A essência de ser um “heel” por JBL – Parte I

JBL um dos maiores heels que a WWE já teve nas suas fileiras, escreveu um grande artigo onde fala da arte de ser heel e de todos os truques que envolve. JBL recorda vários episódios do passado e do modo como vivia a sua gimmick ao extremo. Uma leitura recomendada de um artigo cuja tradução aqui fica e será apresentada em duas partes.....
Ser “heel” no wrestling profissional é muito simples, somente têm de fazerem as pessoas vos odiarem.
Eu aprendi a arte através de alguns dos melhores de sempre, Dick Murdoch, Stan Hansen, Skandor Akbar, Freebirds e o melhor de todos, Dave “Fit” Finlay.
Vivi durante dois anos na Europa no início dos anos 90 onde passei esse tempo a combater para Otto Wanz e Peter William na Catch Wrestling. Basicamente era um circuito de shows que iam de festa em festa por toda a Europa e vivíamos como a gente dessas andanças, partilhando tudo com eles, inclusive o parque de estacionamento que era a nossa casa.
Vivamos en caravanas atrás das tendas que eram a arena de wrestling. A minha caravana tinha 5 por 2 metros sem água corrente e de cada vez que tinha de tomar um banho ou ir a casa de banho tinha de sair de lá e ir à tenda ou edifício onde estivéssemos, excepto se fosse em Bremen em que tinha de andar a pé cerca de 400 a 800 metros a pé na noite gélida. Em Graz, terra do Arnold (Schwarzenegger) e em Viena, durante o Verão vivíamos num acampamento com ciganos que estavam em viagem.
Um dia sentado no balneário estava um jovem que havia regressado do ringue. Ele tinha dois metros e que estava todo contente pois tinha aplicado no ringue um dropkick e uma hurricarana o que digamos é impressionante para o seu tamanho, Fit Finlay que havia combatido contra ele quando regressou disse que fizeram um bom trabalho e que o público tinha adorado tudo e o jovem agradeceu.
O que Fit disse de seguida é a essência de ser um heel, “nunca mais faças isso”. Assim sem mais nem menos, esta é a essência de ser heel.
O jovem nunca percebeu isso, ele adorava criar um pop no público. O jovem nunca entendeu que sendo heel nunca iria fazer dinheiro se o público o adorasse, pelo contrário, tinha de fazer com que o publico te odiasse. Não preciso dizer que esse jovem não foi longe no wrestling, até podia ter ido mas gostava muito do apoio do público.
Alguns conseguem fazer isso, mas lá no fundo a maioria gosta de ser adorado pelo público, Eles sabem como funciona mas não conseguem evitar serem apoiados. Inúmeras vezes ouvi os rapazes que regressavam ao backstage dizerem “Hoje há uma grande secção heel” e eles diziam isso com orgulho como se tivessem feito algo de bom. A verdade é que não estavam, pois se eles forem aplaudidos por alguém, eles estão a falhar o seu objectivo que é ser heel.
Qualquer lutador que seja heel por um certo período de tempo, começa a ganhar fãs. Eu nunca deixava isso acontecer. Quando eu via alguém com uma toalha e um chapéu de cowboy semelhante a mim, eu logo me dirigia a essa pessoas e dizia-lhe que “não precisava que um pobretanas que vive na miséria tente estar bem pela primeira na vida à sua custa”. Eu queria ser odiado por toda a gente, não só por 99% do público.
Certa vez estava Curt Hennig a combater Hillbilly Jim num house shows e um fã está a gritar com Hillbilly e logo o Curt-Curt tirou a chiclete que tinha na boca, meteu-a na mão e logo tratou de meter a mão na cara do fã. O fã ficou em choque e logo passou a apupar Curt. Hillbilly e Curt fizeram o lock-up e Curt somente disse “Perfect”. Agora o Curt era o heel e Hillbilly Jim o babyface, tal como era suposto ser.
Existem excepções, os tweeners que nem são babyface nem heel que são uma excepção. Não vou falar deles e falarei somente dos puros heels que querem o heat, montes de heat.
Eu ia ao extremo na arte de se heel. Não assinava autógrafos, não permitia a venda de merchandise com o meu nome e não permitia a presença de imprensa nas presenças que fazia para a caridade. Eu não queria que ninguém pensasse que eu era bom. Eu fazia tudo isso porque eu vivia a gimmick, actualmente isso já não acontece mas se ainda vir um grupo de smarts no aeroporto eu faço de tudo para me odiarem, normalmente ignoro-os e passou por eles sem lhes responder. Eu sei como eles estariam no show e eu não quero que eles pensem que sou boa pessoa.
Exagerado? Sim mas a pessoa de quem eu copiei a gimmick, JR Ewing usava sempre um chapéu de cowboy em qualquer local em que estivesse a filmar Dallas de modo a manter a imagem.
Agora tudo isso mudou pois vive-se um ambiente de corporação estéril mas também tenho de dar a mão à palmatoria e dizer que agora com mais ênfase na saúde que as cosias ficaram muito melhores comparadas com os tempos do Wild West quando eu comecei.
Lembro-me de um dia num house-show per pegado no micro e logo um grupo de smarts começou um cântico de “Boo-oo-o-ring” e eu ainda nem tinha dito uma palavra. Assim eu aguardei e tentei começar a promo mas o cântico persistia. Perante isto a minha decisão foi pedir uma cadeira.
Sentei-me no meio do ringue sem dizer uma única palavra. Nada, não disse nada, somente me sentei. Tony Chimel que era o ring announcer perguntou-me, “não vais fazer anda?” Não! Aquele momento pareceu uma eternidade, os cânticos começaram a baixar de intensidade até que pararam. O público descansou no main-event com o heel do combate a sentar-se no ringue sem dizer uma palavra.
Chimel disse “Eu imploro-te, faz alguma cosia”. Eu olhei para ele e não disse nada.
Uns momentos depois lá começou, o público murmura e logo vieram os apupos e cada vez mais fortes. Eu peguei no micro e disse: “ Agora que finalmente está percebido quem é o patrão, eu vou começar”. O público estava em alvoroço e logo começou a atirar objectos para o ringue. Eu fiz a minha promo para criar um fantástico heat para assim o babyface vir para o ringue e começar a dominar deixando toda a gente satisfeita.
Quando regressei ao backstage, o agente que acho que era o Arn Anderson disse, ”Já não via algo assim há mitos anos” e ambos rimo-nos. Não podes deixar a público te controlar, tu é que o tens de controlar. Tu fazes isso para o seu contentamento para no final de tudo eles ficarem satisfeitos mas para isso tens de ter o controlo. Se o publico está a controlar eles verão o babyface a vir e squashar o heel- maneira perfeita de bookar um território fechado.
__________________________________________________
Ser “heel” no wrestling profissional é muito simples, somente têm de fazerem as pessoas vos odiarem.
Eu aprendi a arte através de alguns dos melhores de sempre, Dick Murdoch, Stan Hansen, Skandor Akbar, Freebirds e o melhor de todos, Dave “Fit” Finlay.
Vivi durante dois anos na Europa no início dos anos 90 onde passei esse tempo a combater para Otto Wanz e Peter William na Catch Wrestling. Basicamente era um circuito de shows que iam de festa em festa por toda a Europa e vivíamos como a gente dessas andanças, partilhando tudo com eles, inclusive o parque de estacionamento que era a nossa casa.
Vivamos en caravanas atrás das tendas que eram a arena de wrestling. A minha caravana tinha 5 por 2 metros sem água corrente e de cada vez que tinha de tomar um banho ou ir a casa de banho tinha de sair de lá e ir à tenda ou edifício onde estivéssemos, excepto se fosse em Bremen em que tinha de andar a pé cerca de 400 a 800 metros a pé na noite gélida. Em Graz, terra do Arnold (Schwarzenegger) e em Viena, durante o Verão vivíamos num acampamento com ciganos que estavam em viagem.
Um dia sentado no balneário estava um jovem que havia regressado do ringue. Ele tinha dois metros e que estava todo contente pois tinha aplicado no ringue um dropkick e uma hurricarana o que digamos é impressionante para o seu tamanho, Fit Finlay que havia combatido contra ele quando regressou disse que fizeram um bom trabalho e que o público tinha adorado tudo e o jovem agradeceu.
O que Fit disse de seguida é a essência de ser um heel, “nunca mais faças isso”. Assim sem mais nem menos, esta é a essência de ser heel.
O jovem nunca percebeu isso, ele adorava criar um pop no público. O jovem nunca entendeu que sendo heel nunca iria fazer dinheiro se o público o adorasse, pelo contrário, tinha de fazer com que o publico te odiasse. Não preciso dizer que esse jovem não foi longe no wrestling, até podia ter ido mas gostava muito do apoio do público.
Partilhei balneário com alguns dos duros que sabiam como ter um boa brawl e também combater. Combati tantas vezes no Japão que até lhe perdi a conta. Eu podia também fazer uma boa promo. Também aprendi que criando heat era a maneira de se promover o babyface.
Quando era campeão, sempre tive a percepção de nunca combater em demasia ou elogiar quem eu iria combater. Deixei de aplicar o fallaway slam porque por vezes tinha algum pop. Deixei de fazer promos com toque a comédia. Somente fazia coisas que as pessoas odiavam.Alguns conseguem fazer isso, mas lá no fundo a maioria gosta de ser adorado pelo público, Eles sabem como funciona mas não conseguem evitar serem apoiados. Inúmeras vezes ouvi os rapazes que regressavam ao backstage dizerem “Hoje há uma grande secção heel” e eles diziam isso com orgulho como se tivessem feito algo de bom. A verdade é que não estavam, pois se eles forem aplaudidos por alguém, eles estão a falhar o seu objectivo que é ser heel.
Certa vez estava Curt Hennig a combater Hillbilly Jim num house shows e um fã está a gritar com Hillbilly e logo o Curt-Curt tirou a chiclete que tinha na boca, meteu-a na mão e logo tratou de meter a mão na cara do fã. O fã ficou em choque e logo passou a apupar Curt. Hillbilly e Curt fizeram o lock-up e Curt somente disse “Perfect”. Agora o Curt era o heel e Hillbilly Jim o babyface, tal como era suposto ser.
Existem excepções, os tweeners que nem são babyface nem heel que são uma excepção. Não vou falar deles e falarei somente dos puros heels que querem o heat, montes de heat.
Eu ia ao extremo na arte de se heel. Não assinava autógrafos, não permitia a venda de merchandise com o meu nome e não permitia a presença de imprensa nas presenças que fazia para a caridade. Eu não queria que ninguém pensasse que eu era bom. Eu fazia tudo isso porque eu vivia a gimmick, actualmente isso já não acontece mas se ainda vir um grupo de smarts no aeroporto eu faço de tudo para me odiarem, normalmente ignoro-os e passou por eles sem lhes responder. Eu sei como eles estariam no show e eu não quero que eles pensem que sou boa pessoa.
Exagerado? Sim mas a pessoa de quem eu copiei a gimmick, JR Ewing usava sempre um chapéu de cowboy em qualquer local em que estivesse a filmar Dallas de modo a manter a imagem.
Agora tudo isso mudou pois vive-se um ambiente de corporação estéril mas também tenho de dar a mão à palmatoria e dizer que agora com mais ênfase na saúde que as cosias ficaram muito melhores comparadas com os tempos do Wild West quando eu comecei.
Lembro-me de um dia num house-show per pegado no micro e logo um grupo de smarts começou um cântico de “Boo-oo-o-ring” e eu ainda nem tinha dito uma palavra. Assim eu aguardei e tentei começar a promo mas o cântico persistia. Perante isto a minha decisão foi pedir uma cadeira.
Sentei-me no meio do ringue sem dizer uma única palavra. Nada, não disse nada, somente me sentei. Tony Chimel que era o ring announcer perguntou-me, “não vais fazer anda?” Não! Aquele momento pareceu uma eternidade, os cânticos começaram a baixar de intensidade até que pararam. O público descansou no main-event com o heel do combate a sentar-se no ringue sem dizer uma palavra.
Chimel disse “Eu imploro-te, faz alguma cosia”. Eu olhei para ele e não disse nada.
Uns momentos depois lá começou, o público murmura e logo vieram os apupos e cada vez mais fortes. Eu peguei no micro e disse: “ Agora que finalmente está percebido quem é o patrão, eu vou começar”. O público estava em alvoroço e logo começou a atirar objectos para o ringue. Eu fiz a minha promo para criar um fantástico heat para assim o babyface vir para o ringue e começar a dominar deixando toda a gente satisfeita.
Quando regressei ao backstage, o agente que acho que era o Arn Anderson disse, ”Já não via algo assim há mitos anos” e ambos rimo-nos. Não podes deixar a público te controlar, tu é que o tens de controlar. Tu fazes isso para o seu contentamento para no final de tudo eles ficarem satisfeitos mas para isso tens de ter o controlo. Se o publico está a controlar eles verão o babyface a vir e squashar o heel- maneira perfeita de bookar um território fechado.