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Heyman Hustle #20



Quero publicamente oferecer os meus sinceros parabéns à World Wrestling Entertainment pelo desenvolvimento da personagem do campeão mundiaI da Smackdown, CM Punk.

Existem muitas razões pelas quais barreiras estão a ser quebradas na WWE pelo Straight Edge de Chicago, Illinois, mas existe uma verdade absoluta…

A personagem do CM Punk foi posta em marcha e a WWE está a oferecer aos seus fãs uma oportunidade de investir emocionalmente nela.

Quando o Punk assinou o contracto com a WWE em 2005, ele era considerado um prodígio pela CWO.

O Punk foi enviado para a OVW, em Louisville, Kentucky para ser preparado para entrar no roster principal da WWE. Foi durante esta altura que me deram a função de escrever e produzir os shows televisivos da OVW.

O Gabe Sapolsky, um assistente meu na ECW original e o homem que “bookou” o Punk na Ring of Honor disse-me “Ele vai ser uma estrela, mesmo que demorem imenso tempo a percebe-lo”.

O Punk tornou-se o foco dos shows televisivos OVW e foi o assunto principal dos vários relatórios que enviava todas as semanas ao presidente da WWE, o Vince McMahon, ao Executivo das Relações com os Talentos, o John Laurinaitis, à Stephanie McMahon-LeVesque e a toda a equipa criativa.

Ainda assim, dos mais de trinta talentos chamados para o roster principal durante os 7 meses que eu lá tive, o Punk nunca foi chamado nem para a Smackdown nem para a RAW.

Eu percebo que cada pessoa tem uma visão diferente do talento de cada um, mas sempre me chocou a falta de atenção que davam ao fantástico storyteller e empenhado wrestler que era o Punk.

Os seus maneirismos subtis de heel na OVW eram a marca de um profissional, e quando era apresentado como babyface, a sua capacidade de se ligar ao público não podia ser negada.

Assim, quando tive de construir o roster para a ressuscitada ECW, o Punk foi a minha primeira escolha. Nem pensei duas vezes.

O Punk teve os seus problemas na WWE, e a maior parte deles deveram-se directamente ao facto de ele ser visto pelo Vince como um “gajo do Heyman”.

Eu detesto quando dizem que os wrestlers são um projecto de alguém. O Punk era um projecto da WWE, de onde ela podia tirar lucro.



O seu progresso não devia ter sido impedido pelo facto de os outros não terem a mesma opinião que eu tinha dele, ou por causa de eu tentar proteger um personagem que obviamente tinha criado uma ligação com o público e vice-versa.

Mas pouco tempo depois da minha saída da WWE, quando a necessidade de juventude era evidente, o foco começou a voltar a este carismático indivíduo.

Tal como o Rob Van Dam e o Jeff Hardy são uma antítese da visão do McMahon sobre uma verdadeira superstar, o Punk fala, luta e apresenta-se de uma maneira diferente de toda a gente no roster da WWE.

É por isso que a personagem dele funciona. Destaca-se.

Quando o Punk ganhou o Money In The Bank pela segunda vez, ninguém na WWE conseguia ver a direcção que o produto estava a seguir.

O Undertaker precisava de tempo para descansar. O Shawn Michaels também. E depois veio a bomba. O Jeff Hardy queria ir para casa, pelo menos por algum tempo.

Carregaram no botão de pânico.

O movimento criativo era óbvio. Apostar na juventude.

O Randy Orton era o centro do WWE Universe. O Cody Rhodes e o Ted DiBiase iam ajudá-lo a ganhar heat e seriam a primeira linha de defesa quando viesse a altura para o babyface brilhar.

Depois há o Chris Jericho. Apesar de embirrar com os velhos, a sua apresentação tornou-o num personagem novo, e como ele nunca se lesionou durante a sua carreira inteira, a WWE pôde contar com ele.

Depois existem as tentativas de criar novos main eventers, mas nada que fique na memória.

Os Colon Brothers tem como objectivo apelar ao publico Latino, mas a falta de ênfase nas tag teams na WWE não os deixa alcançar todo o seu potencial, apesar de serem campeões unificados.

O MVP é um babyface mas o público não tem razão nenhuma para o apoiar, para além do facto de ele andar com uma das apresentadoras do The View. Talvez se a WWE contasse a história da vida real deste criminoso que passou quase uma década na prisão mas conseguiu reabilitar-se e tornar-se numa estrela global, os fãs tivessem alguma razão para o apoiar.

O John Morrison é outro personagem que tem sido apresentado como um babyface, mas sem nada de interessante onde o público se possa agarrar. O Morrison tem tudo para se tornar o Heartbreak Kid desta geração, mas ele só vai subir na hierarquia quando o público tiver alguma razão para se importar com ele.

Assim, com todos os olhos no Orton, com o HBK, o Taker e o Batista lesionados e o HHH a precisar de descanso, os “pushes” dos Colons, do Morrison e do MVP a precisarem de tempo e atenção, e os despedimentos do Kennedy e do Umaga, a WWE estava a cair.

E com o futuro incerto do popular Jeff Hardy, o que é que se podia fazer?

A WWE pensou numa solução interessante.

Por o CM Punk em jogo.

Quando o Jeff Hardy derrotou o fantástico Adam 'Edge' Copeland pelo título num Ladder Match no Extreme Rules, o público adorou.

E a seguir veio o melhor momento desde que o Orton pontapeou a Stephanie.

O Punk veio ao ringue, cobrou o Money in The Bank e venceu o Hardy num combate pelo título.

Não o fez de maneira heel. Ele seguiu as regras.

Todos os campeões mundiais têm de defender o seu título contra os vencedores do Money in the Bank.

A semente estava plantada.

Será que o Punk era heel, aproveitando o cansaço do Hardy após ter vencido a Rated R Superstar num brutal combate?

Ou era um babyface, um homem cruel num mundo cruel, tomando uma decisão que provavelmente o The Rock ou o Stone Cold Steve Austin teriam tomado?

Nas próximas semanas, tenho a certeza que o Punk vai mostrar tanto traces de herói e vilão. Favorito e batoteiro. Babyface e heel.

A sua personagem, baseada nos seus princípios de se abster do álcool e da droga, pode ser apresentada tanto como um homem de princípios e um homem que fará tudo para manter o seu título.

Com a Smackdown à procura de maneiras de segurar o seu publico para a época pós Jeff Hardy, o público tem muito onde investir.

Como é que vai ser a despedida do Hardy?

É claro que têm de lhe dar um tempo. Um homem com duas violações da Wellness Policy que dá a conhecer o seu desejo de ir para casa não deve ser obrigado a ficar. Isso é a receita para um desastre.

Para onde é que o Edge vai? Será que existem heróis suficientes para enfrentar a adversidade personificada pelo Edge, pelo Jericho e pelo Punk?

Estará na altura do Edge (sem a Vickie Guerrero) se tornar na última esperança da Smackdown?

E o que é que acontece ao CM Punk?

Cada semana, enquanto novas pistas emergem neste debate de heel vs bayface, um wrestler excelente tem a oportunidade de agarrar o público e faze-lo perceber que ele é a personagem principal na Smackdown.

Quando o público sabe que o WWE Universe gira à volta de uma superstar, dá-lhes uma razão para discutir os últimos desenvolvimentos com os seus amigos, para ver os programas ou comprar bilhetes para os eventos ao vivo e talvez até para os PPV’s mensais.

Cada show que inclua o Punk torna-se um "must-see" porque ele é uma estrela em ascensão, e podem perder os eventos que vão levar ao próximo mega-push para a Wrestlemania.

Ou também para tentarem perceber o que é que a WWE vai fazer com o Punk ou com o título mundial.

Com a WWE a brincar com histórias como a compra da RAW pelo Donald Trump, e um main event secante e sem novos combates, ela deu-nos uma nova razão para nos voltarmos a interessar nos seus programas.

E essa razão é o CM Punk!
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