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Heyman Hustle #18

Se algum de vocês reparou, já não temos nenhum Heyman Hustle desde Fevereiro. A situação foi que a mãe do Paul Heyman faleceu, como ele refere no fim da crónica, e ele tirou dois meses para se afastar do The Sun.
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Surpreende-me o facto de, após quase uma década do seu pico de sucesso, o hall de bingo que está localizado no cruzamento entre a Swanson e as Ritner Streets em South Philadelphiam Pensylvania ainda é considerada uma das mais famosas arenas de wrestling em todo o mundo.


Inicialmente chamado de “Viking Hall”, o local que foi baptizado “Arena da ECW” tornou-se no esfumarado armazém onde ocorreram alguns dos mais memoráveis momentos da história da ECW original, como o indescritivelmente emocional PPV Barely Legal, no dia 13 de Abril de 1997.

O facto de os fãs virem de todo o mundo para ver os shows naquele buraco nunca me surpreendeu.

O edifício em si tinha personalidade. Tinha um carisma único. Não estavam só a andar para um edifício velho. Estavam a entrar numa casa onde qualquer coisa de especial podia acontecer, o que muitas vezes era verdade.

O que me surpreendeu até hoje foi o nº de pessoas que tentaram recapturar a magia da arena simplesmente marcando um show para aquele edificio, pensado que será como era antes.

Não se pode voltar a casa. Mas o Hardcore Holly, o Batman…toda a gente tentou.

O Tod Gordon, fundador da ECW, tentou com a Main Event Championship Wrestling e com a 3PW da Jasmin St.Claire. O empresário da indústria pornográfica, Rob Black, e o Shane Douglas tentaram com a XPW. O Court Bauer tentou com a Major League Wrestling.

O Ronnie Lang também falhou – abriu uma promoção construída em redor de vários ECW Originals – mas nunca passou além de um evento.

O atingo president executivo da ECW, o Steve Karel tentou com a Womens Extreme Group- O Jeremy Borash da TNA aproveitou o One Night Stand de 2005 com o bem recebido “Hardcore Homecoming”, mas tentou voltar para mais, o que não funcionou.

Oh, e é claro que não me esqueço – até o presidente da WWE, o Vince McMahon, tentou voltar à antiga arena da ECW algum tempo depois do relançamento da brand em 2006.

Apesar de o Rob Van Dam e o Cena terem levado a casa abaixo no main event, o show provou que a magia não voltaria a ser recapturada.

E a lista continua. Ainda hoje isto acontece, que pessoas a tentarem recapturar a magia que só resultou com aquele talento, aquela atmosfera, naquela altura.

Nesta passada semana, um evento digno de notícia aconteceu na arena. O Ric Flair fez a sua 1ª aparência lá.

A Ring of Honor, com a sua nova oportunidade de ser exibida na HDNet, decidiu gravar os seus shows semanais na “Meca” do wrestling Professional em South Philadelphia.

Aparentemente percebendo o significado histórico da primeira aparência do Flair no sítio onde em 1994 cantavam “Flair is dead”, o antigo escritor da WWE, o David Lagana – que agora ajuda a coordenar as gravações da ROH para a HDNet - teve a certeza que o Flair mencionava a herança da “Arena”, o que garantiu uma grande reacção por parte do público ao Nature Boy durante a sua promo.

A ROH, a única promoção que saiu das cinzas da ECW e que teve uma decisão inteligente de tentar criar o próprio estilo e não ser “a nova ECW” ainda está a tentar satisfazer as necessidades de um nicho.

Claramente a posicionar-se como uma promoção alternativa à World Wrestling Entertainment e à WWE-Wannabe TNA, a Ring of Honor está a fazer tudo o que pode para criar uma atmosfera excitante, talvez mágica, à volta da sua oportunidade televisiva.

Mas agora, a “Arena” pode ser palco de uma batalha interpromocional que muito onde provavelmente as duas promoções vão fazer tudo para capturar a atenção – e os dólares – dos fãs de South Philadelphia.

O Gabe Sapolsky, o antigo booker da ROH – e também um assistente meu quando eu ainda era o dono da antiga ECW – foi nomeado Vice Presidente da Dragon Gate USA, a promoção Americana que vai promover estrelas da companhia de high-flying Japonesa.

Entre eles estão favoritos como o Cima, um protegido do Ultimo Dragon e o mestre de algumas das mais inovativas submissões no sports entertainment, o Dragon Kid.

Alguns poderiam dizer que o Kid chegou até ao topo para se tornar – muito como o Asai era durante o seu tempo – não só num wrestler espectacular, como também no melhor grappler mascarado do mundo.

A Dragon Gate tem a oportunidade de trazer aos Estados Unidos um estilo que combina lucha libre, fantástico wrestling baseado em submissões e personagens que atraem uma audiência mais jovem.

Enquanto os nomes de Shingo, Naruko Doi e Masato Yoshino podem não estar na cabeça do público de Philadelphia, estes fantásticos performers estão a preparar-se para marcar uma posição na capital mundial do Cheese Steak.

É óbvio que existem desavenças entre a ROH e o seu antigo booker, e o Sapolsky atirou-se de cabeça para a batalha ao marcar a estreia da Dragon Gate USA não em Nova Iorque, não em Chicago, não em Miami e não em Los Angeles. Querem tentar adivinhar?

BINGO!

O Sapolsky marcou o show no dia 25 de Julho, em Philadelphia.

Em South Philadelphia, para ser exacto. No cruzamento entre a Swanson e a Ritner.

Sim, Dragon Gate USA vais-se estrear na “Arena”.

Parece que Philadelphia está prestes a tornar-se o campo de batalha entre as duas promoções.

Temos a ROH, com sete anos de experiência, a tentar promover-se como a alternativa, oferecer “um produto de qualidade” e estabelecer-se como um jogador legítimo, não só através da sua associação com a HDNet, mas também com do apoio do próprio Ric Flair.

E temos a jovem Dragon Gate, tentando expandir-se da sua base de fãs, esperando criar uma reputação como a mais excitante promoção de wrestling disponível ao consumidor em todo o mundo.

Como o Joey Styles poderia ter dito entusiasticamente à dez anos atrás, “Oh My God!”

A “Arena” está prestes a ficar EXTREMA!
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Como muitos de vocês sabem, a minha mãe, Sulamita Heyman, faleceu no passado dia de 27 de Fevereiro, e eu tirei algum tempo antes voltar a escrever aqui no The Sun.


Hoje, dia 15 de Abril, é o aniversário da libertação do campo de concentração de Bergen Belsen. Mais que o aniversário dela, este dia foi o dia mais importante do ano para a minha mãe.

Era o dia de lembrança, uma oportunidade de mostrar ao mundo que ela tinha sobrevivido uma das maiores atrocidades do mundo moderno.

Quando a minha mãe me contava a história desse dia, ela nunca se esquecia de mencionar que Bergen Belsen foi libertado pela 11ª Divisão Armada do Exército Britânico. A minha mãe, cuja família tinha sido morta, estava a sofrer de tifo e tinha talvez dias de vida.

Traz-me a mim e à minha família grande conforto voltar ao The Sun no dia do aniversário da Libertação.

Se para nada mais, ao menos dá-me a oportunidade de contar a história, e mencionar as grandes contribuições que aquele grupo de corajosos soldados Britânicos deram à história.

A minha mãe nunca vos esqueceu…e eu garanto-vos que, enquanto estiver vivo, estarei aqui para contar o grande feito que fizeram à exactamente 64 anos atrás.
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