The Trooper VIII
Hello party people,
Nos últimos tempos devo ter lido o mais fantástico (or maybe not) argumento que defende o wrestling praticado na ROH e em algumas divisões da TNA (X-Division?), o “Puro Spotfest”. Alguém argumentou que o Manjimortal era um fã de “palhaçada” apenas por gostar do estilo praticado nos anos 80, e que o verdadeiro wrestling era, em certa medida, este tipo de “espectáculo”. Pois bem, passei uns tempinhos a analisar a situação (cerca de 10 minutos. Not.) e atingir várias conclusões, algumas aparentemente bastante precipitadas, mas que apenas seguem o senso comum, não sendo por isso preciso um vastíssimo conhecimento sobre a modalidade. Antes de mais, quero pedir que pensem um pouquinho antes de mandar as habituais “bocas” sem qualquer tipo de fundamento, ou assentes em alicerces de cartão (*RIR*). Numa última nota introdutória quero deixar expresso (e muito bem) que eu não tenho este tipo de wrestling como preferido, mas, e como a velha questão “TNA”, sei defender o que não é de minha preferência e atacar o que gosto. É uma questão de realismo.
Começando. Na semana passada defendi em grande parte o Wrestling praticado na “Attitude Era”, bem como alguns elementos que sempre estiveram presentes nesta “modalidade” mas que se perderam na maior companhia mundial. Acho que quem leu não precisa que lhe avive a memória, e quem não entender patavina do que estou para aqui a dizer pode sempre ir consultar a VII edição do meu espaço. Adiante. Não referi no título, mas com o argumento que foi apresentado não pude deixar de soltar uma gargalhada, até porque é das coisas mais mal construídas que já li. Estou a cair na redundância. Vou lançar um exemplo musical: Os Black Sabbath foram a primeira banda Heavy Metal, aparecendo na década de 60. Os Slipknot (nojo) apareceram na década de 90 com um Metal mais pesado. Isso faz deles “verdadeiro metal”? Não, faz deles uma evolução do mesmo (e muito má, por sinal). Mas não é isso que estou a debater. Deixo aqui um link bastante útil para aqueles que não conseguiram contextualizar o meu exemplo: Link. Não se fiquem pela primeira parte ou vão pensar que o Wrestling é luta Greco-romana. O Pro-wrestling sempre foi uma forma de fazer teatro com elementos de combate, tentando mostrar uma história, tanto em ringue como fora dele, contendo personagens e heróis/vilões. Assim, o Wrestling mais parecido ao original que se pode encontrar no “mainstream” é o praticado pela WWE, ainda que lhe faltem alguns elementos que se foram diluindo durante todos estes anos.
Mas se formos pegar no que o Manjimortal considera como “O Wrestling”, vamos encontrar uma fórmula quase (eu disse quase) pura desta forma de espectáculo, onde o mais simples movimento da 3ª corda é recebido com entusiasmo, e onde um mero “german suplex” é considerado algo devastador e de outro mundo. Trazendo pela centésima vez o exemplo de “John Cena”, este pode ser considerado um lutador bem à moda dos anos 80, onde um simples movimento, como o Five Knuckle Shuffle, tem de ser recebido com um impacto fantástico, ainda para mais com a condicionante de Cena ser uma superstar “face”. Por isso, onde é que as pessoas vêm o verdadeiro wrestling como aquele praticado na TNA? Ou ainda pior, na Ring of Honor? Mas ainda não terminei, pessoal. Um outro argumento que já tive a oportunidade de ler dizia algo nos seguintes campos: “A WWE é Sports Entertainment e a TNA é Pro-Wrestling”. Sabem o que digo? Bullshit! Será que eu, que não tenho tanto conhecimento sobre wrestling como a maioria dos meus colegas de blogue, terei de dar uma pequena lição de história? Podem encontrar o que vou dizer naquele link acima. O termo “Sports Entertainment” foi popularizado por Vince McMahon (outra fonte) para deixar de ter as comissões reguladoras “à perna”. Entendem agora porque é que virtualmente qualquer empresa de wrestling pratica isto? Todas, repito, todas fazem teatro com elementos de combate.
Apesar de estar mais que refutado tal argumento, ainda posso inferir uma coisa: Sports Entertainment é o termo, pro-wrestling é a “modalidade”. Uns não usam o primeiro termo, até porque está mais que disseminado e já não estamos em 1980, mas a WWE opta por utilizar o mesmo. Espero que não tentem passar um dia destes alguma das outras companhias como “Freestyle wrestling” ou algo assim, até porque este texto deu algum trabalho para ser redigido. Até este ponto, claro. Fazendo agora um somatório de tudo o que disse, quem é adepto do Wrestling da década de 80 não está a assistir a algo que é para “miúdos”, está apenas a ver a forma mais básica da modalidade, apreciando a sua “pureza” quase inalterável na altura. Sim, muitas crianças assistiam aos shows, como acontece hoje na empresa de Connecticut, mas o Wrestling “a sério” sempre foi e sempre será um produto para as “massas”. Quanto ao argumento do “pro-wrestling”, acho que se encontra bem refutado. Por menos ênfase que a ROH dê às storylines ou a TNA à luta clássica, não nos podemos esquecer que todos os elementos continuam lá, tendo sofrido mutações com o tempo. E, por muito que massacrem, “Spotfest” não é Wrestling a sério. É apenas uma forma de entretenimento fácil e que acaba por retirar o impacto a toda uma “dança” de ringue.
Para terminar, quero agradecer às pessoas que comentam pelos seus argumentos, já que consegui arranjar material para duas crónicas que, a meu ver, estão bastante bem conseguidas. Ficam aqui as minhas palavras como fã que sabe reconhecer o valor onde ele está e apontar dedos quando é necessário. Não tenho duas palas para a WWE, mas há aqui muito boa gente que não suporta a ideia de existir uma outra forma de pensar, assumindo todas as suas palavras como certas e tentando ridicularizar uma coisa sem conhecimento de causa. Sim, sei que defendi (em certa parte) um pouco do que critiquei a semana passada, mas tenham sempre em mente que foi em dois contextos completamente distintos. Fiquem bem.
Up the Irons |m|