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UFC 143 | Banho de água fria no deserto de Las Vegas


No passado Sábado, o UFC apresentou no Mandalay Bay Events Center, em Las Vegas o UFC 143 cuja luta principal foi pela definição do campeão interino da categoria de meio-médios e que colocou Nick Diaz frente a Carlos Condit. A completar o card estava o regresso de Fabricio Werdum ao UFC para enfrentar Roy Nelson e ainda os embates Renan Barão vs. Scott Jorgensen e Josh Koscheck vs. Mike Pierce. Eis o rescaldo do show num artigo produzido pelo novo parceiro do blog, o MMA Portugal......
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"Este artigo foi originalmente editado pelo website MMA Portugal e é aqui reproduzido com autorização exclusiva para o Wrestling Notícias. Visita o MMA Portugal para estares sempre a par de todas as notícias sobre Mixed Martial Arts e de Desportos de Combate".

UFC 143 | banho de água fria no deserto de Las Vegas

Noite apática e desinspirada no main card do UFC 143 com as quatro contendas sonantes da noite a arrastarem-se para decisão. Perante tamanha falta de punch lines para descrever as lutas, o principal nome que sai deste evento é, indubitavelmente, Nick Diaz, que perdeu por decisão unânime dos juízes depois de ter colocado Carlos Condit a recuar durante os cinco rounds. Diaz é o destaque por todo o hype que amplificou na Strikeforce, tornando-se o seu campeão, Diaz por toda a loucura que o seu regresso ao UFC gerou, Diaz por ficar pelo caminho no mediatizado embate com o campeão George St. Pierre, Diaz por ter sido derrotado com uma decisão muito polémica e Diaz por ter anunciado a sua reforma antecipada. Quando um bad boy aceita uma derrota que considera injusta com tanto fair play para com o seu inimigo, instala-se uma estranha calmaria no ar que cedo se desvaneceu com o seu anúncio inflamado e altivo, ao microfone de Joe Rogan:

Não concordo que tenha perdido esta luta, não aceito isso. Eu perdi lutas assim antes e não vou aceitar esta também. Carlos é um grande Homem. Estou feliz por ele e pela sua família mas acho que estou farto do MMA. Tem sido muito bom até aqui, tive uma grande carreira mas acho que já tenho o suficiente. Foram bons tempos.

O cartaz principal abriu com com o veterano no-namer Ed Herman (20-8-0) a fazer a sua 12ª luta no UFC e a vencer o invicto Cliffors Starks (8-1-0) com um rear naked choke, no segundo round e a notícia é tão seca quanto isto. Herman não é, e dificilmente será, material de main card (ponto). A contenda seguinte era um embate do qual se esperava muita acção e troca dinâmica em pé mas o Brasileiro da “Nova União” Renan Barão (28-1-0) não puxou pelos seus galões de estrela em ascenção e fez uma luta calculista contra Scott Jorgensen (13-5-0) que também deixou a ideia de que pouco arriscou, naquela que terá sido a luta mais importante da sua carreira onde uma vitória o projectaria para outro patamar. É caso para nos questionarmos se a rigidez crescente dos gameplans implementados pelas equipas não estará a retirar a pujança e aquele espírito embrionário de luta (na verdadeira ascenção da palavra) que caracterizou as Mixed Martial Arts, nos seus primórdios, e que as catapultou para a spotlight. É que Barão abdicou de impressionar e de fortalecer a sua persona de “lutador a temer”, Jorgensen deixou escapar entre os dedos – impávido e sereno – a sua grande chance e os fãs, que esperavam um combate duro e emocionante, bocejaram no sofá. E barão ainda pediu a disputa do cinturão no fim da luta, a Dana White, mas já devia desconfiar que isso se faz dentro da cage.

Por falar em bocejar e no desinteresse do público, Josh Koscheck (17-5-0) até se apresentou algo temerário e com uma vontade pouco habitual de trocar em pé – e é verdade que proporcionou excelentes momentos de explosão com os seus takedowns – mas cedo regressou ao seu habitual jogo de lay and pray e ao seu nível master de perder tempo contra a grade, num clinch tão convincente como um caniche de laçarote a desafiar um pitbull (do alto de uma varanda, no oitavo piso). Quando Koscheck passava o tempo todo a olhar para o relógio, e o Mike Pierce (13-5-0) o deixava, acho que está tudo dito em relação à intensidade da luta. É verdade… venceu o wrestler Josh Koscheck por (pasmem-se) decisão, debaixo de um coro de assobios. E não se percebe o Mike Pierce, que apostou numa postura irreverente e provocatória na pesagem (ao colocar uma peruca loura, a gozar na curva dos caracóis de Kosh) e depois se apresenta tímido e sem killer instinct, no octagon.

O co-main event da noite marcava o regresso da estrela do Jiu Jitsu e das MMA Fabrício Werdum (15-5-1) ao UFC. Recorde-se que o Brasileiro havia abandonado a promoção em 2008 para se juntar à Strikeforce, onde viveu o momento alto da sua carreira, ao ter derrotado Fedor Emelianenko, quando o Russo ainda era idolatrado e tido por muitos como um dos melhores atletas de sempre. Werdum regressava agora ao UFC depois de ter perdido, por decisão, contra Alistair Overeem e recebia como primeiro adversário o perigoso Roy Nelson (16-7-0), conhecido pelo seu queixo de ferro e por ter one punch knock out power.

Tendo isso em conta, seria expectável que Werdum tentasse levar a luta para o solo onde tentaria finalizar o, também faixa preta, Nelson mas Werdum – que aprimorou o seu striking com Rafael Cordeiro – cedo mostrou no primeiro round que vinha para trocar. Enquanto muitos punham as mãos na cabeça perante o que parecia ser um sério ataque de “boxite aguda” que causou grandes dissabores a atletas (em circunstância semelhantes) como Demian Maia, por exemplo, Fabrício mostrava-se relaxado – a controlar a distância – e partiu para cima com um jogo de clinch demoníaco (reminiscente da velha Chute Boxe) e aplicou potentes joelhadas que torcidaram e abriram o rosto de Roy Nelson que aguentou os três rounds numa surpreendente mastercalss de Muay Thai (para pesos-pesados pouco técnicos),

A meio da luta todos perceberam o óbvio: Roy Nelson iria aguentar os três rounds e sair de Las Vegas com a cara num bolo e Werdum – caso mantivesse a pressão e a guarda em cima – iria castigar faseadamente e manter Roy à distância, se bem que depois de ter entrado ao som de Michel Teló se esperasse uma espécie de castigo, pelas mãos irónicas do destino. Vejamos o que o futuro revela para Fabrício Werdum mas este provou que o seu striking melhorado pode ser uma mais-valia para se afirmar na categoria dos heavyweights mas se abandonar a sua arma mais forte (o Jiu Jitsu) pode-se tornar numa presa fácil para adversários mais fortes, numa manobra à la Jorge Gurgel. Referência ainda para o facto desta ter sido considerada a luta da noite, e que apesar de não ter sido uma disputa má, de todo, mostra bem o baixo nível de entusiasmo de cartaz. Roy Nelson está com a corda no pescoço, com esta terceira derrota, em quatro lutas, tendo afirmado Dana White:

Eu não sei, vamos ver o que acontece. Ele balançou Werdum uma vez com uma combinação de golpes. Se ele estivesse em boa forma suficiente para manter esse tipo de ritmo, ganharia mais lutas.

Era, então, tempo para a luta mais aguardada da noite, sendo que todos esperavam uma batalha selvagem – até à última gota de sangue e suor – entre dois tanques de guerra intratáveis com dinamite no depósito de combustível. Seria tamanha carnificina que Dana White seria comido vivo pelo motim que os fãs presentes no pavilhão iriam causar caso não atribuísse o prémio de melhor luta da noite a este main event! Bem, as coisas não foram bem assim… de todo. Com o título interino em jogo e cinco rounds pela frente, o combate disputou-se a uma ritmo baixo com Nick Diaz (26-8-0) a fazer Carlos Condit (28-5-0) recuar o tempo todo mas a fazer poucos estragos efectivos com o seu boxe numeroso e castigador de multi-ãngulos impossíveis e acabando por receber mais contra-golpes do que o arsenal que descarregava mas estes, também, pouco efectivos (Condit, no final da luta, disferiu muitos mais pontapés do que Diaz mas menos golpes de “braço”).

A partir do quarto assalto Carlos Condit começou-se a soltar e a encontrar a sua distância, isto depois de ter conseguido escapar mentalmente às bocas e perseguição de Diaz, sendo que este se ia desleixando e perdendo agressividade, quase assumindo que teria vencido os três primeiros rounds e não necessitaria de trabalhar muito mais. Condit ganhou preponderância nos últimos dois assaltos, continuando a contenda bastante empatada, mas Diaz – que sempre teve o octagon control – conseguiu uma queda no final do quinto assalto que lhe daria alguma tranquilidade para aceitar a decisão unânime. A questão é que – e Dana White bem avisa – nunca se pode deixar nas mãos dos juízes, especialmente com vedetas senis como Cecil Peoples na mesa dos jurados e Carlos Condit acabou por vencer por decisão unânime deixando o pavilhão e o mundo em choque e dando um dos maiores feelings de anti-climax na história do UFC, pois todos já esperavam GSP a entrar na cage e a encostar a testa com Diaz e lonas giagantes com a cara dos dois a serem desenroladas nas paredes da Mandalay Bay.

A decisão é ainda mais surreal quando é anunciado que apenas um dos três jurados deu o último round a Nick Diaz e quando parece consensual, na internet e na imprensa escrita, que qualquer primata com algum conhecimento básico de MMA e do que deveria ser o 10-point must system daria, facilmente, o primeiro, segundo e quinto rounds a Diaz mas a verdade é que Condit ficou com o cinturão à volta do seu tronco e desafiará GSP, num combate – de qualquer modo – que todos esperam que o Canadeano vença, fosse Condit ou Diaz, o adversário. A questão aqui seria, quem venderia mais bilhetes e esse seria, obviamente Diaz, que amuou:

Eu não preciso desta merda. Eu fiz o Condit andar para trás o tempo todo. Ele fugiu de mim a luta toda e eu atingi-o com golpes mais duros. Ele me pontapeou na parte de dentro da perna com golpes de bebé. Se é assim que os juízes entendem que se ganha aqui, não quero mais jogar este jogo.

No undercard todo o destaque vai, necessariamente, para Dustin Poirier (12-1-0) que obteve o prémio de finalização da noite com um triângulo com armbar e para Stephen Thompson (6-0-0) cujo estilo karateca e o fantástico pontapé que nocuateou Daniel Stittgen lhe valeram 65.000 dólares extra e muito hype, provando que a ambição, a ousadia e a garra compensam.

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