Ultimas

Heyman Hustle #17

A World Wrestling Entertaiment entrou numa nova era dourada.

Nunca antes o Vince McMahon e a sua empresa conseguiram apresentar vilões tão interessantes como actualmente.

Olhem só para o JBL, por exemplo. As performances do John Bradshaw Layfield na sua storyline com o Shawn Michaels foram absolutamente espectaculares.

Existe uma linha muito ténue quando um “bully-heel” provoca um babyface frequentemente, com o objectivo do fazer o público querer, precisar e até implorar que o babyface expluda e tenha a sua vingança... só para acontecer a mesma coisa semana após semana após semana.

Mas o JBL executou perfeitamente o seu trabalho. Foi uma tarefa muito mais difícil de concretizar do que a sua feud com o Eddie Guerrero, porque a única coisa que ele tinha de fazer nessa altura era gritar com o Guerrero e dar-lhe um enxerto de porrada, que o público queria logo ver vingança por parte do Eddie.

Agora é diferente. A personagem do JBL é muito mais subtil, e enquanto muitos podem dizer que o Shawn Michaels consegue fazer um excelente combate com qualquer um, até o próprio HBK admitiria que o JBL apresentou uma personagem totalmente detestável para os fãs da RAW adorarem detestar.

Depois há o Chris Jericho. Falem-me de uma transformação total! A superstar antes conhecida com Y2J retirou de si próprio todas as características que o fizeram popular.

Gostavam da sua entrega carismática nas entrevistas. Ele ficou monótono. Gostavam das catchphrases? Também se foram embora.

Gostava da grande entrada, com as poses e movimentos de uma estrela de rock? Embora também!

A única coisa que sobrou foi um vilão perspicaz que entrega as suas falas com pouca emoção mas muita convicção. A resposta do Jericho àqueles que se lhe opõem é completamente diferente das respostas do Ayatollah of Rock 'n' Rolla, cujo clube de fãs tinha números consideráveis.

Enquanto toda a gente está, com todo o direito, a elogiar o discurso do Roddy Piper na RAW, muitos esquecem-se que o que fez a promo fantástica foi o facto de o discurso ter sido entregue ao Jericho, em cheio, com a sua personagem sujeita às criticas.

Mas não existem dois wrestlers que tenham demonstrado a arte de ser um heel mais que o Randy Orton e o Edge. Só precisam de ver a RAW desta semana para verem os dois a mostrarem as suas melhores qualidades.

O Adam "Edge" Copeland é o melhor heel que eu já vi em anos. Ele está no topo, sabe fazer papel de parvo quando necessário e é tão convencido que o público só que ver alguém a dar cabo dele.

Desde a sua devoção à Vickie Guerrero até à sua força em frente à fraqueza – mas medo em frente à adversidade – o Copeland fá-lo perfeitamente. Ele fala, queixa-se, grita e entrega as suas falas com tanta convicção que uma pessoa nunca sabe o que é que ele vai fazer a seguir, mas está interessada em descobrir.

O Copeland percebe como manter a personagem do Edge fresca mas não fixe, interessante mas sem humor e irresistível mas impossível de gostar. Só a maneira como ele disse “The Champ is...here!” ao Cena foi um momento tão bom, que se não fosse a conclusão da RAW, que provavelmente vai ser repetida em todas as promos até à Wrestlemania, toda toda a gente estaria a falar dele.

E aquele momento, onde o Shane McMahon foi pontapeado, a Stephanie McMahon levou com um RKO, e o HHH – só pelas suas acções – trouxe a público o seu casamento com uma McMahon foi tão memorável por causa da entrega e devoção da personagem mais interessante dos últimos tempos.

Por muito que o Edge tenha aperfeiçoado a arte de ser heel, o Randy Orton é de longe o carácter mais intrigante que a WWE alguma vez apresentou.

É completamente diferente do heel que se ri das suas próprias acções, se gaba das suas conquistas e se envolve na sua tirania.

Ele fez o que muitos poucos conseguiram fazer. Inovar. Ele deu-nos uma nova perspectiva. A sua personagem é guiada por demónios mas fica chocada com as suas próprias acções.

É o Bruce Banner a implorar para não impedirem a raiva que produz o Hulk, porque no fundo ele sabe que a quer. Ele precisa desse poder para conquistar os seus adversários. Ele gosta do sucesso e da atenção trazidos pela natureza explosiva das suas acções.

Ainda assim...e é aqui que o Orton se destaca...ele está cheio de medo das consequências das suas acções, seja uma suspensão, despedimento ou ter o que merece quando o babyface exercer a sua vingança...desta vez no main-event da Wrestlemania.

Então quem é o melhor heel?

Bem, o Copeland é fantástico no que faz. Enquanto muitos heels são apoiados pelo público, ele percebe o que é preciso fazer para que a personagem do Edge continue detestável, seja nas palavras, nas suas atitudes durante um combate ou durante as demonstrações de amor com a Vickie Guerrero. O Copeland é simplesmente fabuloso e ninguém o faz melhor que ele.

Mas na minha perspectiva, é o Orton que lidera. Ele está cada vez melhor no ringue. As suas promos são diferentes de todas as outras, e melhoraram tanto nestes últimos tempos que o catapultaram para o topo da lista, e ainda assim melhoram de semana para semana.

Aqui está a parte assustadora...ele nem sequer chegou aos 30! Imaginem quão bom é que ele vai ser daqui a uns anos. O HHH, o Shawn Michaels e o Undertaker já passaram a barreira dos 40.

Eles estão no topo por causa dos anos em que estiveram na ribalta, a habilidade de se adaptarem aos novos tempos e a grande quantidade de tempo de antena e publicidade investidos neles. O que é que irá acontecer quando o Orton chegar a essa idade?

Entramos na Era Dourada dos Heels, e enquanto existirem tão diversos personagens, o Randy Orton pontapeou a competição em cheio na cabeça. Ele tem a vantagem (He's got the Edge).
Com tecnologia do Blogger.