Heyman Hustle #21
Quando falamos em iniciativas para novos talentos, tanto a World Wrestling Entertainment como a TNA Wrestling têm a cabeça noutro lugar.
Impressiona-me o facto de, numa industria esfomeada por jovens talentos, ainda não exista um sistema que capitalize nos novos estilos e jovens que aí andam, desconhecidos a nível nacional (e no caso da WWE, global).
Uma “lap dancer” com talento tem uma maior possibilidade de ser descoberta e recrutada para o mundo do wrestling profissional do que uma atleta condecorada que está a tentar decidir entre WWE/TNA ou UFC/MMA.
Apesar de dar os parabéns ao Vince McMahon e aplaudir a decisão da companhia em lançar as carreiras das novas superstars no programa de terça à noite, a WWE ainda enfrenta a assustadora tarefa de descobrir onde encontrar a próxima geração de atletas para serem trazidos para o roster principal.
O processo de recrutamento, tanto na WWE na TNA não está só a falhar. Ele nem sequer existe. Na WWE, eles esperam que tu procures a oportunidade de entrar no líder do mercado do Sports Entertainment.
Por outras palavras, se tu não os procurares, eles não te encontram.
À alguns anos atrás, o Jim Ross mandava mensagem atrás de mensagem ao Vince e à Stephanie (e até ao produtor executive Kevin Dunn) quase a suplicar para que a empresa dedicasse mais tempo, esforço e recursos a um processo de recrutamento active, tal como na NFL, na NBA e na Major League Baseball.
"Se nós não resolvermos este problema agora,” disse o JR ao McMahon, “vamos pagar um preço muito caro nos próximos 5 anos por ignorarmos a situação.”
Já agora, isso foi à … oh … 5 anos atrás.
Isto não é uma acusação ao John Laurainaitis, sucessor do JR no departamento das relações com os talentos. As mãos dele estão atadas. O seu departamento está sob a direcção da Stephanie McMahon-LeVesque, e apesar de o Vince entender o conceito de “novo, único, diferente”, ele falha sempre quando se trata de encontrar e desenvolver novos estilos e superstars que vão definir as novas maneiras de apresentar o produto.
Em relação à TNA, o que é que eu posso escrever que não tinha sido já dito vezes sem conta?
A TNA passa mais tempo a promover o facto de o seu ringue ter 6 lados e a publicitar as estreias de antigos comentadores da WWE do que a investir na descoberta de novas superstars que consigam agarrar a atenção do público. Samoa Joe, a estrela criada pela (um paradoxo, se é que alguma vez existiu uma) torna-se heel só para ficar em “segundo lugar” em relação ao antigo main eventer da WWE, o Kurt Angle.
Além disso, o Joe não faz nada para que o público o deteste. Nada que faça os fãs vê-lo com desdém. Nada que faça os fãs da TNA pagarem só para o verem perder ou levar um enxerto de porrada.
Por amor de deus, ninguém no pro wrestling aprendeu alguma coisa com o Brock Lesnar no UFC 100?
Para tornar as coisas ainda piores, a TNA tinha o Taz(z?) pronto a estrear-se, e agora não há nenhuma razão para antecipar as contribuições do antigo campeão da ECW e soberbo comentador da Smackdown podia dar à TNA, porque ela era o homem misterioso não-misterioso, que vinha para aconselhar alguém que desiludiu todos os seus fãs para ser o novo fantoche do Kurt Angle na televisão.
Talvez o Joe vá com o Jeff Jarrett e as pessoas fiquem mais interessadas nisso do que nalguma coisa que aconteça nos programas televisivos ou PPV’s da TNA.
Conseguem imaginar o retorno que a TNA teria se a companhia gastasse esse tipo de energia e imaginação (ou falta dela) em novos talentos que nunca foram expostos a nível nacional? De onde virá o próximo “top guy”? Qual será o próximo estilo a ser implementando? Quantas vezes é que isto tem de ser dito até que a WWE e a TNA acordem e percebam que combates que nunca aconteceram estão a desaparecer porque cada vez menos e menos talentos têm a oportunidade de subir ao main event?
Aqui está um exemplo perfeito da arrogância mostrada pela WWE e pela TNA.
A Dragon Gate USA estreia-se amanhã em Philadelphia (esta crónica foi escrita na semana passada), no bingo hall convertido mais famoso do mundo. Escrevi sobre isto no The UK Sun no dia 15 de Abril. A promoção Dragon Gate, que têm um misto de wrestling de estilo japonês, high flying lucha libre e até um bocado de psicologia de ringue “à la” WWE oferece um produto cheio de energia direccionado a jovens e tem um nível de quase 100% de satisfação. Os seus shows, para ser simples, são simplesmente explosivos, e os fãs adoram-nos.
Ainda assim, quando falei com o meu velho assistente, o Gabe Sapolsky, agora o Vice-presidente da Dragon Gate USA, ele disse-me que não tinha recebido uma única chamada nem da WWE nem da TNA em relação à procura de novos talentos.
Os produtores da Broadway assistem a peças fora da Broadway. Os coordenadores dos talk shows revistam os clubes de comédia à procura de alguém especial. Os do futebol, basebol e basquetebol chantageiam uma maneira de falar com jogadores nas escolas secundárias. Mas no wrestling profissional, ninguém se pode dar ao trabalho de ir verificar uma jovem promoção, com uma grande relação com os seus clientes e um plantel cheio de estrelas que sabem interagir com o público. Isto faz algum sentido para vocês?
O Dragon Kid, cujo trabalho define o estilo da promoção tal como o Rey Mysterio definia a lucha libre moderna quando entrou na ECW junto com o Psicosis, está num dos main events contra o Masato Yoshino. Este é o combate que vai ser mais falado depois do show.

O Shingo, um antigo halterofilista que se tornou a estrela de topo da Dragon Gate quando o CIMA se lesionou em 2008, vai lutar contra o Naruko Doi, que está a ser posicionado também como uma estrela de topo. O Cima vai fazer equipa com o Susumu Yokosuka para enfrentar os Young Bucks, que têm andado a criar uma reputação nas independentes da California e da zona Nordeste.
Depois há o Kenn Doane, o antigo "Kenny Dykstra" e o líder "Spirit Squad." Este veterano de 1.87m e 100kg está quase no seu 23º ou 24º aniversário. Mas que promessa falhada. Ele não tem futuro, certo? Quero dizer, ele ainda mantêm a cabeça erguida, e ainda está a mostrar a mesma promessa que fez toda a gente compará-lo ao Randy Orton quando ele entrou no roster principal?Para quê verificar o seu comportamento no backstage e a sua interacção com o publico? Ele só tem 15 ou 20 anos no topo para oferecer à WWE e à TNA. Nenhuma das empresas precisa de alguém assim, certo?

Para quê dar-se ao trabalho de procurar talentos fora das televisões, quando sabem que ele (ou ela) está no modo de melhor comportamento quando está numa entrevista?
Porque é que alguém se devia preocupar em ver como é que a pessoa é no backstage ou no ringue... quando está sozinha.
Chegou a altura de tanto a World Wrestling Entertainment como a TNA deixarem de se preocupar só com os seus próximos PPV’s ou como os próximos programas televisivos os constroem. Um plano de 5 anos, a longo prazo, é preciso em ambas as empresas. Por quanto tempo é que o Triple H pode continuar nos main events da Wrestlemania? Será que o Undertaker e o Shawn Michaels irão ter outro combate classic daqui a 5 anos?
Estará a TNA a contar que o Kurt Angle, o Sting e o Mick Foley sejam headliners em 2014?
A resposta a todas essas perguntas é não e a questão que se segue é “o que é que vão fazer em relação a isso?”. E a resposta, para ser franco, é o principal problema da WWE e da TNA nos dias de hoje.
O Thomas Jefferson foi interpelado por um membro do seu staff, que queria plantar árvores no pátio da residência do Presidente. Na manhã seguinte, como conta a lenda, o Jefferson tirou toda a gente da cama às 4:30 da manhã porque tinham de começar a plantar já.
Quando ele lhe respondeu “mas senhor Presidente, vão ser precisos 100 anos para estas árvores crescerem completamente”, Jefferson ripostou “mais uma razão para começar já a trabalhar neste projecto”.
Um conselho ao Vince e à Dixie: Comecem a trabalhar neste projecto agora. 2014 vai chegar mais depressa do que vocês pensam.
Impressiona-me o facto de, numa industria esfomeada por jovens talentos, ainda não exista um sistema que capitalize nos novos estilos e jovens que aí andam, desconhecidos a nível nacional (e no caso da WWE, global).
Uma “lap dancer” com talento tem uma maior possibilidade de ser descoberta e recrutada para o mundo do wrestling profissional do que uma atleta condecorada que está a tentar decidir entre WWE/TNA ou UFC/MMA.
Apesar de dar os parabéns ao Vince McMahon e aplaudir a decisão da companhia em lançar as carreiras das novas superstars no programa de terça à noite, a WWE ainda enfrenta a assustadora tarefa de descobrir onde encontrar a próxima geração de atletas para serem trazidos para o roster principal.
O processo de recrutamento, tanto na WWE na TNA não está só a falhar. Ele nem sequer existe. Na WWE, eles esperam que tu procures a oportunidade de entrar no líder do mercado do Sports Entertainment.
Por outras palavras, se tu não os procurares, eles não te encontram.
À alguns anos atrás, o Jim Ross mandava mensagem atrás de mensagem ao Vince e à Stephanie (e até ao produtor executive Kevin Dunn) quase a suplicar para que a empresa dedicasse mais tempo, esforço e recursos a um processo de recrutamento active, tal como na NFL, na NBA e na Major League Baseball.
"Se nós não resolvermos este problema agora,” disse o JR ao McMahon, “vamos pagar um preço muito caro nos próximos 5 anos por ignorarmos a situação.”
Já agora, isso foi à … oh … 5 anos atrás.
Isto não é uma acusação ao John Laurainaitis, sucessor do JR no departamento das relações com os talentos. As mãos dele estão atadas. O seu departamento está sob a direcção da Stephanie McMahon-LeVesque, e apesar de o Vince entender o conceito de “novo, único, diferente”, ele falha sempre quando se trata de encontrar e desenvolver novos estilos e superstars que vão definir as novas maneiras de apresentar o produto.
Em relação à TNA, o que é que eu posso escrever que não tinha sido já dito vezes sem conta?
A TNA passa mais tempo a promover o facto de o seu ringue ter 6 lados e a publicitar as estreias de antigos comentadores da WWE do que a investir na descoberta de novas superstars que consigam agarrar a atenção do público. Samoa Joe, a estrela criada pela (um paradoxo, se é que alguma vez existiu uma) torna-se heel só para ficar em “segundo lugar” em relação ao antigo main eventer da WWE, o Kurt Angle.
Além disso, o Joe não faz nada para que o público o deteste. Nada que faça os fãs vê-lo com desdém. Nada que faça os fãs da TNA pagarem só para o verem perder ou levar um enxerto de porrada.
Por amor de deus, ninguém no pro wrestling aprendeu alguma coisa com o Brock Lesnar no UFC 100?
Para tornar as coisas ainda piores, a TNA tinha o Taz(z?) pronto a estrear-se, e agora não há nenhuma razão para antecipar as contribuições do antigo campeão da ECW e soberbo comentador da Smackdown podia dar à TNA, porque ela era o homem misterioso não-misterioso, que vinha para aconselhar alguém que desiludiu todos os seus fãs para ser o novo fantoche do Kurt Angle na televisão.
Talvez o Joe vá com o Jeff Jarrett e as pessoas fiquem mais interessadas nisso do que nalguma coisa que aconteça nos programas televisivos ou PPV’s da TNA.
Conseguem imaginar o retorno que a TNA teria se a companhia gastasse esse tipo de energia e imaginação (ou falta dela) em novos talentos que nunca foram expostos a nível nacional? De onde virá o próximo “top guy”? Qual será o próximo estilo a ser implementando? Quantas vezes é que isto tem de ser dito até que a WWE e a TNA acordem e percebam que combates que nunca aconteceram estão a desaparecer porque cada vez menos e menos talentos têm a oportunidade de subir ao main event?
Aqui está um exemplo perfeito da arrogância mostrada pela WWE e pela TNA.
A Dragon Gate USA estreia-se amanhã em Philadelphia (esta crónica foi escrita na semana passada), no bingo hall convertido mais famoso do mundo. Escrevi sobre isto no The UK Sun no dia 15 de Abril. A promoção Dragon Gate, que têm um misto de wrestling de estilo japonês, high flying lucha libre e até um bocado de psicologia de ringue “à la” WWE oferece um produto cheio de energia direccionado a jovens e tem um nível de quase 100% de satisfação. Os seus shows, para ser simples, são simplesmente explosivos, e os fãs adoram-nos.
Ainda assim, quando falei com o meu velho assistente, o Gabe Sapolsky, agora o Vice-presidente da Dragon Gate USA, ele disse-me que não tinha recebido uma única chamada nem da WWE nem da TNA em relação à procura de novos talentos.
Os produtores da Broadway assistem a peças fora da Broadway. Os coordenadores dos talk shows revistam os clubes de comédia à procura de alguém especial. Os do futebol, basebol e basquetebol chantageiam uma maneira de falar com jogadores nas escolas secundárias. Mas no wrestling profissional, ninguém se pode dar ao trabalho de ir verificar uma jovem promoção, com uma grande relação com os seus clientes e um plantel cheio de estrelas que sabem interagir com o público. Isto faz algum sentido para vocês?
O Dragon Kid, cujo trabalho define o estilo da promoção tal como o Rey Mysterio definia a lucha libre moderna quando entrou na ECW junto com o Psicosis, está num dos main events contra o Masato Yoshino. Este é o combate que vai ser mais falado depois do show.
O Shingo, um antigo halterofilista que se tornou a estrela de topo da Dragon Gate quando o CIMA se lesionou em 2008, vai lutar contra o Naruko Doi, que está a ser posicionado também como uma estrela de topo. O Cima vai fazer equipa com o Susumu Yokosuka para enfrentar os Young Bucks, que têm andado a criar uma reputação nas independentes da California e da zona Nordeste.
Depois há o Kenn Doane, o antigo "Kenny Dykstra" e o líder "Spirit Squad." Este veterano de 1.87m e 100kg está quase no seu 23º ou 24º aniversário. Mas que promessa falhada. Ele não tem futuro, certo? Quero dizer, ele ainda mantêm a cabeça erguida, e ainda está a mostrar a mesma promessa que fez toda a gente compará-lo ao Randy Orton quando ele entrou no roster principal?Para quê verificar o seu comportamento no backstage e a sua interacção com o publico? Ele só tem 15 ou 20 anos no topo para oferecer à WWE e à TNA. Nenhuma das empresas precisa de alguém assim, certo?
Para quê dar-se ao trabalho de procurar talentos fora das televisões, quando sabem que ele (ou ela) está no modo de melhor comportamento quando está numa entrevista?
Porque é que alguém se devia preocupar em ver como é que a pessoa é no backstage ou no ringue... quando está sozinha.
Chegou a altura de tanto a World Wrestling Entertainment como a TNA deixarem de se preocupar só com os seus próximos PPV’s ou como os próximos programas televisivos os constroem. Um plano de 5 anos, a longo prazo, é preciso em ambas as empresas. Por quanto tempo é que o Triple H pode continuar nos main events da Wrestlemania? Será que o Undertaker e o Shawn Michaels irão ter outro combate classic daqui a 5 anos?
Estará a TNA a contar que o Kurt Angle, o Sting e o Mick Foley sejam headliners em 2014?
A resposta a todas essas perguntas é não e a questão que se segue é “o que é que vão fazer em relação a isso?”. E a resposta, para ser franco, é o principal problema da WWE e da TNA nos dias de hoje.
O Thomas Jefferson foi interpelado por um membro do seu staff, que queria plantar árvores no pátio da residência do Presidente. Na manhã seguinte, como conta a lenda, o Jefferson tirou toda a gente da cama às 4:30 da manhã porque tinham de começar a plantar já.
Quando ele lhe respondeu “mas senhor Presidente, vão ser precisos 100 anos para estas árvores crescerem completamente”, Jefferson ripostou “mais uma razão para começar já a trabalhar neste projecto”.
Um conselho ao Vince e à Dixie: Comecem a trabalhar neste projecto agora. 2014 vai chegar mais depressa do que vocês pensam.