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Lucas Headquarters #181 – Como poupar tempo a ver wrestling?


Ora então boas tardes, comadres e compadres!! Como estão? Sejam bem-vindos a mais uma edição de “Lucas Headquarters” aqui no WrestlingNotícias!! E hoje… hoje tenho para vocês uma edição, no mínimo, curiosa.


Curiosa porque envolve um paradoxo que parece, também ele, impossível de realizar. Mas é uma edição que me lembrei de trazer para aqui nesta semana por duas razões: Primeiro porque, como aqui vos tenho falado tantas vezes, o mundo do wrestling está a prosperar como nunca (embora isso, muitas vezes, não seja nem pareça assim tão óbvio). Nunca tivemos tantas empresas a oferecer um produto de qualidade, nem nunca foi tão fácil o acesso a esse mesmo produto.


Para isto muito contribui a ascensão do streaming. O streaming, como bem sabemos, permite-nos ver os conteúdos que queremos, quando queremos, como queremos, sem que para isso nos tenhamos que prender praticamente a nada. É uma opção muito mais prática e sobretudo barata, porque em vez de pagarmos centenas de euros por um punhado de canais de televisão, pagamos a módica quantia de uma dezena de euros por mês – senão até um pouco mais – para termos acesso a uma vasta panóplia de conteúdos, que vão desde séries a filmes, passando por outros programas.


Ora, com a ascensão cada vez mais rápida do streaming, obviamente que o wrestling não quer ser deixado para trás. As companhias vêm a ascensão desta nova forma de ver televisão como a oportunidade perfeita para entrar no mercado e voltarem a ocupar um espaço relevante no mainstream. Daí que, por exemplo, a WWE tenha decidido fazer as malas para a Netflix (que é, de todas as plataformas que existem, provavelmente a maior e mais consumida plataforma de streaming na atualidade) ou que a AEW esteja na MAX.



Mas enfim, este preâmbulo introdutório serve para lançar o tema da edição de hoje, que, como já viram pelo título, encerra uma pergunta curiosa. Mas antes, e para contexto, deixem-me contar um pouco da história de como me surgiu este tema – julgo que será importante para que possamos tentar encontrar estratégias que respondam à pergunta do título.


No início da semana que agora termina, estava a fazer scroll pelo meu feed do X, no qual sigo várias contas relacionadas com wrestling – algumas contas com notícias, opiniões e outras informações, ou então, contas geridas por fãs mais ou menos apaixonados por este nosso mundinho, que não hesitam em dar as suas opiniões. 


Acontece que me deparei com um tweet (recuso-me a dizer post), que tinha o seu não sei quê de polémica (como aliás quase todos os tweets que dizem respeito ao wrestling). Nesse tweet podia ler-se uma forte condenação àquela porção de fãs que acompanha apenas a WWE, enquanto se fazia uma espécie de exortação a que os fãs “quebrassem a bolha”, ou seja, a que vissem e consumissem mais wrestling para além do que essa companhia oferece, ou para além daquele que é considerado mainstream.



Em resposta, fiz retweet a esse tweet e deixei claro que, embora seja verdade que cada fã de wrestling deve sempre fazer um esforço por descobrir mais e mais e mais sobre este desporto tão fascinante, embora seja verdade que cada fã de wrestling deve sempre fazer um esforço por quebrar essa bolha e querer sempre descobrir mais wrestling do que aquele que lhe é tipicamente oferecido, não é menos verdade que as pessoas têm vidas pessoais, que giram, quase sempre, em volta de trabalhos a tempo inteiro encapsulados em turnos de oito horas (9h-17h).


A isto acresce o tempo, muito ou pouco, que levam a fazer o percurso de casa-trabalho-trabalho-casa e mais uma série de afazeres, que fazem com que o tempo que têm disponível para consumir wrestling com a mínima qualidade seja quase inexistente.



Mas depois também me apercebi do quão exigente é o próprio ato de consumir wrestling. E quando falo em exigente, não será, obviamente, uma coisa que diga respeito ao esforço físico (que é praticamente nulo, já se falarmos no mental…), mas antes ao nível do tempo que temos que dispensar num só dia para consumirmos o produto com a qualidade que nós próprios exigimos de quem faz os shows. Porque não basta que os shows sejam bons, nós também temos que ter critério a consumir o wrestling que vemos. 


E para isso, é fundamental reter um princípio que, muitas vezes, se aplica a outros desportos, nomeadamente o futebol: Por muito que gostemos de wrestling, e eu acredito que não há alguém que goste mais de wrestling do que eu, que escrevo isto e do que vocês, que o leem, mas é essencial termos em conta que o wrestling é a coisa mais importante das coisas menos importantes. 



Para vocês perceberem onde é que eu quero chegar, vamos fazer um pequeno exercício, e para isso vamos começar apenas pela WWE e vamos expandir lentamente para as outras empresas.


Na WWE, os shows semanais têm uma duração, em média, de duas a três horas – isto tendo em conta a data de hoje, 22 de Fevereiro de 2025. Se tirarmos o tempo dedicado a anúncios, o RAW tem, mais minuto menos minuto, duas horas e meia. O mesmo vale para o SmackDown, e pelo menos será assim até Maio/Junho. Só aqui já temos cinco horas de consumo, e se juntarmos o NXT, ficamos com hora e meia de show, não contando os anúncios. Seis horas e meia de ação. Pegando nestas seis horas e meia e juntando PLE’s, ficamos com nove horas e meia.



Peguemos nestas nove horas e meia e acrescentemos as quatro horas de shows semanais da AEW (duas horas de Dynamite mais duas de Collision) e vamos ficar com treze horas e meia, ou seja, mais de meio dia. Juntando quatro horas de PPV, dezassete horas e meia, ou seja, mais de dois terços do dia.



Vamos até ao Japão. Por lá, um simples house show não dura menos de duas horas, o que nos dá um total de dezanove horas e meia. Um PPV varia entre as três horas e meia e as quatro, o que significa que vamos ficar com vinte e três horas a vinte e três horas e meia de consumo. Ou seja, consumir semanalmente wrestling tendo em conta que vemos os produtos da WWE, da AEW e das empresas do Japão vai corresponder a sensivelmente um dia inteiro a ver wrestling.



Chegar a esta conclusão é insano e diz muito sobre a forma como nos entregamos a esta paixão que é o círculo quadrado. Mas, como disse há pouco, muitas pessoas têm vidas que giram em volta de trabalhos a tempo inteiro, o que lhes tira muito do tempo para consumir o produto. Portanto o que vos trago hoje não são mais do que algumas dicas para que consigam poupar tempo a ver wrestling sem perder a paixão por este desporto.


Como poupar tempo a ver wrestling?


Façam escolhas


Esta é a parte mais difícil e é algo que nenhum fã de wrestling gosta de fazer, sobretudo aqueles que, como eu, defendem que não devemos fechar as portas a nenhuma empresa e tentar consumir o máximo possível.


Mas, perante a impossibilidade de chegar a tudo, não há volta a dar e temos mesmo de ser obrigados a escolher. O segredo aqui é a preferência pessoal: Quando forem fazer essas escolhas e gerir o que querem ou estão dispostos a ver, guiem-se pelo tipo de produto ou empresa que veem mais e façam o vosso planeamento em redor disso.


Por exemplo, se veem mais WWE, talvez seja boa ideia consumirem mais wrestling às segundas, quartas e sábados de manhã. Se veem mais AEW, talvez o melhor período para ver wrestling sejam as quintas e os domingos. Se veem indies, escolham um dia ao acaso, ou aquele em que têm mais tempo livre.


O que interessa é fazerem escolhas, gerirem o tempo conforme o produto que mais consomem. Não ficam a perder nada e, caso isso aconteça, têm sempre o próximo passo.


Apostem nos podcasts




Caso tenham perdido algum pedaço da ação ao tentar seguir o passo anterior, há uma alternativa cada vez mais seguida por um maior número de fãs que pode ajudar a que se mantenham atualizados relativamente a tudo o que se passa no negócio. Sim, bem sei que não é a mesma coisa, porque o wrestling, na sua maioria, quer-se visto e não escutado, mas acreditem, para quem tem pouco tempo, esta alternativa pode mesmo ajudar.


Podcasts. A grande vantagem dos podcasts é precisamente essa: Como em princípio, o ouvinte não vai ter acesso visual à ação (embora a imagine na sua cabeça), o que é falado e discutido nos podcasts tem que ser o mais detalhado e específico possível. E isso ajuda precisamente porque nos transporta quase para o meio da ação. Os participantes falam e a nossa cabeça concebe quase automaticamente o que acontece. E embora isso não resolva tudo, já é uma grande alternativa para quem tem pouco tempo para se dedicar a ver tudo o que o wrestling oferece.


Vejam os vídeos de highlights





Se não querem perder tudo, mas também não têm tempo para acompanhar tudo, e os podcasts de certa forma não vos dizem grande coisa, vejam os vídeos de highlights. Isto é especialmente útil para quem acompanha WWE, perdeu alguma da ação ao longo da semana e quer manter-se a par do que aconteceu.


Os vídeos de highlights são a ferramenta ideal sobretudo naqueles períodos em que vocês andam mais ocupados com os estudos, têm trabalhos e frequências à porta e todo o tempo vos parece pouco. Nesse sentido, conseguem acompanhar os pontos centrais da ação, têm noção do que é que vai acontecer de seguida, e ainda vos sobra tempo para as prioridades do vosso dia. É uma solução mais conciliadora, e embora não satisfaça totalmente, consegue fazer com que acabem por não estar completamente a leste do que aconteceu.


Não forcem o wrestling só pela paixão que têm



Todos nós gostamos de wrestling. Todos nós queremos acompanhar o máximo possível, todos nós queremos construir conhecimento sobre wrestling e falar sobre wrestling com quem o aprecia como nós. Mas há alturas da nossa vida em que estamos mais atarefados com trabalho, ou em que já vimos tanto que sentimos que precisamos de fazer uma pausa.


Não tenham medo de fazer essa pausa. Pode ser de uns dias, de umas semanas até, mas não tenham medo de abrandar um pouco o ritmo. Quando o assunto é wrestling, mais vale absorver cada bocadinho de ação do que estar ali a fazer um frete só porque gostamos. Não forcem o wrestling só porque gostam. Permitam-se abrandar, redefinir prioridades, e colocar o wrestling um pouco mais para baixo na vossa lista. Não são menos fãs só porque veem menos wrestling hoje em comparação há duas semanas atrás.


E lembrem-se sempre: O wrestling é a coisa mais importante das menos importantes. Se neste momento ele não puder ser uma prioridade para vocês, não se cobrem por isso. Quando voltarem a ter um pouco mais de tempo, o ringue continuará lá, à vossa espera.


E vocês, que dicas dariam para quem quer poupar tempo sem perder a paixão pelo wrestling?


E assim termina mais uma edição de “Lucas Headquarters”!! Não se esqueçam de passar pelo nosso site e pelas nossas redes sociais, deixem a vossa opinião aí em baixo… O costume. Para a semana cá estarei com mais um artigo!!


Peace and love, até ao meu regresso!!

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