Juntas?



Desde Abril que não se fala de outra coisa – pelo menos, para os mais distraídos, porque isto já são notícias e dados adquiridos desde Novembro, pelo menos: Giulia apareceu no NXT Stand and Deliver em fim de semana de WrestleMania, e a partir daí ficou claro que o seu futuro passará pela WWE – será apenas uma questão de “quando” – e até já há quem aponte a muito possível data de 7 de Julho, dia do NXT Heatwave, como o dia em que Giulia finalmente se apresentará, de forma oficial, perante a fanbase da empresa, pese embora ainda não ter havido confirmações de nenhum dos envolvidos.



 A questão é: Quando Giulia apareceu, quem é que estava com ela? William Regal e… Rossy Ogawa. E isto não deixa de ser quase hipócrita, quer dizer, Rossy Ogawa nunca foi um homem muito diplomático, esteve sempre um pouco fechado na bolha que criou à volta da STARDOM e acentuou essa tendência depois de ter perdido Kairi Sane e Iyo Sky para a WWE de uma assentada.


Pode, então, haver um milhão de razões para que Rossy tenha mudado de ideias? Pode. Mas talvez a mais óbvia delas todas nem sequer seja o facto de Rossy simpatizar ou não com a forma como a WWE se movimenta no mercado. Talvez esta inclinação de Rossy para trabalhar com a WWE tenha um nome: Tony Khan.



Não é segredo para ninguém que Rossy Ogawa e Tony Khan nunca foram os melhores amigos – Ogawa nunca se mostrou muito disponível para colaborar com a AEW quando a parceria já existia, isto apesar de ter recebido Megan Bayne, que apesar de não estar, à altura, oficialmente vinculada à AEW, estaria numa situação semelhante a Giulia – e Tony Khan, assim que soube do despedimento de Rossy, fez a festa, lançou os foguetes e apanhou as canas. Mal sabia ele que Rossy Ogawa já tinha, em Novembro, decidido que se ia embora quando chegasse a primavera, e que isso precipitou também as decisões de Kairi Sane e de Giulia em sair.


O que Tony Khan não contava era que as wrestlers ficassem furiosas com a forma como Tony Khan reagiu a tudo isto. E eu arriscaria dizer que as wrestlers em causa eram muito provavelmente aquelas que Rossy leva agora consigo para a MARIGOLD, e com quem tinha trabalhado na STARDOM. (e agora vão começar a surgir teorias da conspiração a dizer que o Rossy lhes fez a cabeça…).


Mas voltando ao caso de Giulia, a WWE conseguiu assegurar os seus serviços, mas o plano é que ela represente as duas empresas, trabalhando para a MARIGOLD em eventos potencialmente grandes. Se isto se traduzirá numa relação de cooperação entre as duas empresas? Depende da forma como este “plano” correr. Mas sem dúvida que este poderá ser o caso que faz com que a MARIGOLD pareça o NXT Japan…




Hierarquia de títulos e primeiro evento: Tudo pronto para o arranque!

Nos últimos dias, foi revelado o modo como vai funcionar a nova empresa no que diz respeito a hierarquia de títulos. Serão quatro cinturões, com ligações à estética da era Showa, em que o vermelho representa um título mundial e o branco um título secundário, assim como os título de Tag Team e um estilo Cruiserweight. Assim temos:

MARIGOLD World Championship (Título Mundial);
MARIGOLD United National Championship (Título midcard);
MARIGOLD Twin Star Championship (Título Tag Team);
MARIGOLD Super Fly Championship (Título ao estilo Cruiserweight, destinado a wrestlers abaixo dos 55 kg).



Não se sabe ainda quando é que os donos destes títulos serão decididos. Sabe-se, isso sim, que o primeiro evento acontece já nesta segunda-feira: MARIGOLD Fields Forever. Serão seis combates, de entre os quais se destaca o Main Event: Giulia e Utami Hayashishita vs Sareee e Bozilla.









Sobre este primeiro evento, o ideal seria manter as expectativas baixas e não esperar grandes momentos fora do que acontece no ringue. Isto porque, para além de ser um evento curto (seis combates apenas), nesta fase inicial muitas das storylines ainda não estão construídas, pelo que só a partir dos resultados deste primeiro evento é que o aspeto “cinemático” da empresa, se assim quisermos, começa a ganhar forma.


Ainda assim, penso que este evento será uma excelente oportunidade para apresentar ao público aquelas que Rossy Ogawa pensará serem as próximas grandes estrelas da empresa. Victoria Yuzuki, por exemplo, esteve pouco tempo na STARDOM, mas pela boa impressão que deixou nos cinco meses em que lá lutou, poderá ser motivo de uma grande aposta. 


Nao Ishikawa também não deverá passar despercebida, sobretudo para quem viu o All Star Grand Queendom do ano passado, quando ela vestiu a pele de… Tam Nakano. Misa Matsui poderá ser a grande cara da divisão Super Fly, uma vez que é apresentada como a Speed Star da empresa. E de Giulia e Utami, nem vale a pena falar, não é?





Entusiasmados com o início da MARIGOLD? Como acham que correrá o evento de estreia?


E assim termina mais uma edição de “Lucas Headquarters”!! Não se esqueçam de passar pelo nosso site, redes sociais, deixem a vossa opinião aí em baixo… as macacadas do costume. Para a semana cá estarei com mais um artigo!!


Peace and love, até ao meu regresso!!

#RememberHana


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