Tomos de Eternidade
Esta semana pretendo analisar um preconceito do wrestling, o preconceito dos Homens Grandes.
Mas antes que se ponham a achar que eu vou atacar o suposto fetiche do Vince MacMahon que envolve homens grandes e musculados, (o que em si tem muito de tonto, uma vez que está mais que provado que Homens Grandes são Draws, além de tal ser uma caminho muito fácil de seguir) eu passo a explicar que o meu objectivo é de atacar o estereótipo que a CWO tem em relação aos Homens Grandes no wrestling!
O fetiche é mais que conhecido. Homens Grandes pouco mais são montes de músculos bronzeados e oleados, quase que imóveis no ringue, e que apenas utilizam meia dúzia de MOVEZ!! durante os combates, todos eles power-moves, o que apenas demonstra a sua total inaptidade no wrestling! Uns autênticos cepos! E para além do mais estes tipos têm a AUDÁCIA de receber todos os pushes para chegarem ao título, enquanto todos os gajos baixinhos e magros, que correm como lebres no ringue, que têm listas de MOVEZ!! do tamanho de enciclopédias, e que por essas razões são wrestlers fantásticos, com habilidades inigualáveis!!!
Aqueles que não apanharam o sarcasmo evidente no último parágrafo são convidados a sair, pois a coisa só vai piorar.
Nesta última década cada vez mais se desenvolveu o estigma de que no wrestling, quantidade é qualidade, e que a habilidade de um wrestler é determinada pela quantidade de golpes que ele é capaz de despejar num combate. Para isto muito contribuíram as indies Norte-Americanas, particularmente o Ring of Honor cuja Workrate foi cantada aos quatro ventos durante uma série de anos. O problema tende a residir no facto de que Workrate e Psicologia são dois aspectos completamente diferentes do wrestling, na medida em que um Grande combate não necessita inevitavelmente de Workrate, mas este não pode sobreviver sem Psicologia, sem uma história a ser contada. O problema claramente advém desta mentalidade dos fans que equacionam habilidade com o número de spots, mergulhos e golpes que são capazes de utilizar num combate, não tendo ainda chegado á fase em que compreendem que a regra fundamental do wrestling é. Que Menos é Mais!
Com o tempo a coisa vai lá, pois apôs uma certa altura já não existem muitos golpes ou spots que nos possam verdadeiramente surpreender, e começamos a ver que o timing dos mesmos é que derradeiramente decide se estes funcionam no contexto do combate ou não. Eu por exemplo já fiquei indiferente perante ver um wrestler cair do topo dum escadote, partindo uma mesa( ou duas) pelo meio, mas um simples bodyslam fora do ringue já me fez ficar arrepiado. Um wrestler estar a encher outro com cadeiradas já me fez bocejar, mas um Boston Crab já foi a submissão mais dolorosa á face da terra. O que separa um do outro é obviamente o timing e psicologia.
Mas divago.
Os Homens Grandes obviamente são vítimas desta “discriminação”, pois se á partida se tem mais de 130 kg, e com uma altura perto do metro e 90, tendem a ser categorizados como “cepos”, que a única coisa que têm a oferecer é a intimidação que advém do seu tamanho, e parte-se do princípio que são uns incapazes no ringue.
Este foi o tipo de tratamento que o Umaga recebeu aquando da sua estreia( ainda mais com a gimmick de selvagem primitivo), mas que passados uns anos foi dissipada quando toda a sua habilidade em ringue foi mostrada por meio de grandes combates com John Cena, HHH, Jeff Hardy, etc. E quando a WWE o despediu muitos foram os que lamentaram a perda dum wrestler tão bom. Da mesma forma, caso o Vader fizesse a sua estreia hoje em dia, ele seria etiquetado como um gordo inútil, e o seu potencial seria ignorado pelos fans.
Algo que muitos ainda não compreenderam é que, embora seja interessante ver um tipo com 130 kg a mergulhar para fora do ringue, o papel desse tipo de wrestler é ser uma muralha, uma parede, um “Objecto Amovível”, um obstáculo que o adversário necessita de todas as sua forças para o ultrapassar, e esse conflito torna o combate interessante. Um Homem Grande não necessita de fazer mergulho com rotação de 360º, com dupla pirueta, um simples murro deve ser capaz de causar danos enormes! A boa regra do “Menos é Mais”, toda, e eu digo TODA a ofensiva dum wrestler deste tamanho deve ser vendida até á morte, pois o combate fica muito mais interessante se o mais pequeno movimento pode acabar com o combate. Esta é uma das razões que me leva a adorar o Gancho de Direita que é o actual finisher do Big Show, é simples, pode vir a qualquer momento, e se um homem daquele tamanho me dá um murro na cara então eu estou feito...
A meu ver um grande problema que este tipo de wrestler enfrenta é quando o adversário não vende adequadamente a sua ofensiva, o que o descredibiliza, e faz com que o combate perca interesse. O HHH durante certa altura era particularmente culpado disto.
Este estigma torna-se ainda mais estúpido devido ao facto de muitos destes wrestlers serem verdadeiramente bons no seu mester( Vader, Umaga, Big Show, Andre antes da doença o debilitar, Hulk Hogan quando não lhe dava a preguiça), serem capazes de ter combates muito bons se o adversário os ajudar (Lex Luger, Mark Henry, Kane, Great Khali) ou dependendo do seu estado de espírito, particularmente a sua motivação( o Batista é um excelente exemplo, tem grandes combates quando está com a “pica”, mas arrasta-os em caso contrário).
Estes wrestlers podem não ser os mais atléticos ou os mais rápidos, mas poucas coisas no wrestling superam o esforço do underdog necessário para “escalar” e conquistar estas montanhas aparentemente insuperáveis. É simples, não tem nada de novo, mas nunca deixa de ser fantástico quando bem feito!
Por isso, da próxima vez que virem o Big Show a combater, em vez de se lamuriarem por ele não andar a correr dum lado para o outro, e a saltar do topo das cordas, pensem que o papel dele é o de ser a parede que deve a todo o custo ser mandada abaixo, mas a qual é ao mesmo tempo semi-indestrutível.
Uma boa semana a todos.
manjiimortal
“ Death is merciless. But let me tell you... Not being able to die is crueller still.”
Mas antes que se ponham a achar que eu vou atacar o suposto fetiche do Vince MacMahon que envolve homens grandes e musculados, (o que em si tem muito de tonto, uma vez que está mais que provado que Homens Grandes são Draws, além de tal ser uma caminho muito fácil de seguir) eu passo a explicar que o meu objectivo é de atacar o estereótipo que a CWO tem em relação aos Homens Grandes no wrestling!
O fetiche é mais que conhecido. Homens Grandes pouco mais são montes de músculos bronzeados e oleados, quase que imóveis no ringue, e que apenas utilizam meia dúzia de MOVEZ!! durante os combates, todos eles power-moves, o que apenas demonstra a sua total inaptidade no wrestling! Uns autênticos cepos! E para além do mais estes tipos têm a AUDÁCIA de receber todos os pushes para chegarem ao título, enquanto todos os gajos baixinhos e magros, que correm como lebres no ringue, que têm listas de MOVEZ!! do tamanho de enciclopédias, e que por essas razões são wrestlers fantásticos, com habilidades inigualáveis!!!
Aqueles que não apanharam o sarcasmo evidente no último parágrafo são convidados a sair, pois a coisa só vai piorar.
Nesta última década cada vez mais se desenvolveu o estigma de que no wrestling, quantidade é qualidade, e que a habilidade de um wrestler é determinada pela quantidade de golpes que ele é capaz de despejar num combate. Para isto muito contribuíram as indies Norte-Americanas, particularmente o Ring of Honor cuja Workrate foi cantada aos quatro ventos durante uma série de anos. O problema tende a residir no facto de que Workrate e Psicologia são dois aspectos completamente diferentes do wrestling, na medida em que um Grande combate não necessita inevitavelmente de Workrate, mas este não pode sobreviver sem Psicologia, sem uma história a ser contada. O problema claramente advém desta mentalidade dos fans que equacionam habilidade com o número de spots, mergulhos e golpes que são capazes de utilizar num combate, não tendo ainda chegado á fase em que compreendem que a regra fundamental do wrestling é. Que Menos é Mais!
Com o tempo a coisa vai lá, pois apôs uma certa altura já não existem muitos golpes ou spots que nos possam verdadeiramente surpreender, e começamos a ver que o timing dos mesmos é que derradeiramente decide se estes funcionam no contexto do combate ou não. Eu por exemplo já fiquei indiferente perante ver um wrestler cair do topo dum escadote, partindo uma mesa( ou duas) pelo meio, mas um simples bodyslam fora do ringue já me fez ficar arrepiado. Um wrestler estar a encher outro com cadeiradas já me fez bocejar, mas um Boston Crab já foi a submissão mais dolorosa á face da terra. O que separa um do outro é obviamente o timing e psicologia.
Mas divago.
Os Homens Grandes obviamente são vítimas desta “discriminação”, pois se á partida se tem mais de 130 kg, e com uma altura perto do metro e 90, tendem a ser categorizados como “cepos”, que a única coisa que têm a oferecer é a intimidação que advém do seu tamanho, e parte-se do princípio que são uns incapazes no ringue.
Este foi o tipo de tratamento que o Umaga recebeu aquando da sua estreia( ainda mais com a gimmick de selvagem primitivo), mas que passados uns anos foi dissipada quando toda a sua habilidade em ringue foi mostrada por meio de grandes combates com John Cena, HHH, Jeff Hardy, etc. E quando a WWE o despediu muitos foram os que lamentaram a perda dum wrestler tão bom. Da mesma forma, caso o Vader fizesse a sua estreia hoje em dia, ele seria etiquetado como um gordo inútil, e o seu potencial seria ignorado pelos fans.
Algo que muitos ainda não compreenderam é que, embora seja interessante ver um tipo com 130 kg a mergulhar para fora do ringue, o papel desse tipo de wrestler é ser uma muralha, uma parede, um “Objecto Amovível”, um obstáculo que o adversário necessita de todas as sua forças para o ultrapassar, e esse conflito torna o combate interessante. Um Homem Grande não necessita de fazer mergulho com rotação de 360º, com dupla pirueta, um simples murro deve ser capaz de causar danos enormes! A boa regra do “Menos é Mais”, toda, e eu digo TODA a ofensiva dum wrestler deste tamanho deve ser vendida até á morte, pois o combate fica muito mais interessante se o mais pequeno movimento pode acabar com o combate. Esta é uma das razões que me leva a adorar o Gancho de Direita que é o actual finisher do Big Show, é simples, pode vir a qualquer momento, e se um homem daquele tamanho me dá um murro na cara então eu estou feito...
A meu ver um grande problema que este tipo de wrestler enfrenta é quando o adversário não vende adequadamente a sua ofensiva, o que o descredibiliza, e faz com que o combate perca interesse. O HHH durante certa altura era particularmente culpado disto.
Este estigma torna-se ainda mais estúpido devido ao facto de muitos destes wrestlers serem verdadeiramente bons no seu mester( Vader, Umaga, Big Show, Andre antes da doença o debilitar, Hulk Hogan quando não lhe dava a preguiça), serem capazes de ter combates muito bons se o adversário os ajudar (Lex Luger, Mark Henry, Kane, Great Khali) ou dependendo do seu estado de espírito, particularmente a sua motivação( o Batista é um excelente exemplo, tem grandes combates quando está com a “pica”, mas arrasta-os em caso contrário).
Estes wrestlers podem não ser os mais atléticos ou os mais rápidos, mas poucas coisas no wrestling superam o esforço do underdog necessário para “escalar” e conquistar estas montanhas aparentemente insuperáveis. É simples, não tem nada de novo, mas nunca deixa de ser fantástico quando bem feito!
Por isso, da próxima vez que virem o Big Show a combater, em vez de se lamuriarem por ele não andar a correr dum lado para o outro, e a saltar do topo das cordas, pensem que o papel dele é o de ser a parede que deve a todo o custo ser mandada abaixo, mas a qual é ao mesmo tempo semi-indestrutível.
Uma boa semana a todos.
manjiimortal
“ Death is merciless. But let me tell you... Not being able to die is crueller still.”